A descida dos preços internacionais do café foi mantida no mês de maio, com o fundo do poço ainda sendo testado, e as cotações atingiram no período os patamares mais baixos desde 2009. Os fatores não se alteraram muito, segue a pressão com a entrada de uma grande safra brasileira em 2013, apesar do ciclo baixo produtivo dentro da bienalidade cafeeira. E, agora, a colheita já está em andamento, pesando sobre o mercado.
Os aspectos baixistas continuam muito claros na Bolsa de Nova York, que baliza as cotações internacionais do arábica. O Brasil está já colhendo uma das maiores safras de ciclo baixo produtivo, se não a maior. E ainda detém uma parcela significativa da produção de 2012 a negociar.
“O avanço da colheita brasileira e por consequência da oferta de café eleva ainda mais o produto disponível no mercado, jogando os preços da bebida ainda mais para baixo”, observa o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach. Além disso, o aumento da oferta da Colômbia nos últimos meses, sinalizando uma resposta produtiva aos investimentos feitos nos últimos anos e que ainda poderá trazer resultados melhores no próximo ciclo comercial, também ajuda a criar um ambiente favorável a quem compra a bebida, avalia o analista.
Assim, há uma tranquilidade para os compradores quanto à oferta, apesar dos problemas com a 'roya', ou ferrugem, que prejudica muito os produtores de arábica lavado de alta qualidade da América Central. A demanda segue cautelosa e com aquisições parcimoniosas. A economia europeia e americana com dificuldades limita investimentos e financiamentos, o que reforça a necessidade dessa postura. Afora isso, enquanto no Brasil os termômetros marcam temperaturas mais baixas, no Hemisfério Norte o verão se aproxima e se consome menos café nessa época.
Para Barabach, a linha de 120 centavos na ICE ficou mais próxima e já começa a ser ameaçada. O seu rompimento sedimentaria um novo degrau na trajetória negativa que domina o mercado desde o principio de 2012. No início dessa semana, o café foi negociado ao nível mais baixo desde setembro de 2009, fixando, com isso, nova mínima de 126,45 centavos para o vencimento Julho de 2013.
Completando os aspectos negativos, soa mal no mercado o fato de que o governo brasileiro definiu um preço mínimo para o café arábica mas não tomou outras medidas, como o lançamento de operações de opções ou do Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor).
No balanço mensal, o contrato julho do café arábica na Bolsa de Nova York caiu de 135,10 centavos de dólar por libra-peso (cotação de fechamento de 30 de abril) para 125,85 cents/lb no fechamento do dia 30/05, o que representa queda acumulada de 6,8% em maio. Na Bolsa de Londres, o café robusta teve o contrato julho recuando no mesmo período de US$ 2.007 para US$ 1.884 a tonelada, baixa de 6,1%.
No mercado físico brasileiro de café, o alívio para a formação dos preços veio do dólar. Do contrário, a situação seria ainda pior para os cafeicultores. O dólar comercial subiu em maio (até o dia 29) 5,6%, passando de R$ 2,001 para R$ 2,114.
No sul de Minas Gerais, o café arábica bebida dura recuou de R$ 297,00 a saca (fim de abril) para R$ 287,00 (29/05), queda de 3,4%. Já o conillon ficou mais equilibrado, com a cotação caindo no comparativo 0,8%, de R$ 247,00 para R$ 245,00 a saca.
A matéria é de Safras & Mercado, adaptada pelo CaféPoint.
Cotações em maio caem aos níveis mais baixos desde 2009
A descida dos preços internacionais do café foi mantida no mês de maio, com o fundo do poço ainda sendo testado, e as cotações atingiram no período os patamares mais baixos desde 2009. Agora, a colheita está em andamento, pesando sobre o mercado.
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