O leitor Sérgio Moraes Gonçalves, de Caratinga, MG, comenta artigo "Construindo as próprias curvas de resposta", da seção "Solos e Nutrição" do CaféPoint. Leia a seguir.
Carta de Sérgio Moraes Gonçalves
A cada ano que passa, percebo que "chutamos" muito com relação a adubação do cafeeiro. Ao observar o sistema de adubação empregado pelas reflorestadoras chego à conclusão que precisamos, ainda, de muita pesquisa e senso crítico na nossa cafeicultura. Isso que você propôs no artigo é o que considero como a verdadeira agricultura de precisão.
Dentro do que você comentou para nitrogênio, o que pensa a respeito de alguns trabalhos da Embrapa sobre a utilização de altas doses de fósforo, onde se chegou até a 400Kg de P2O5? Conversando com um consultor do sul de minas, foi comentado que excelentes resultados foram obtidos. Vou montar alguns trabalhos aqui na região de Caratinga - MG variando doses de P, trabalhando com superfosfato simples e termofosfato. Quais sugestões você daria?
Resposta de André Guarçoni M.
Tenho ouvido falar dos trabalhos de pesquisa que têm mostrado resposta para altas dosagens de fósforo. Ainda não li nenhum artigo completo, especificando o tipo de solo, a capacidade de adsorção desse solo e a forma de aplicação do adubo fosfatado.
Os pesquisadores que encontraram esses resultados são muito respeitáveis. Portanto, não há porque colocá-los em dúvida. Parece-me, inclusive, que os experimentos foram conduzidos em solo de cerrado, provavelmente com baixíssimo teor de P e elevadíssima capacidade de adsorção desse nutriente. Não sei como foram desenvolvidos os tratamentos, mas aplicação de adubo fosfatado solúvel, em área total ou em faixas largas, em cobertura, num solo como esse, poderia levar a respostas dessa magnitude. Pode ser, também, que estejamos utilizando doses insuficientes para alcançar produções realmente elevadas. Espero, como todos, o artigo publicado em revista científica para tomar posição.
Quanto aos trabalhos que você deseja montar, acho plausível que teste maiores doses de P2O5, visando confirmar os resultados relatados. Mas não se esqueça de definir bem as doses intermediárias, pois nessas doses deve ocorrer o ponto de máxima resposta.
Penso que não deva utilizar o superfosfato simples, que é também fonte de enxofre, e não há como separar o efeito dos dois nutrientes. Você pode até utilizá-lo, mas deve balancear as doses de enxofre nos tratamentos que o receberam em quantidades diferentes. É melhor utilizar o superfosfato triplo. A resposta encontrada para o superfosfato triplo (dose de P2O5) pode ser extrapolada para o superfosfato simples, pois esse dois fertilizantes têm, praticamente, a mesma dinâmica no solo.
O termofosfato contém elevado percentual de magnésio? Se sim, você deve balancear as quantidades de magnésio aplicadas, ou, no mínimo, aplicar uma dose elevada de magnésio para todos os tratamentos. Se você não fizer isso, e o solo apresentar baixos teores de magnésio, o termofosfato será imbatível, sendo que esta resposta não terá qualquer ligação com sua capacidade de fornecer fósforo às plantas, muito pelo contrário.
Agradeço o questionamento e felicito-o pela visão aprofundada da situação.
Qualquer dúvida volte a escrever para o CaféPoint.
Acesse a carta aqui.
Rodrigo Cascalles, equipe CaféPoint
Controle da adubação na cafeicultura
A cada ano que passa, percebo que "chutamos" muito com relação a adubação do cafeeiro. Ao observar o sistema de adubação empregado pelas reflorestadoras chego à conclusão que precisamos, ainda, de muita pesquisa e senso crítico na nossa cafeicultura. O que foi proposto no artigo "Construindo as próprias curvas de resposta", da seção Solos e Nutrição é o que considero como a verdadeira agricultura de precisão.
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