Dólar: valorizações pontuais não evitarão queda no ano

A tendência de apreciação cambial no final de 2007 estaria mais do que confirmada. Basta lembrar que, na última sessão de 2006, o dólar era cotado a R$ 2,137. Até a última quinta-feira (6), dia em que a moeda encerrou os negócios a R$ 1,774, a queda acumulada no ano chegava a 16,99%.

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A turbulência que retornou aos mercados globais no último mês, levando o dólar a apreciação de 3,29% frente ao real, parece ceder à melhora de cenário tanto no front externo quanto no doméstico. Os investidores voltam a experimentar posições mais arriscadas, e o real, ainda que sujeito a mudanças de humores, volta à sua trajetória de queda perante a moeda dos EUA, segundo notícia do InfoMoney.

E, na percepção do mercado, tal movimento se deve mais a fatores internos. "O mercado de câmbio brasileiro forma a sua taxa de câmbio a partir de sua própria realidade sem uma efetiva correlação com o comportamento do mercado norte-americano, repercutindo as pressões decorrentes do seu próprio fluxo", explica a NGO Corretora.

A influência externa, por sua vez, se restringe à expectativa de que, na próxima terça-feira (11), o Federal Reserve anunciará um novo corte no juro básico norte-americano. A maior diferença entre a taxa Selic e a Fed Funds Rate resulta em maior atratividade aos ativos domésticos, que estimularia o ingresso adicional de capital externo ao Brasil e, conseqüentemente, em pressão extra para a depreciação do dólar.

Além de fluxo cambial e expectativa sobre a reunião do Fed, outro evento que tem mexido com o mercado cambial é a possibilidade da criação do Fundo Soberano de Riqueza (FSR). Contudo, na opinião da MCM Consultores, a eventual criação do fundo não só teria, ao que tudo indica, pressão temporária sobre o câmbio, como também pode contribuir com a tendência de queda no médio e longo prazo.

Isto porque a provável inclinação do governo para ativos domésticos aumenta a chance de que os recursos sejam reconvertidos em reais, exercendo assim pressão contrária à desejada sobre a taxa de câmbio.

Além disso, dado o risco soberano, existe determinada demanda por ativos brasileiros. Caso o FSR absorva parte desses ativos, a tendência é que ocorra deslocamento desta demanda, o que, em última instância, aumentaria a oferta de dólares no mercado doméstico, novamente anulando o efeito intervencionista.

Em outras palavras, a percepção da consultoria é de que, no longo prazo, o câmbio será determinado pelos fundamentos macroeconômicos domésticos e externos.

Neste cenário, a expectativa da MCM é de que o dólar encerre 2007 cotado próximo a R$ 1,80. O Santander, por sua vez, aposta em menor patamar, de R$ 1,70. Intermediário, o relatório Focus desta semana, que traz a mediana das projeções de aproximadamente 100 instituições financeiras para as principais variáveis macroeconômicas do país, aponta uma estimativa de R$ 1,75.

Independente de qual destes três valores fique mais próximo do real fechamento em 2007, a tendência de apreciação cambial estaria mais do que confirmada. Basta lembrar que, na última sessão de 2006, o dólar era cotado a R$ 2,137. Até a última quinta-feira (6), dia em que a moeda encerrou os negócios a R$ 1,774, a queda acumulada no ano chegava a 16,99%.
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