Cotações do café caem abaixo de US$1,20 a libra em NY

Os preços do café seguiram ladeira abaixo no mercado internacional na semana passada. As cotações do café arábica caíram abaixo de US$1,20/lb pela primeira vez em quatro anos na Bolsa de NY, enquanto os produtores no Brasil tentam resistir à venda e tem na alta do dólar o único fator que impede tombos ainda maiores.

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Os preços do café seguiram ladeira abaixo no mercado internacional na semana passada. As cotações caíram abaixo de US$1,20/lb pela primeira vez em quatro anos na Bolsa de Nova York no arábica, enquanto os produtores no Brasil tentam resistir à venda e tem na alta do dólar o único fator que impede tombos ainda maiores.

A chegada da safra brasileira continua sendo o aspecto baixista do momento no lado fundamental, com o clima sendo em geral favorável à colheita e as estimativas recentes confirmando que a produção deverá ser muito boa para um ano de ciclo baixo produtivo dentro da bienalidade cafeeira. Os compradores internacionais, por sua vez, seguem com estoques relativamente curtos e comprando da mão-para-boca. Chegou o verão no Hemisfério Norte, quando se consomem menos bebidas quentes, e isso não ajuda na sustentação dos preços.

Para completar, a semana foi bem negativa na macroeconomia. Afirmações do presidente do Federal Reserve, o banco central americano, Ben Bernanke trouxeram temores quanto ao futuro da economia do país. O dólar subiu contra outras moedas, o que é fator de pressão de baixa nas commodities nas bolsas de futuros. E a moeda americana avançou muito contra o real, o que lá fora sugere ainda maior competitividade e fluxo de vendas externas do Brasil, sendo ponto extremamente negativo para as cotações do arábica em Nova York.

Na semana, enfim, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a distribuição de recursos do Funcafé para a temporada no Brasil. O governo planeja com os financiamentos “reter” na mão dos produtores cerca de 10 milhões de sacas. A notícia teve repercussão em NY, garantiu algum suporte na semana, mas não impediu as perdas.

No balanço semanal, o contrato setembro do café arábica na Bolsa de Nova York caiu de 123,80 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira da outra semana (14/06) para 118,70 cents nesta sexta-feira (20/06), acumulando desvalorização de 4,2%.

Na Bolsa de Londres, o café robusta teve melhor sustentação que o arábica em NY, diante do sentimento de que os produtores vietnamitas já venderam quase todos seus estoques e agora estão com vendas limitadas. Ainda assim, o contrato setembro do robusta na bolsa recuou 1,6% no acumulado da semana até a quinta-feira.

No mercado físico brasileiro de café, o alívio para a formação dos preços continuou vindo do dólar. A moeda dos EUA seguiu disparando e passou de R$ 2,148 para R$ 2,258 na semana, alta de 5,1% até a quinta-feira.

Ainda assim, no sul de Minas Gerais, o café arábica bebida dura recuou de R$ 285,00 a saca (14/06) para R$ 270,00 (20/06), queda de 5,3%. Já o conillon ficou mais equilibrado, com a cotação caindo no comparativo apenas de R$ 238,00 para R$ 237,00 a saca. 

A matéria é de Safras & Mercado, adaptada pelo CaféPoint.
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