A conversão orgânica em propriedade agrícolas foi um dos temas discutidos no Fórum Técnico Café Orgânico do CaféPoint dentro do tópico Manejo e Insumos Utilizados.
O leitor Fábio Lúcio Martins Neto, de Vitória da Conquista Bahia, é engenheiro agrônomo e atua na Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) como Técnico em Desenvolvimento Rural. Ele fez considerações sobre a conversão para agricultura orgânica que foram destacadas no artigo a seguir.
Segundo Fábio Neto, o processo de conversão na teoria é de 2 a 3 anos após a última aplicação de agroquímico mas, na prática, dependerá de uma série de fatores como: tipo, quantidade e intensidade de agroquímicos utilizados, práticas culturais adotadas entre outros fatores.
Ele acredita que a queda de produtividade na transição possa advir do fato dos adubos "químicos" serem muito solúveis e estarem sempre a disposição da planta, esta não expandiria tanto suas raízes e também não interagiria com a vida do solo.
Na agricultura biodinâmica, Rudolf Steiner afirma que adubar significa "vivificar o solo". Portanto, qualquer medida que "alimenta" a vida (microrganismos e pequenos animais) do solo, irá melhorar suas condições para a agricultura. A diminuição da produtividade ocorrerá sempre que a transição não for muito bem feita. Em sua propriedade, segundo disse, ocorreram perdas de 66% devido a essa mudança radical do tipo de adução.
"Acredito que o produtor deve mudar a percepção do que chamamos de conversão. Normalmente a temos como um obstáculo, mas poderemos modificar o ponto de vista sobre isto", ressalta Fábio.
De acordo com ele, a conversão é um período onde o cafeicultor se adaptará (lenta e gradualmente) ao novo modo de encarar a lavoura. Haverão mudanças não só nas práticas culturais, mas na forma de colheita, no processamento, na administração e, principalmente, na comercialização. Por isso se recomenda a conversão de 20 a 25% da área, quando dentro de 4 a 5 anos toda a propriedade estará transformada em "orgânica".
O custo de certificação, por sua vez, depende da quantidade de café produzida e da área cultivada, assim como da localização da propriedade. No caso de pequenos produtores e cafeicultores familiares organizados em cooperativas e/ou associações estes custos podem ser diminuídos de forma considerável, pois as certificadoras podem certificar por amostragem, desde que haja um sistema de controle interno da própria organização, o que adianta o trabalho do inspetor, comentou Fábio.
Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint.
Conversão orgânica: mudança de percepção
O processo de conversão na teoria é de 2 a 3 anos após a última aplicação de agroquímico mas, na prática, dependerá de uma série de fatores como: tipo, quantidade e intensidade de agroquímicos utilizados, práticas culturais adotadas entre outros fatores. "Acredito que o produtor deve mudar a percepção do que chamamos de conversão. Normalmente a temos como um obstáculo, mas poderemos modificar o ponto de vista sobre isto", ressalta Fábio Neto.
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