Economista projeta PIB brasileiro em 0,3% para 2009

De acordo com o economista Gustavo Loyola, que presidiu o Banco Central (BC) de 1995 a 1997, o Brasil apresentou uma contração de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008 e deve crescer apenas +0,3% em 2009, valor bem abaixo da estimativa oficial divulgada ontem pelo BC, que revisou sua projeção de 3,2% para 1,2%. Loyola considera uma boa notícia a inflação projetada para este ano em 4,2%, o que vai permitir ao BC baixar as taxas de juros.

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O PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos, que caiu 6,2% no último trimestre de 2008, deve cair 6,0% no primeiro trimestre de 2009 e fechar o ano com queda de 2,5%, sentindo os efeitos da pior crise bancária desde 1930 e que jogou na lama os principais bancos norte-americanos. É o que afirma Gustavo Loyola, doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas, presidente do Banco Central (BC) entre 1995 e 1997.

Na última sexta-feira, o economista traçou um paralelo entre os países desenvolvidos e os emergentes, como o Brasil e a China, em palestra para cooperados da Cooxupé. Segundo ele, a China, ao contrário dos EUA, deve manter crescimento estável, sustentado pela demanda doméstica: as projeções indicam o PIB em 7,5% em 2009, subindo para 8,0% em 2010 e 8,5% em 2011.

De acordo com o economista, o Brasil apresentou uma contração de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008, "mas nossa projeção para 2009 é de +0,3%", valor bem abaixo da estimativa oficial, divulgada ontem pelo BC, que revisou sua projeção de 3,2% para 1,2%. Loyola considera uma boa notícia a inflação projetada em 4,2% para 2009, o que vai permitir ao BC baixar as taxas de juros.

Já o relatório "Perspectivas Econômicas" da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgado nesta terça-feira em Paris, diz o contrário, que a economia brasileira deverá retrair 0,3% em 2009, "pois a atividade perdeu muito impulso no último trimestre de 2008, puxada pela queda da produção industrial". Apesar disso, a OCDE acredita que, após ter tocado o fundo, a produção industrial dá atualmente sinais de retomada.

"No último trimestre de 2008, assistimos a uma crise de desaceleração no país, ou seja, tivemos que frear, diminuir a velocidade de nosso crescimento, mas ao contrário dos Estados Unidos, o sistema financeiro brasileiro permanece sólido", destacou o ex-presidente do BC. Segundo ele, com a queda dos juros, o crédito será retomado ao longo de 2009 e então teremos "combustível" para voltar a crescer.

As informações são da Cooxupé, adaptadas pela Equipe CaféPoint.

Figura 1
Segundo o economista Gustavo Loyola, assistimos a uma crise de desaceleração, mas o sistema financeiro brasileiro permanece sólido.
Foto: Batista, Cooxupé
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