Grandes cafeicultores podem produzir cafés especiais com planejamento e um rigoroso controle de cada etapa produtiva. "Há um estigma de que os grandes não conseguem fornecer café gourmet. No Brasil, estamos fazendo isso com gerenciamento do campo ao comprador e uso de tecnologia de ponta", conta José Francisco Pereira, produtor de café há 37 anos na região de Sul de Minas.
Pereira, dirigente da empresa Monte Alegre que gerencia 2.050 hectares de café, informa que controle da produção envolve o uso de sementes certificadas, o preparo do grão (cerejas), processamento, transporte, granelização e entrega ao cliente.
Antes da granelização e entrega ao comprador, há ainda a classificação do café. A empresa dirigida pelo produtor dispõe de três provadores que atribuem notas aos grãos de acordo com o aroma, doçura, acidez, corpo e sabor do produto. Os cafés considerados de mais alta qualidade - especiais - são separados para atender as mercados onde há demanda por esse tipo de produto.
Hoje, a empresa familiar de Minas Gerais produz cerca de 80 mil sacas de 60 kg por ano. Em média, 35% desse total são cafés especiais exportados para Estados Unidos, Coreia, Japão, Itália, Suíça, Alemanha, Grécia, Inglaterra, Dinamarca, Noruega e China.
O produtor reforça que a sustentabilidade ambiental e social são também fundamentais para se manter e ampliar a penetração no mercado de café. O Brasil, informa Pereira, é exemplo de respeito aos recursos naturais. Ele detalha uma série de passos que são cumpridos para alcançar a certificação ambiental, como reciclagem da água usada, controle integrado de pragas e uso de variedades resistentes para reduzir a aplicação de agrotóxicos.
O profissionalismo também está permitindo que a maior cooperativa de café do mundo - a Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé) - acesse o mercado de cafés especiais. Segundo o presidente da entidade, Carlos Alberto Paulino da Costa, a cooperativa de 11,9 mil cafeicultores produz entre 150 a 200 mil sacas de cafés gourmet por ano. Para administrar a comercialização desse tipo de produto, a Cooxupé criou uma empresa específica.
A cooperativa também mantém classificadores. "Há produtores que produzem uma pequena quantidade de cafés especiais e nem sabem. Os provadores selecionam esses produtos com alto valor agregado", explica Costa. A Cooxupé atua nas regiões do Triângulo Mineiro, Sul de Minas Gerais e em dois municípios paulistas. Ao todo, são produzidas entre 4,5 milhões e 5 milhões de sacas de café. Os grãos são comercializados, principalmente, para Europa e Estados Unidos.
As informações são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Controle da produção permite que grandes lavouras obtenham cafés especiais
Grandes cafeicultores podem produzir cafés especiais com planejamento e um rigoroso controle de cada etapa produtiva. "Há um estigma de que os grandes não conseguem fornecer café gourmet. No Brasil, estamos fazendo isso com gerenciamento do campo ao comprador e uso de tecnologia de ponta", conta José Francisco Pereira, produtor de café há 37 anos na região de Sul de Minas.
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