A Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do Brasil e principal exportadora nacional de café, anunciou que vai rejeitar grãos que apresentarem problemas de qualidade causados pelo excesso de umidade, em comunicado aos seus produtores associados nesta terça-feira (29), informa a Reuters. A medida reforça as preocupações no mercado sobre possíveis problemas de qualidade na safra brasileira de 2026, devido à maior umidade causada pelo fenômeno climático El Niño.
A cooperativa informou ainda à agência que não aceitará entregas de café que apresentem micotoxinas — substâncias químicas produzidas naturalmente por certos fungos, que podem contaminar grãos e alimentos — ou café que tenha ficado exposto à umidade por muito tempo.
Este ano, os cafeicultores brasileiros enfrentaram chuvas acima da média. Grande quantidade de café caiu das árvores e teve que ser varrida do chão. Além disso, grãos que haviam sido coletados e colocados para secar nos pátios das fazendas também foram atingidos pelas chuvas.
"Acho que eles estão tentando evitar receber café que caiu no chão por causa das chuvas e ficou lá por um tempo até ser recolhido", disse à agência um corretor de café brasileiro. Em contato com o solo úmido por um período prolongado, o grão pode adquirir gosto ruim e corre o risco de ser rejeitado por importadores, explicou.
Com sede no Sul de Minas, a Cooxupé, que atua também nas regiões do Cerrado Mineiro, Matas de Minas e Média Mogiana paulista, conta com cerca de 20 mil cafeicultores associados, que entregam toda ou boa parte de sua produção anual à cooperativa para armazenagem e revenda.
Em comentários adicionais à Reuters, a cooperativa afirmou que o café contaminado por micotoxinas é impróprio para consumo, de acordo com a legislação brasileira, e não deve entrar em seu sistema de processamento nem na cadeia alimentar. A Cooxupé informou também que, com exceção dos grãos com esse problema específico, continuará a receber todos os tipos de café dos produtores.