Diretor da OIC alerta: produção de café deve seguir as necessidades de consumo

Robério Silva afirmou ainda, em ocasião de sua participação na Fenicafé 2013, que a crise que assola o setor não chega nem próxima às crises vividas pelos produtores no início do milênio: "mas isso não quer dizer que não é um fator preocupante". Com relação aos custos de produção,"estamos chegando a níveis muito perigosos para a sustentabilidade do produtor brasileiro e também dos outros países".

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Um dos grandes momentos do primeiro dia da Fenicafé 2013, evento que ocorre em Araguari/MG até esta sexta-feira (22/03), foi a palestra proferida pelo diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Robério Oliveira Silva.

Na feira, Robério falou sobre o “Cenário da Oferta e Consumo Mundial de Café”. Através de gráficos, o diretor da OIC mostrou os indicadores de preços do café nos últimos 13 anos. Para ele, esta crise que assola o setor cafeeiro em 2013, não chega nem perto das crises vividas pelos produtores no início do milênio. “Mas isso não quer dizer que não é um fator preocupante”, analisa.

Com relação aos custos de produção, Silva disse que no Brasil estes custos estão muito acima dos praticados no mercado. “Portanto, estamos chegando a níveis muito perigosos para a sustentabilidade do produtor brasileiro e também dos outros países”, informa.

A produção mundial de café para 2012/2013, está estimada em 144,4 milhões de sacas. “Apesar destes números estarem sujeitos a constantes revisões, podemos notar uma tendência no aumento da produção. Mas na verdade, temos que garantir que a produção nos países produtores esteja em linha com as necessidades de consumo, para evitar a formação de estoques”, completa.

Silva relatou que o consumo global cresce, atualmente, cerca de 2,5% ao ano, impulsionado pelos mercados emergentes, onde este índice supera os quatro pontos percentuais. Apesar disso, o consumo mundial ainda é bastante baixo, uma vez que grande parte da população não consome café. Portanto, para o futuro, ainda se prevê um importante crescimento no número de pessoas que bebam o produto devido ao potencial de ingresso desses potenciais consumidores. Na outra ponta, acredita-se que haverá estagnação no nível de consumo de café nos países desenvolvidos.

O diretor-executivo também salientou que os mercados emergentes possuem um alto nível de absorção do café robusta devido ao alto consumo de solúvel e, especificamente no caso brasileiro, em função da alta disponibilidade e dos menores preços desta variedade. Nos mercados "maduros", também foi verificado um aumento na quantidade de conilon em seus blends, cuja proporção saltou de 25% para 45% nos últimos cinco anos. Por fim, citou que o consumo tem aumentado 2,5 milhões de sacas ao ano, das quais 2,0 milhões seriam referentes à absorção de robustas nos novos mercados.

O café é um dos produtos básicos que mais se negociam no mundo, sendo produzido em mais de 60 países. Muitas nações produtoras são altamente dependentes do café, chegando a corresponder a mais de 50% de suas receitas de exportação.

O café representa o sustento para mais de 125 milhões de pessoas e é particularmente importante para os pequenos produtores, que produzem a maior parte do café mundial.

Confira aqui as perspectivas oferecidas, durante discursos no evento, pelo deputado federal e presidente do Conselho Nacional do Café - CNC, Silas Brasileiro, e por Elmiro Nascimento, secretário de Agricultura do Estado de Minas.

Confira aqui mais informações sobre a Fenicafé 2013.

A matéria é da organização do evento, adaptada pelo CaféPoint.
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Carlos Alberto da Silva Couto
CARLOS ALBERTO DA SILVA COUTO

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 22/03/2013

Dizer que o consumo do robusta pelo brasileiro se deve ao seu preço mais baixo é ser muito simplista. Basta ir ao supermercado e procurar outro tipo de café, só se encontra o arábico em supermercados para elite, assim mesmo em grão. A maioria do brasileiros bebe essa porcaria empacotada com aquela mistura de milho torrado, palha etc.



Onde está o problema eu não sei, para o leigo parece que uma questão cultural, a de se levar vantagem em tudo, a famosa lei do Gérson. Dentro da cadeia do café me parece que o problema reside nas torrefadoras.



Enquanto isso os gringos vão deitando os cabelos com suas maquininhas diabólicas, seus sachets mesmo sem ter um pé de café plantado.



Faltam campanhas de incentivo ao consumo do café e uma oferta de café decente para o brasileiro, infelizmente para tomarmos um bom café é mais fácil encontrar um bom produto no exterior. No dia que valorizarem o mercado interno acho que deve melhorar, enquanto isso não acontece milhões de brasileiros são ignorados em detrimento da avidez desse governo em exportar a todo custo comodities ao invés de priorizar produtos com valor agregado.



O governo brasileiro parece que não enxerga o valor do café para o nosso país, aliás eles nunca sabem de nada, mas são mestres em cobrar impostos, os melhores nesse quesito mundialmente.



Vou ter que parar por aqui pois tenho que ir no supermercado comprar aquele pó preto que dizem ser café, tem um com nome de rei do futebol que é uma beleza, é delicioso e rende muito, é bem pretinho e forte, ninguém merece cruz credo...
joão carlos remédio
JOÃO CARLOS REMÉDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 21/03/2013

Sr Robério Silva leia um pouco dos comentários daqui do CaféPoint. Tudo que está se discutindo já foi falado aqui. É só repetição do óbvio. Não sou nenhum doutor no assunto, mas, já comentei várias vezes que a oferta têm que ser mais apertada que o consumo. O Brasil está pagando mais essa conta porque produz mais e a um custo bem mais alto que  outros países.