Cooperativas e tradings buscam reestruturar atividades
A crise financeira mundial deixou marcas profundas em agroindústrias e cooperativas agropecuárias do país. O sumiço do capital de giro, no auge do aperto do crédito, provocou o adiamento de investimentos e a instabilidade global fez crescer o endividamento. As cooperativas, que tinham planos de investir R$ 12 bilhões em 2008, decidiram empurrar quase todos os projetos para 2010. "O investimento parou. Ninguém está investindo e a retomada não vai ocorrer neste ano", diz o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas.
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As tradings, que já enfrentavam problemas de caixa antes mesmo da crise global, tiveram que carregar altos estoques comprados a preços altos, viram suas dívidas aumentar e travaram algumas operações por falta de crédito. "O aumento das dívidas inviabilizou algumas operações", diz o presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Carlo Lovatelli.
Os efeitos da crise já são concretos. Algumas cooperativas ficaram pelo caminho e empresas agrícolas derraparam no aperto global. A multinacional Agrenco e as mato-grossenses Viana Trading e Grupo Guimarães entraram em recuperação judicial. A paranaense Sperafico arrendou e vendeu unidades.
No cooperativismo, a crise abriu espaço para fusões e parcerias. A mineira Cooxupé, a paulista Cocapec e a gaúcha Cooplantio incorporaram algumas concorrentes em suas áreas de atuação. No norte do Paraná, três cooperativas de crédito associaram-se na Sicredi União. Mas o aperto no crédito foi fatal para a Cooagri, de Dourados (MS). Segunda maior sociedade do Centro-Oeste, o grupo sucumbiu em definitivo após meses de agonia financeira.
Maléfica por si só, a crise econômica coincidiu ainda com uma severa estiagem no Sul do país e em Mato Grosso do Sul, em plena fase de desenvolvimento das lavouras na safra 2008/09.
De outro lado, a crise fortaleceu o trabalho das centrais e dos consórcios cooperativos, como Itambé, Frimesa, Conagro e CCAB. "A crise do crédito não afetou, mas derrubou o mercado internacional com piora de preços e câmbio, o que nos obrigou a realocar a produção", diz o diretor de Relações Institucionais da Itambé, Ricardo Cotta.
Mesmo com o cenário negativo, garantia de entrega e qualidade do produto salvaram parte das vendas no exterior. As cooperativas, responsáveis por 40% do PIB agropecuário, devem manter o faturamento na faixa dos R$ 85 bilhões e as exportações em US$ 4 bilhões em 2009. O aquecimento do mercado interno, os bons preços externos e agregação de valor serão fundamentais. "No início de 2009, quem chegasse a dezembro estava feliz. Agora, já dá para chegar com algum fôlego até lá", diz Márcio Lopes, da OCB.
Na crise, o papel do governo ajudou na travessia do momento mais agudo. Foram criadas linhas de crédito de R$ 15 bilhões exclusivas para as cooperativas, além de reserva de mercado para atender demanda da merenda escolar, mercado estimado em R$ 600 milhões neste ano. As agroindústrias afirmam que a reação em cadeia foi menor por causa dessa intervenção oficial. Os preços reagiram pela quebra da safra argentina e houve redução de estoques mundiais.
A matéria é de Mauro Zanatta e Patrick Cruz, publicada no jornal Valor Econômico, adaptada e resumida pela Equipe AgriPoint.
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LEOPOLDINA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 19/08/2009
Nós produtores rurais de leite, perdemos o que é de mais importante no nosso setor que poderia servir de balizamento do preço do litro de leite que era formado pelas cooperativas de leite. Isso é o reflexo do desvirtuamento das cooperativas em termos do sentido a que se propuseram, a meu ver para voltarmos a ter força no setor devemos buscar junto as nossas lideranças no setor como FAEMG, CNA e nos Sindicatos Rurais de nossas cidades que promovam mudanças na lei do cooperativismo em vigor, que contemplem artigos que proíbam as reeleições de pelo menos 70% das diretorias, conselhos fiscais e de administração por mais de dois mandatos consecutivos, que as mesmas sejam objetos por exigência de lei de auditorias de 6 em 6 meses e que os achados dessas auditorias sejam publicados em jornais oficiais do estado a que pertençam cada cooperativa de leite.Hoje o que constatamos são cooperativas falidas, muitas por má gestão, fraudes, desvio de dinheiro, sonegação as que aí estão muitas delas servem de cabides de empregos,presidentes e diretores com salários de marajás, alugando caminhões seus para puxar leite junto aos produtores cooperados ou seja essas diretorias e presidências funcionam como cargos vitalícios e os nossos preços baixos bancando isso tudo e nada acontece. Quero aqui salientar que há exceções, porém a grande maioria se encontra nessa situação e isso sem sombra de dúvida reflete no preço do leite que nos pagam independente para quem forneçamos. O importante disso tudo é que precisamos nos unir e reivindicar essas mudanças pois o que tem de cooperativas que faliu ou está prestes a falir pelo menos na nossa região da Zona da Mata Mineira é o diagnóstico de uma situação que persiste há longos anos e já não suportamos mais. Queremos sim um sistema de cooperativas de leite forte, transparente, ético eficiente eficaz, porém com um sistema rígido de controle externo e para tal precisamos implementar mudanças na legislação que rege a matéria em vigor. Não tenham dúvida se isso ocorrer o reflexo será imediato para nós produtores rurais de leite que estamos sendo literalmente explorados pelos laticínios,cooperativas de leite e empresas que atuam no setor. Prova disso é que muitas cooperativas de leite, como mencionei acima, faliram, estão fechadas e ao contrário da iniciativa privada, através dos laticínios, empresas multinacionais e nacionais, só fazem ampliar. Será o que é que está errado no nosso setor? Contra fatos comprovados não há o que contestar e essa é a mais pura realidade.
(*) Produtor rural de leite-Vila São Martinho- Distrito de Providência- Município de Leopoldina-MG