Costa Rica: mudanças climáticas ampliam área de café

Na Costa Rica, os aumentos na temperatura podem ajudar a transformar terras montanhosas que são muito frias para o cultivo do café em território adequado para o cultivo do grão. O café arábica, mais valorizado e de melhor qualidade, é cultivado em áreas de grandes altitudes, de forma que essa mudança pode significar mais oportunidades para o país que já é conhecido pela qualidade de seu café.

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Os cafeicultores da Costa Rica estão enfrentando as ameaças das mudanças climáticas, mas as maiores temperaturas também estão expandindo as regiões de alta altitude, onde são cultivados os melhores grãos do país.

As emissões humanas de gases estufa poderão levar a aumentos na temperatura da superfície da Terra entre 1ºC a 6ºC nos próximos 100 anos, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), forçando os agricultores a se adaptarem às novas condições climáticas.

Na Costa Rica, os aumentos na temperatura podem ajudar a transformar terras montanhosas que são muito frias para o cultivo do café em território adequado para o cultivo do grão. O café arábica, mais valorizado e de melhor qualidade, é cultivado em áreas de grandes altitudes, de forma que essa mudança pode significar mais oportunidades para o país que já é conhecido pela qualidade de seu café.

"Agora podemos plantar a 2000 metros. Não conseguíamos antes", disse o agrônomo da cooperativa de café Coopedota, Daniel Urena. Ele disse que antes os cafezais não sobreviviam em altitudes de mais de 1800 metros.

No entanto, embora os cafeicultores das regiões montanhosas da Costa Rica possam ser capazes de se desenvolver em novas áreas, a mudança climática poderá destruir áreas de cultivo de café com secas fora de época, picos de frio e mais dificuldades no cultivo de café em altitudes menores. Um recente estudo da ONU mostrou que em Uganda, um aumento de somente 2ºC reduziria drasticamente a área adequada para o cultivo do café (veja artigo relacionado).

Os ventos fortes inesperados que afetaram a produção na Guatemala e a severa seca que afetou o Brasil no ano passado são outros exemplos de como a mudança climática pode prejudicar as colheitas e reduzir o rendimento, disse o presidente do centro de pesquisa do Instituto de Café da Costa Rica, Jorge Ramirez.

Ele disse que os cafeicultores podem tomar medidas para mitigar os efeitos da mudança climática plantando mais árvores de sombra nos cafezais para proteger os grãos das chuvas mais fortes que o comum ou criar quebra-ventos protetores ao redor das fazendas com árvores de rápido crescimento. A reportagem é da Reuters.
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