Déficit hídrico causa perdas de produção cafeeira

São Pedro não está colaborando, neste ano, com a lavoura cafeeira. Uma hora é chuva demais, causando estragos por excesso, outra é de menos, prejudicando pela falta. Uma análise do que ocorreu, recentemente, com o regime de chuvas mostra que diversas regiões tiveram excesso, como o Sul de Minas, levando a florações menos abundantes e desuniformes. A falta de chuvas ocorreu por um longo período, justamente na fase critica, na granação dos frutos, causando perdas em parte da região produtora de café arábica.

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São Pedro não está colaborando, neste ano, com a lavoura cafeeira. Uma hora é chuva demais, causando estragos por excesso, outra é de menos, prejudicando pela falta. Parece até que ele tomou um cafezinho amargo, já que o preço do açúcar está pela hora da morte.

Brincadeira a parte, uma análise do que ocorreu, recentemente, com o regime de chuvas mostra que diversas regiões tiveram excesso, como o Sul de Minas, levando a florações menos abundantes e desuniformes. Também ocorreram tempestades danosas, chuvas de granizo em áreas extensas e até uma espécie de avalanche, que carregou cafezais morro abaixo, coisa que nunca havíamos visto aqui no Brasil.

A falta de chuvas ocorreu por um longo período, justamente na fase critica, na granação dos frutos, causando perdas em parte da região de café arábica no Espirito Santo, na Zona da Mata de Minas e na Bahia, e, ainda, em toda a região de Conillon no Norte do Espírito Santo. O período sem chuva variou de 55 - 80 dias, de inicio de janeiro a meados de março.

Os cafeeiros afetados se mostraram com murcha permanente, com escaldadura e queda de folhas, com maturação forçada, chochamento e má granação de frutos, e, em decorrência da estiagem, um ataque forte de bicho-mineiro e de cercosporiose. É difícil estimar as perdas, pois elas vão aparecer mais adiante, especialmente no rendimento do café. As opiniões variam, desde perdas mais leves, ao redor de 10%, até 50% em algumas lavouras.

Um tipo de perda que muitas vezes o produtor não se dá conta é aquela devida ao chochamento e à má granação dos frutos. Neste ano as perdas foram maiores nos frutos das primeiras floradas, pois eles já se encontravam na fase de enchimento dos grãos. Com a falta de água observou-se chochamento completo, com falta total e escurecimento do endosperma da semente e outros ficaram com pouca massa, mal granados, que irão dar origem a grãos leves, muitos indo para junto da escolha por ocasião do beneficiamento.

O chochamento, como se conhece, ficou mais critico em plantas mais jovens, nos ponteiros das plantas e nos nós das pontas dos ramos produtivos, principalmente daqueles que perderam todas as folhas. Nos cafeeiros conillon, onde os ramos pendem para as ruas houve queima de frutos pelo sol.

Figura 1: Verdadeira avalanche, ocorrida em lavoura de café na região de Brejetuba/ES

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Figura 2: Escaldadura em folhas por efeito de estiagem

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Figura 3: Má granação no fruto por falta de água

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Figura 4: Chochamento em uma só loja do fruto

Figura 4

Figura 5: Com chuvas e déficits intercalados, tem-se floradas e frutificações irregulares, na foto, na Chapada Diamantina/BA, em 12 de março 2010, frutos bem adiantados ao lado de flores abrindo

Figura 5

Figura 6: Cafeeiros em Manhuaçu/MG, com murcha permanente

Figura 6

O trabalho foi realizado por J.B. Matiello e L.B. Japiassu, Engenheiros Agrônomos do Mapa-Fundação Procafé, G. Nogueira Rosa, Engenheiro Agrônomo CEPEC-Heringer e C. Krholing, Engenheiro Agrônomo Consultor.

As informações são da Fundação Procafé, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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Adelino Junior Thomazini
ADELINO JUNIOR THOMAZINI

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO

EM 08/04/2010

Reforço o posicionamento do Sr. Carlos Alberto. O Sul do ES sofreu muito com a seca e o fato da não existência de irrigação complicou ainda mais a situação.
Alguns agricultores capixabas já começaram a colher o Conilon. Em dois agricultores que visitamos a média colhida, em volume de café maduro, está aproximadamente 15% abaixo do esperado, porém, o rendimento após a secagem e beneficiamento está drástico. Nos dois casos foram necessários mais de 5,5 sacos de café maduro para "fazer" 1 saca de 60 kg. Isso pode resultar em uma perda de aproximadamente 40% na safra, sem falar na qualidade, pois o número de defeitos está assustador.
Carlos Alberto de Carvalho Costa
CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 07/04/2010

Concordo com quase tudo que o trabalho relizado por Matiello e Japiassu sobre o Deficit Hidrico causar perdas de produção cafeeira, apenas discordo deles não terem citado o conilon do sul do Espirito Santo, que apesar do quantitativo tão pequeno em relação ao norte do estado, tem um peso na somatória final. As baixas altitudes em cidades como Rio Novo do Sul, Iconha, Jerônimo Monteiro, Atílio Vivaqua e muitas outras e a ausência de irrigações na maioria das propriedades fazem com que as perdas em alguns casos sejam superiores a 50%.
Alemar Braga Rena
ALEMAR BRAGA RENA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 07/04/2010

Estimados colegas cafeicultores

Levantamento realizado por nós confirma totalmente as informações apresentadas neste artigo para as regiões mencionadas. Apenas adicionamos que as consequências desta seca para a safra do ano que vem, ainda que não possam ser dimensionadas no momento, deverão também ser consideráveis, em decorrência do esgotamento fisiológico, tanto da parte aérea como, e principalmente, do sistema radicular. Portanto, a bienalidade naturalmente esperada para o próximo ano deverá ser bem mais acentuada.

Ubiratan Vasconcelos Barros
Alemar Braga Rena
Erásio Jr.
ERÁSIO JR.

FRANCA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 06/04/2010

Comprovando esse estudo, enviei fotos já disponibilizadas no http://www.cafepoint.com.br/mypoint/140339/,