Descascar café verde é nova opção
Café verde está virando sinônimo de lucro em propriedades que produzem cereja descascado. Tecnologia inédita no país, que descasca também os grãos verdes, já está sendo adotada por cafeicultores de São Paulo e Minas Gerais. Segundo o professor Flávio Meira Borém, do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (UFLA-MG), que desenvolveu a tecnologia, a opção de descascar lotes compostos exclusivamente por grãos verdes começou a ser estudada em função da elevada quantidade desses frutos na colheita.
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Outro estímulo à adoção da prática é que o ágio obtido pelo descascamento do café cereja não está compensando o deságio na porção de frutos verdes. "A presença de grãos verdes classifica a bebida como padrão duro, que é pouco competitivo." Pela tecnologia, até 50% dos frutos verdes são descascados e este lote de grãos imaturos tem boa classificação, alcançando o padrão comercial. "Não se esperava que o verde descascado isoladamente daria bebida tão competitiva."
Procedimento
O processamento de café verde é similar ao do cereja. O descascador ou despolpador, equipamento que descasca os frutos maduros, separando os verdes, é o mesmo. O que muda é a regulagem da máquina. "Regula-se o despolpador para deixar passar no máximo 10% de frutos maduros na porção de frutos verdes."
A segunda etapa é amontoar o lote de grãos verdes. "Isso pode ser feito em moega, carreta ou no próprio piso protegido do sol, à noite, e deixá-lo por 12 a 16 horas, cuidando para o café não esquentar e não ser exposto ao sol", diz. "Depois, o material é descascado: regula-se a máquina para descascar entre 40% e 50% do lote, para não quebrar o café que não descasca." Depois, o lote vai para o terreiro, seguindo os mesmos procedimentos de secagem do cereja.
O café que ficou com casca não deve ser secado nos primeiros dias em camadas grossas, para não fermentar. "Muitas vezes o produtor pode não conseguir melhorar a bebida ou obter um preço maior, mas reduz a quantidade de defeitos e valoriza o lote."
Valorização
O produtor Renato Farhat Brito, que possui 608 hectares de café em Três Pontas/MG, já utiliza a tecnologia há duas safras. "Antes eu retardava o início da colheita para não colher mais de 10% de café verde. Com a técnica, começo a colheita com 30% de grãos verdes e faço o descascamento de 50% desse lote", explica. "Com o processamento dos frutos verdes, consigo agregar valor a um produto que antes desvalorizava a produção", diz ele, destacando que, no fim da colheita, a porcentagem de grãos sem qualidade caiu de 20% para 10%.
A matéria, de Fernanda Yoneya, foi publicada no jornal O Estado de São Paulo, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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SANTA TEREZA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 04/03/2009
Quero lembrar que estes grãos verdes falados são os verdes canas, pois os verdes mesmo, estes não descascam; Eu fiz um teste por conta própria colocando estes grãos dentro de uma caixa com agua e consegui aumentar a quantidade de gãos verdes descascados. Quem quiser pode descascar o bóia neste período, pois fiz isto aqui e consegui valorizar o preço desde mesmo café nesta época, alcançando uma média boa. Estou sempre que possivel realizando esta prática.