Crise: Brasil pede para OMC examinar falta de crédito

O Brasil reclama que exportadores de países em desenvolvimento que buscam financiamento para exportação se encontram "na estranha situação" de estarem entre os que têm melhor capacidade creditícia, e portanto menos riscos, mas "incapazes" de ter acesso a crédito num cenário com percepção de alto risco. Isso provoca exigências "mais severas" por parte dos bancos ou simplesmente a resposta de que os "fundos não são mais disponíveis".

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O Brasil decidiu acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para examinar o impacto da crise financeira internacional e buscar alternativas à atual retração de financiamento para os exportadores. A iniciativa brasileira é sem precedentes e ocorre em meio à constatação de que os grandes bancos internacionais enxugaram o crédito de curto prazo para as exportações, apesar de os países em desenvolvimento estarem entre os melhores pagadores.

O país sugere que a entidade inicie contatos inclusive com os bancos privados, a fim de avaliar o "real impacto do aperto de crédito sobre o financiamento ao comércio e ver alternativas para mitigar o problema". "Essa crise financeira é provocada pelos países industrializados, mas tem impacto nos países em desenvolvimento, em particular no comércio e essa discussão precisa ser feita", afirmou o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo.

O Brasil procura chamar a atenção para uma situação paradoxal, já que um estudo da própria OMC mostra que o financiamento ao comércio é um dos modos mais seguros de crédito devido à sua curta maturidade e existência de garantia física (os produtos), por exemplo. Só que, com o aperto de crédito global, houve uma "retirada do fornecimento de crédito de curto prazo pelos grandes bancos internacionais", pois as instituições preferem emprestar para o longo prazo, com rendimento aparentemente mais garantido.

O Brasil reclama que exportadores de países em desenvolvimento que buscam financiamento para exportação se encontram "na estranha situação" de estarem entre os que têm melhor capacidade creditícia, e portanto menos riscos, mas "incapazes" de ter acesso a crédito num cenário com percepção de alto risco. Isso provoca exigências "mais severas" por parte dos bancos ou simplesmente a resposta de que os "fundos não são mais disponíveis".

A delegação brasileira quer que a OMC examine a crise de aperto de crédito e pede também para a entidade examinar a dimensão do "novo ciclo de endividamento" de países em desenvolvimento, especialmente de importadores líquidos de alimentos e de petróleo. Para o Brasil, a OMC precisa estudar como isso terá impacto no comércio regional e global. A matéria, de Assis Moreira, foi publicada no Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe AgriPoint.
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