Crise do café pauta discursos na abertura da Superagro

A falta de políticas públicas para o café e de uma legislação mais consolidada para a questão indígena em Minas Gerais foram destaque nos discursos durante a solenidade de abertura da Superagro Minas 2013, realizada nesta quinta-feira (06/06), em Belo Horizonte-MG. Governador Anastasia voltou a cobrar o preço mínimo do café em R$ 340.

Publicado por: CaféPoint

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A falta de políticas públicas para o café e de uma legislação mais consolidada para a questão indígena em Minas Gerais foram destaque nos discursos durante a solenidade de abertura da Superagro Minas 2013, realizada na manhã desta quinta-feira (6/6), em Belo Horizonte.

Ao falar do bom desempenho e crescimento contínuo do agronegócio mineiro, o presidente da FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), Roberto Simões, lembrou que há também sérios problemas que ainda precisam ser vencidos. Dentre eles, destacou a atual crise do café: “A cafeicultura passa por um momento crítico. Se não contornarmos esse problema, corremos o risco de perder uma das maiores forças da renda agrícola de nosso estado e de todo o país”.

Simões lembrou ainda a forte concorrência com os cafés asiáticos, de baixa qualidade, e que a cada dia têm sido mais utilizados pelos traders internacionais para o blending. “Estamos caminhando para uma situação que coloca em xeque a nossa cafeicultura, de altíssima qualidade. Um quadro especialmente difícil para a cafeicultura de montanha de Minas, que tem custos mais elevados. É urgente e imprescindível que haja um tratamento especial”.

Em seu discurso, o governador Antônio Anastasia disse compartilhar das palavras do presidente da FAEMG e reconheceu que uma parcela dos entraves ao desenvolvimento do agronegócio é causada pelo próprio poder público. “Muitas pedras pelo caminho não tem nada a ver com a produção. Não são trazidas por uma tempestade, uma praga ou a falta de água, mas por nossa própria ação. São ações da burocracia, dos equívocos públicos em todas as suas esferas que acabam atrapalhando muito o exercício da produção agropecuária. Este é um mea culpa que deve ser feito em todas as instâncias, e precisamos deixar a agropecuária trabalhar”.

Anastasia lembrou toda a campanha movida pela FAEMG, a CNA e o Governo Estadual nos últimos meses pela revisão do preço mínimo do café e o desfecho de um novo preço abaixo do pleiteado. “O cálculo da própria Conab apontava para um custo de produção da ordem de 336 reais e infelizmente obtivemos um preço mínimo inferior, de apenas 307. Hoje o preço praticado está muito baixo, abaixo de 300 reais, valor que não sustenta a produção. Mas não vamos perder as esperanças. Vamos continuar solicitando essa revisão e defendendo um valor que garanta a retribuição justa ao produtor de café em nosso estado. Do contrário, teremos grandes dificuldades. A falta de um valor condizente para o café sacrifica muito a economia não só de Minas, mas do Brasil”.

Questão indígena

Outro ponto levantado durante o evento pelo presidente da FAEMG, Roberto Simões, foi a necessidade de um olhar cuidadoso do Estado para a questão indígena em Minas. “Continuamos com aquela tradicional insegurança jurídica que dificulta decisões de investimento no setor. Esta é uma questão que precisa ser considerada com seriedade para evitar que cheguemos um dia ao ponto em que chegou o Mato Grosso do Sul, onde a força armada nacional tenta conter os conflitos”. Simões lembrou que nas regiões de Pompéu e Martinho Campos há casos em que as terras que estão na família há várias gerações, com toda a documentação legal, de repente passam a ser reclamadas como terras indígenas, com relatórios de antropólogos, mesmo que não haja nenhum relato ou vestígio que comprove a existência desta presença em um passado remoto.

As informações são da Faemg.
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