Diminui a fatia de robusta no produto torrado e moído

A grande oferta de cafés arábicas de pior qualidade nesta safra 2013/14 fez diminuir a demanda pelo café robusta, considerado menos nobre e usado nos blends pelas torrefadoras brasileiras. A queda na demanda é reflexo do maior uso nas misturas dos cafés arábicas de bebida rio e riada, cujos preços estão mais baixos que os do robusta, disse o Valor Econômico.

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A grande oferta de cafés arábicas de pior qualidade nesta safra 2013/14 fez diminuir a demanda pelo café robusta, considerado menos nobre e usado nos blends pelas torrefadoras brasileiras. A queda na demanda é reflexo do maior uso nas misturas dos cafés arábicas de bebida rio e riada, cujos preços estão mais baixos que os do robusta, disse o Valor Econômico.

Bruno Forzza Sarcinelli, diretor da Custódio Forzza Comércio e Exportação Limitada, do Espírito Santo disse ao Valor que, com a mudança, a estimativa é que participação do robusta (conilon) nos "blends" de café torrado e moído já tenha recuado de 50% para 30% a 35%, segundo. O Estado é o maior produtor nacional de café robusta.

De acordo com Sarcinelli, há cerca de 45 dias a demanda pelo café robusta diminuiu e os preços do produto, que chegaram a R$ 250 a saca em maio deste ano, recuaram para os atuais R$ 215 por saca. O café arábica bebida rio, por exemplo, é negociado no Sul de Minas Gerais por R$ 160 a saca, ante R$ 190 a R$ 200 dez dias atrás.

Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), afirmou ao valor que o maior uso de cafés arábicas em detrimento dos robustas vem ocorrendo há cerca de dois meses em muitas torrefações. Assim, o percentual de 50% do robusta na composição dos blends de torrado e moído atualmente já recuou, embora a entidade não tenha ainda uma estimativa de qual seja o percentual. "A indústria enxerga nisso [queda no preço do arábica] oportunidade de novamente fazer uma mudança gradual do blend. Sessenta a setenta reais por saca é uma diferença enorme", declarou.

Sarcinelli também disse ao Valor que, com o recuo dos preços do café conilon no mercado interno, os produtores dessa espécie começaram há cerca de 15 dias a reter o produto, à espera de melhora na cotação. Antes, vendiam de forma escalonada para pagar o custeio da colheita, encerrada entre julho e agosto.

A reportagem é do Valor Econômico, adaptada pelo CafePoint.
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