Cooperativas do sul de MG alertam para perda de qualidade do café
A Cooxupé recebeu, desde meados de maio, 35% do recebimento previsto para este ano. Do montante, 35% se enquadra como café fino, de bebida dura para melhor, 45% apresenta bebida dura/riada e 20% corresponde a bebida rio. Somados, os dois últimos, com a bebida afetada, representam 65% do café recebido até agora pela cooperativa, um número muito elevado para os padrões recentes.
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Na Cooparaiso, com base no recebimento de café dos cooperados até o momento, os grãos com peneira 17 acima - grãos de bom padrão para o mercado - que somavam 22% no início da safra, encontram-se em 30% atualmente. Apesar da melhora, o percentual ainda é considerado aquém do ideal. A situação é parecida com os números apresentados pela Cooxupé: 22% de peneira 17 acima no início do recebimento e 27% hoje. Para efeito de comparação, a média do café com peneira 17 acima recebido pela Cooxupé em 2012 ficou em 35%. No caso da catação, caiu de 27% para 20% na Cooparaiso, o que é positivo.
De acordo com o Gerente de Classificação de Café da Cooparaiso, Daniel Pereira, os lotes recebidos dos municípios de Itamogi, Monte Santo de Minas, São Tomás de Aquino, Jacuí, Pratápolis, Passos, Bom Jesus da Penha, Piumhi e São Sebastião do Paraíso, apresentam uma renda média de 50%, considerada normal para a região. No entanto, em função das chuvas de junho e começo de julho, vem sendo observado um alto percentual de lotes com problemas de bebida, agravados pela ocorrência de rachaduras nos frutos maduros pelo excesso de umidade, que abrem portas para a entrada de microorganismos maléficos.
Na área de ação da Cooxupé, o coordenador de Classificação de Café da cooperativa, Luiz Evandro Ribeiro, demonstrou a mesma preocupação com a bebida. Ele informou que a cooperativa recebeu, desde meados do mês de maio, 35% do recebimento previsto para este ano. Do montante, 35% se enquadra como café fino, de bebida dura para melhor, 45% apresenta bebida dura/riada e 20% corresponde a bebida rio. Somados, os dois últimos, com a bebida afetada, representam 65% do café recebido até agora pela cooperativa, um número muito elevado para os padrões do café que a Cooxupé recebeu nos últimos anos.
Neste contexto, um fato que vem surpreendendo os classificadores da Cooxupé, que não havia ocorrido até então, é a perda de qualidade de bebida em lotes recebidos como cereja descascado (CD). “Com intuito de aumentar o volume de CD, alguns produtores de determinados municípios abrangidos pela Cooxupé estão descascando o café bóia e colocando junto para formar um lote maior do cereja”, informou Luiz Evandro. Ele complementou. “Como o café bóia está estragando no pé devido às chuvas, estão estourando xícaras durante a prova sensorial do CD”, explicou o coordenador. Ainda de acordo com Luiz Evandro, a situação observada no Cerrado Mineiro não difere muito da encontrada no sul do estado.
Grãos de tamanho inferior nesta safra estão sendo observados, inclusive, em lavouras que foram bem adubadas e bem manejadas. Portanto, a causa do problema está, certamente, relacionada às condições climáticas ocorridas do período que precedeu as floradas em diante. Quanto à bebida, a perda de qualidade deve-se à ocorrência de chuva durante a colheita e ao manejo do café no terreiro, sendo que a situação tende a agravar-se ainda mais, já que voltou a chover no sul de Minas.
As informações são do Polo de Excelência do Café.
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