Cultivo integrado no cafezal aumenta a produtividade

Além de oferecer uma alternativa econômica, a integração de outras culturas nos cafezais tem sido utilizada com bons resultados no aumento da produtividade e redução dos impactos climáticos na lavoura. Estudos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC/Apta) mostram que a adoção do sistema arborizado resulta em um aumento de produtividade do arábica de 10 a 15 sacas por hectare, incremento de 30%.

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Além de oferecer uma alternativa econômica, a integração de outras culturas nos cafezais tem sido utilizada com bons resultados no aumento da produtividade e redução dos impactos climáticos na lavoura. Estudos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC/Apta) mostram que a adoção do sistema arborizado resulta em um aumento de produtividade do arábica de 10 a 15 sacas por hectare, incremento de 30%. A técnica reduz em 2ºC a temperatura média da lavoura em climas quentes. No frio, atua como uma proteção evitando que o vento gelado atinja intensamente os cafezais.

A técnica de arborização cobre cerca de 25% da lavoura, contra 90% do sombreamento. A vantagem é que ela diminui o risco de retenção do frio no meio da lavoura. "Ela permite uma produtividade linear, reduzindo a variação de produção bienal. Sem contar que amplia a vida do cafezal", explica Marcelo Bento Paes Pinto, pesquisador de climatologia do instituto. Ele destaca como vantagem a qualidade da bebida, favorecida pela maturação mais lenta e menor exposição ao sol.

O gerente da Fazenda Daterra, Leopoldo Santana, utiliza a arborização e explica que o sistema reduziu em 25% o custo total com defensivos, mas disse não haver grandes alterações na produtividade. "O cafezal é sensível aos ventos, que quebram as folhas e aumentam a exposição a fungos e bactérias", observa. Localizada em Franca/SP, a propriedade possui uma área de 200 hectares e, segundo o gerente, nada impede que a colheita na lavoura seja mecanizada. "Como o espaço entre as árvores é grande, não vemos nenhum empecilho para mecanizar". Ele estima que o custo total por hectare é de R$ 6 mil e os defensivos representam 7% desse total.

O instituto recomenda um espaçamento de 16 metros de entrelinha por 16 metros de linha dentro das fileiras de café no caso da adoção de árvores mais altas, como seringueiras e eucaliptos. Já na integração do cafezal com culturas mais baixas, como bananeiras, o espaçamento indicado é de 8 metros de entrelinha por 8 metros de linha dentro das fileiras. O pesquisador do IAC explica que a técnica tem ganhado corpo nos últimos dez anos por causa das exigências de sustentabilidade.

As técnicas de manejo, como o adensamento das lavouras, também podem reduzir custos. Laércio Zambolin, professor de manejo integrado da Universidade Federal de Viçosa (UFV), explica que o adensamento para agricultura familiar indicado é o de 1,5 metros de entrelinha por 50 cm de linha. "A economia com defensivos chega a 40% e com fertilizantes, a 15%, em média". O professor diz que a competição entre as plantas pode reduzir a produtividade, mas a economia compensa. Para a agricultura empresarial, o indicado é de 3,8 metros por 70 cm. "A economia com defensivos é de 25%, em média, e a produtividade aumenta 30%".

No caso do conillon, alguns produtores revelam que a arborização prejudicou. "Cheguei a plantar seringueira junto, mas não deu certo. O que funciona é o adensamento", explica Antônio Joaquim Neto, presidente da Coooperativa de São Gabriel da Palha, no Espírito Santo. Ele indica um espaço de 3 metros de entrelinha por 1 de linha. A matéria, de Roberto Tenório, foi publicada na Gazeta Mercantil, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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