Contratos futuros de café em Nova York estão sem forças para avançar

Os contratos futuros de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) continuam com dificuldades para se recuperar. Apesar do ambiente externo positivo, o mercado do grão patinou ontem, dia 26, sem força para romper níveis de resistência.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Os contratos futuros de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) continuam com dificuldades para se recuperar. Apesar do ambiente externo positivo, o mercado do grão patinou ontem, dia 26, sem força para romper níveis de resistência.

Entre outras notícias, o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, anunciou na quarta-feira (25) uma política de meta de inflação de 2% ao ano no longo prazo e indicou que os juros básicos nos EUA devem ficar baixos até o fim de 2014, entre zero e 0,25%.

O resultado foi a queda do dólar em todo o mundo. As principais bolsas internacionais trabalharam em alta ontem, assim como boa parte das commodities, com investidores à procura de ativos mais rentáveis. O índice CRB, distante do pico do dia, subia 0,3% no meio da tarde.

Com o ambiente macroeconômico favorável, os futuros de café em Nova York operavam em alta, "mas sem encontrar força de compra para superar a resistência de 222 cents", informou a corretor Natália Fernandes, da Hencorp Commcor. "Os contratos, então, seguem pressionados", acrescentou.

Segundo ela, o mercado parece não estar confiante na alta do café, "na expectativa de que entre uma grande safra brasileira, que pressione mais as cotações", comentou. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção nacional de café da safra 2012 em recorde de 48,97 milhões e 52,27 milhões de sacas.

Conforme corretor da Newedge, a maioria dos comerciais provavelmente está à margem do mercado, a menos que as cotações tenham uma oscilação mais acentuada em qualquer direção. Mas não há novidades nos fundamentos.

Com o enfraquecimento do dólar, os contratos de café trabalharam em alta ao longo de toda a sessão. O vencimento para março acabou fechando com elevação de 250 pontos ou 1,15%, cotados a 219,70 cents por libra-peso. A máxima chegou a marcar 221,50 cents (mais 430 pontos). A mínima foi de 217,25 cents (5 pontos acima do fechamento anterior).

Os contratos futuros de arábica na BM&FBovespa voltaram a ser cotados ontem, depois do feriado de aniversário da cidade de São Paulo, comemorado na quarta-feira. Os contratos trabalhavam em queda no meio da tarde. "Acredito que a BM&FBovespa esteja trabalhando em baixa em virtude das chuvas que estão caindo sobre as regiões produtoras de café, como Minas, São Paulo e Espírito Santo", afirmou Natália. "As chuvas nessa época do ano são bem-vindas, favorecendo o enchimento de grãos", concluiu.

O relatório da Commodity Futures Trading Comission (CFTC), referente à semana encerrada no dia 24 de janeiro, será divulgado hoje à tarde. No levantamento anterior, os fundos de investimento estavam carregando saldo líquido vendido de 1.361 lotes, considerando futuros e opções.

Evolução das cotações dos futuros da ICE e na LIFE
Figura 1

Fontes: ICE, Liffe e Agência Estado

O mercado físico de café deve encerrar semana com pouco volume de negócios. A pressão sobre os contratos futuros na Bolsa de Nova York e o dólar enfraquecido contribuíram para afastar vendedores. Além disso, os feriados em São Paulo e Santos (SP), quarta e ontem, respectivamente, ajudaram a reduzir a liquidez. O comentário no sul de Minas é que café tipo 6, com 15% de catação, está cotado a R$ 500 a saca. O comprador, no entanto, sugere valores baixo de R$ 500 a saca.

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam que os preços do robusta têm recuado. Segundo apurou o Cepea, a oferta tem sido ligeiramente mais elevada nos últimos dias, ao passo que a procura não está muito aquecida. Além disso, alguns compradores conseguiram adquirir o grão a preço abaixo dos verificados em semanas anteriores, o que acabou pressionando o mercado.

Quanto ao arábica, o feriado de ontem na cidade - importante praça negociadora de café no País - deixou o mercado físico brasileiro bastante lento. O indicador Cepea/Esalq tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechou a R$ 479,82/saca de 60 kg, recuo de 0,4% em relação ao dia anterior. A moeda norte-americana fechou a R$ 1,742, queda de 1% no dia.

Evolução dos preços no mercado físico e na BM&F
Figura 2

Fontes: Cepea-Esalq/BM&F e Agência Estado


A reportagem é de Tomas Okuda da Agência Estado, adaptada pela Equipe CaféPoint.
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