A água descartada após alguns processos de beneficiamento do café é um ponto de preocupação para produtores e, consequentemente, toda cadeia cafeeira. Em busca de uma máquina de despolpa que não gerasse o resíduo, a empresa Pinhalense esteve três anos em fases de testes em fazendas da América Central e do Brasil. “Utilizamos propriedades de clientes que tem alto controle de seus processos em El Salvador e, no Brasil, nas regiões do Sul de Minas e da Mogiana”, explicou Reymar Coutinho de Andrade, presidente da Pinhalense.
Zero água e separador de verdes
Esta é a primeira máquina que se propõem a não utilizar nenhum litro de água para o processo. “Até aqui, só vimos despolpadores que prometiam certa economia de água, mas não o consumo zero”, aponta Reymar. “Nós criamos dispositivos ao redor do cilindro, que consideram um ângulo de expulsão de casca diferente e faz uma pressão sobre os canais, exercida pela própria máquina”, conta Reymar, explicando que a movimentação na máquina nova é estritamente mecânica e, por isso, independe da pressão da água.
O maquinário possui, ainda, a opção de separar os grãos verdes, antes do processo de despolpa, e também este segundo processo sem a geração de água residual. “No Brasil temos uma presença expressiva de verde – em decorrência do clima tropical que produz diversas floradas – e os produtores buscam a melhoria continua do seu café. É por isso que preservamos a presença do separador de verdes antes do despolpador. Isso faz com que você só despolpe os frutos cerejas e preserve a qualidade”, analisa Reymar. Segundo o presidente, por ter as duas opções, com e sem separação, o maquinário se adapta, também, a realidade de quem colhe seletivamente.
A despolpadora Pinhalense foi lançada na 19ª edição Expocafé, feira realizada em Três Pontas (MG), entre os dias 8 e 10 de junho. Além do consumo zero de água, o presidente avalia que a máquina possui uma baixa demanda energética. “Em comparação com as linhas anteriores, podemos ter em torno de 20% de economia”.
