Crise: segue instabilidade no mercado cafeeiro
De acordo com o Escritório Carvalhaes, os fundamentos do mercado de café têm dado certa sustentação aos preços nas bolsas de futuro, mas agentes do comércio e do mercado consumidor tentam insistentemente lançar notícias negativas e abalar a convicção de produtores e analistas quanto à solidez dos fundamentos, principalmente quando se analisa a situação estatística, com queda na produção e também nos estoques de café.
Publicado por: CaféPoint
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Os cafeicultores brasileiros vendem sempre apenas o necessário para cumprir os compromissos mais próximos, mostrando muita irritação com os preços oferecidos, que, para muitos deles, não cobrem o custo de produção, bem como os riscos e o investimento necessário para manter o alto nível da cafeicultura brasileira.
"A irritação chega ao auge quando ouvem analistas dizendo que as cotações no mercado futuro estão "historicamente" altas e ignorando o fato do grande crescimento nos custos de fertilizantes, defensivos, mão-de-obra e energia, que acompanharam a alta generalizada de preços no mundo com a desvalorização do dólar. Isto fica claro quando se compara a fatia, menor a cada ano, do faturamento global dos negócios de café, que fica em mãos dos produtores", publicou o escritório.
O mês de março começou com novos temores em relação à economia global. Crise e recessão são as palavras que estão na ordem do dia, e o comportamento das commodities agrícolas acompanha esse ambiente de incertezas. O mercado de café até que teve um inicio de ano promissor, mas no mês passado os operadores foram trazidos de volta à realidade.
O dinheiro novo que apareceu em janeiro, e que fez o preço do café reagir, foi sendo expelido do mercado ao longo do mês seguinte, avalia o vice-presidente da Newedge Group, Rodrigo Costa. Os fundos de investimento liquidaram parte das posições compradas por causa da aversão ao risco, diante de um cenário financeiro que se deteriora.
Em fevereiro, o contrato com vencimento em maio, o mais líquido, apresentou desvalorização de cerca de 8,2%. Desde o inicio do ano, a perda acumulada alcança 1,10%. Na sexta-feira, maio encerrou em baixa de 1,10% (menos 125 pontos), a 111,90 cents. A máxima foi o fechamento anterior, a 113,15. A mínima chegou a marcar 110,05 cents (menos 310 pontos). Vendas especulativas derrubaram os preços.
Tecnicamente, os contratos estão baixistas no curto prazo. Conforme análise gráfica da Newedge, abaixo de 111 cents o mercado pode testar o suporte a 110 cents e 108,60 cents. Em contrapartida, acima de 115,50 cents, os contratos encontram resistência a 117,50 cents e 120 cents.
Rodrigo Costa, observa, no entanto, que o mercado tem suporte nos fundamentos de oferta apertada em relação à demanda. Os diferenciais de preço entre os cafés da Colômbia/América Central e Nova York estão firmes. Já os cafés brasileiros são considerados baratos em relação à Nova York. Os preços dos cafés das origens devem se ajustar, mas tudo vai depender do câmbio, que é influenciado pelo ambiente macroeconômico de incertezas.
Mercado Físico
A semana passada foi fraca de negócios no mercado físico de café por causa do feriado de carnaval. Os corretores voltaram lentamente ao trabalho, só na tarde de quarta-feira de Cinzas. Algumas exportadoras nem levantaram as portas. Vendedores negociaram apenas alguns lotes, insatisfeitos com os preços.
Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançado em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam que a expectativa de agentes do setor é de que os negócios comecem a ganhar força a partir desta segunda-feira, com o início de uma nova semana e mês.
A moeda norte-americana fechou na sexta-feira a R$ 2,37, alta de 1,15% sobre o dia anterior e atingiu R$ 2,44 nesta segunda-feira, 02, a maior cotação desde dezembro do ano passado, no auge da crise. Segundo o Cepea, compradores com maior interesse em negociar ofereceram por volta de R$ 260,00 a saca de 60 kg pelo arábica tipo 6. Vendedores, no entanto, resistiam a preços inferiores a R$ 270,00 a saca para os lotes mais finos, dificultando o fechamento de negócios.
O Indicador de preço do Cepea para o café arábica, tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média de R$ 265,25 a saca na sexta-feira, em queda de 0,24% em relação ao dia anterior. O valor à vista em reais do indicador do café conilon calculado pela Esalq ficou em R$ 219,39 a saca, menos 1,02%. Em dólar, o valor ficou em US$ 92,53 a saca, menos 2,15%. A prazo, a cotação ficou em R$ 219,57 a saca, menos 1,02%.
Na BM&F, os contratos futuros de café arábica encerraram em baixa na Sexta-feira. Março/09 caiu US$ 2,00, a US$ 117,50 a saca (alta de US$ 0,50 na semana). Já setembro/09 recuou US$ 1,90, a US$ 131,10 a saca, acumulando alta de US$ 0,45 na semana. As informações são da Agência Estado, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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CAMPO BELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 04/03/2009
As nossas cooperativas, que deveriam dar suporte aos produtores são representantes comerciais dos produtores de insumos para lavoura, comissionadas a cada venda de adubo, defensivos, herbicidas, etc.
Na corrida por alcançar maior produtividade ou ganhos financeiros o produtor comprou insumos caros e na hora de vender não consegue o preço que cubra os custos de produção. Com certeza todos estão descapitalizados.
Melhor para o mercado comprador que vai comprar barato. Pior para o mercado produtor que investiu em produtividade e vai vender abaixo do custo. Salve-se quem puder.

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO
EM 03/03/2009
A crise cafeeira está acabando de roer o osso do cafeicultor, e este não tem mais saída ou uma muleta para se sustentar a partir desta safra. A próxima safra quem sabe o que vai acontecer? Ou será que vai sobrar forças para o cafeicultor ainda produzir o necessário para pagar as contas, investir nas lavouras e ainda sobrar um pouco de dinheiro para manter sua familia e sua propriedade?
Em 14 anos de cafeicultura, desde 1994, vimos que o salário mínimo subiu 515,8%, o adubo 20-05-20 subiu 566,7%, o trator cafeeiro subiu 316,7%, o óleo diesel teve um aumento de 503,1%, o santo remédio calcário subiu 466,7%, e daí vemos que o nosso produto de troca que é o grão de café arabica, na forma da saca de 60 quilos desde 1994, teve um aumento de preço de 23,2%. Sim, segundo dados levantados pelo CNC, apresentados em Brasilia para os representantes de Ministérios, tivemos um aumento de 23,2%, enquanto outros produtos diretamente ligados aos consumos dos produtores, subiram mais de 500%.
Como pode um cafeicultor sobreviver ou manter sua familia, que é seu bem mais sagrado, sua propriedade, na maioria das vezes passadas de geração a geração?
Onde estão os políticos e autoridades governamentais, ou até mesmo o Presidente da República, para resolver de vez essa situação da cafeicultura? Há necessidade urgente de recebermos um apoio e incentivos, para que o produtor possa seguir adiante e planejar seu futuro. Futuro este que este ninguém sabe se vai existir.
O nosso grão de café precisa ser mais valorizado. Já está provado que o preço da saca de café não cobre os custos de produção. Tudo atualmente vai ao contrário do produtor de café, que está perdendo o seu fôlego, e isto vai significar demissões, baixa produção, inadimplência, hipotecas de propriedades, arrendamento de propriedades para outras atividades agrícolas, e com certeza, o fim de muitos produtores de café com décadas de tradição neste ramo.