Dólar comercial desafia volatilidade dos mercados
O caráter especulativo do spread entre as taxas básicas de juro doméstica e norte-americana deu suporte à depreciação cambial. Como explica Reginaldo Galhardo, analista da Treviso Corretora de Câmbio, os períodos de fluxo cambial negativo na Bovespa neste início de 2008 não vieram acompanhados de queda no fluxo financeiro. Os recursos que saíram da bolsa brasileira se mantiveram no mercado brasileiro, aplicados na renda fixa, à espera de melhor ambiente para regressar à renda variável ou em postos para sair do país. A ampliação do cupom cambial entre o juro brasileiro e o norte-americano desperta a iniciativa dos investidores propensos a tentar arbitrar este spread.
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Se por um lado a percepção global de melhora nos fundamentos macroeconômicos do Brasil, junto à tranqüilidade expressa pelas reservas cambiais e à expectativa de obtenção do sonhado grau de investimento, justifica o ingresso de capitais no país, na contrapartida, mesmo em épocas de fluxo cambial negativo o dólar comercial não se absteve de sua trajetória declinante, como no início do ano.
Nestes momentos, o caráter especulativo do spread entre as taxas básicas de juro doméstica e norte-americana deu suporte à depreciação cambial. Como explica Reginaldo Galhardo, analista da Treviso Corretora de Câmbio, os períodos de fluxo cambial negativo na Bovespa neste início de 2008 não vieram acompanhados de queda no fluxo financeiro.
Em outras palavras, os recursos que saíram da bolsa brasileira se mantiveram no mercado brasileiro, aplicados na renda fixa, à espera de melhor ambiente para regressar à renda variável ou em postos para sair do país. A ampliação do cupom cambial entre o juro brasileiro e o norte-americano desperta a iniciativa dos investidores propensos a tentar arbitrar este spread.
Banco Central coadjuvante
Sidnei Moura Nehme, diretor-executivo e economista da NGO Corretora de Câmbio, dá seqüência à discussão. Não acredita que o fato de a tendência de queda do dólar não ser local, mas sim global, justifique totalmente o movimento do câmbio.
Na opinião de Nehme, o "diferencial mundial" do Brasil é sua elevada taxa de juro básico, o que atrai não só especuladores estrangeiros, mas também nacionais, a arbitrar operações derivativas, o que "deixa um efeito direto e quase irreversível de apreciação do real".
Para este fator, na percepção do economista não há estratégia técnica que o Banco Central possa adotar em busca de evitar a queda do dólar comercial a não ser reduções na Selic.
"Para o excesso efetivo de ingresso de divisas, o Banco Central atua com seus leilões diários de compra ou mesmo de swaps reversos que, se limitados aos excedentes, podem ter um efeito equilibrador ou pelo menos de amortecer a intensidade da queda, porém para a irradiação do mercado de derivativos não tem antídoto, sendo cautelar que não compre nos seus leilões volume acima do fluxo cambial positivo, pois se comprar ajuda a afundar mais ainda o preço da moeda americana", diz Nehme em relatório.
Há espaço para mais?
Diante deste cenário que se apresenta, não há como fugir de uma questão central: há espaço para mais? Galhardo evita falar em projeções, mas afirma que o câmbio ainda mostra espaço para testar patamares abaixo dos atuais.
O economista da NGO Corretora de Câmbio diz que, mesmo com as mínimas das últimas sessões, não se deve descartar a possibilidade de o dólar comercial seguir a atual trajetória, sem deixar de levar em conta que, nos atuais patamares, o espaço para mais queda é menor.
Economista-chefe do banco Schahin, Sílvio Campos Neto aumenta o grupo de especialistas que apostam em mais desvalorização no curto prazo. A aposta de obtenção do investment grade ganhou reforço com o anúncio feito pelo Banco Central de que as reservas cambiais brasileiras deixam o país em posição líquida credora, estimulando a procura por ativos brasileiros, tendo por conseqüência mais explícita o reforço à depreciação da moeda dos EUA.
Por fim, Miriam Tavares, diretora da AGK Corretora de Câmbio, avalia que no curto prazo a divisa não deva fugir na faixa entre R$ 1,70 e R$ 1,72. Para que se consolidem cotações abaixo do piso deste intervalo, nova melhora, e mais significativa, no front internacional é precisa.
A reportagem é de Juliana Pall Farias do portal InfoMoney.
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