Crise do café deixa 140 mil desempregados em El Salvador
A baixa na produção de café para a colheita de 2013-14, atribuída em grande medida à ferrugem, gerou uma perda de 140 mil empregos no campo, segundo estimativas da Associação Salvadorenha de Beneficiadores e Exportadores de Café (ABECAFE).
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“Uma estimativa aproximada fala de 140 mil empregos perdidos. É um problema bem sério que repercutirá não somente na parte econômica, mas também na parte social, porque se há menos produção de café, há menos trabalho”, disse o diretor executivo da ABECAFE, Marcelino Samayoa.
Nessa semana, o Conselho Salvadorenho de Café (CSC) baixou de novo as projeções de produção de café da atual safra para 554,3 mil sacas de 60 quilos. A estimativa anterior era de 690 mil sacas, segundo a entidade.
Em outubro de 2013, quando a colheita da atual safra estava por iniciar, a CSC estimou uma perda de 40 mil empregos temporários nos trabalhos de corte do grão. Nessa ocasião, a entidade disse que seriam criados 75 mil empregos temporários.
A isso, Samayoa disse que precisa agregar 100 mil empregos que não serão gerados pelas atividades relacionadas com produção de café, entre essas, a poda do café, a poda de sombra, controle de ferrugem e fertilização.
“Quarenta mil são os empregos de corte que se perderam, outros 100 mil adicionais são a falta de trabalho que haverá nas fazendas, porque não há dinheiro suficiente para trabalhar nas fazendas”.
O presidente da cooperativa Siglo XXI, Víctor Mencía, localizada em Comasagua, departamento de La Libertad, disse que a contratação de pessoas para o corte na fazenda baixou para metade.
“Perderam-se mais de 101 mil empregos e outra coisa mais triste é que agora mesmo deveriam estar contratando pessoas para poder o café, mas ninguém está podando café, porque nenhum banco está dando créditos e os cafeicultores não têm dinheiro para realizar esses trabalhos agrícolas”.
Esse produtor considera que a baixa produção afetará a todo o comércio, às famílias, aos negócios, às pequenas lojas e a toda a cadeia que está relacionada com o comércio de café. Mencía disse que quando em sua cooperativa buscam pessoas para trabalhar, chega o triplo das que precisam pela falta de trabalho.
Devido a presente safra de café ter gerado menos empregos, também se reduziu o pagamento dos salários, especificamente no que se refere ao corte, disse Samayoa, que estimou que US$ 30 milhões não circularão esse ano.
“O problema social do trabalho no campo é tremendo. E não quero falar dos efeitos ecológicos, o manto coletor de água principal do país que é o bosque de café”.
A reportagem é do http://www.prensalibre.com, adaptada pelo CaféPoint
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