Continua a polêmica Starbucks versus Etiópia

A maior rede de cafés do mundo, Starbucks, está presa numa disputa de registro de marcas com a Etiópia, um dos países mais pobres do mundo, que fornece o grão para ela e outras empresas estrangeiras.

Publicado por: CaféPoint

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A maior rede de cafés do mundo, Starbucks, está presa numa disputa de registro de marcas com a Etiópia, um dos países mais pobres do mundo, que fornece o grão para ela e outras empresas estrangeiras.

A Etiópia, que a Starbucks alardeia como o berço do café, está tentando transformar em marcas registradas os nomes dos cafés mais famosos da região - Sidamo, Harar e Yirgacheffe -, que aparecem em embalagens da americana e de outras torrefações de café. O país quer ganhar maior controle sobre a distribuição e promoção de seu produto de exportação mais valioso e, no final das contas, assegurar um preço melhor para os cafeicultores.

Os produtores de Fero, que fica na região de Sidamo, recebem cerca de R$ 3,60 por quilo de café. A Starbucks vende o produto processado por até R$ 63 meio quilo. "Como lidamos com essa injusta diferença de preços? Como fazemos para garantir que os agricultores pobres recebam um retorno razoável?", disse o diretor-geral do escritório de propriedade intelectual da Etiópia, Getachew Mengistie.

A Starbucks passou meses desestimulando os etíopes de tentarem obter a marca registrada. Embora tenha recentemente voltado atrás em relação a isso, a empresa se recusa a assinar um acordo de licenciamento de marcas registradas, livre de royalties, que foi oferecido pela Etiópia. Executivos da Starbucks dizem que o acordo é juridicamente oneroso e acreditam que ele deixaria a empresa com responsabilidade demais para defender as marcas registradas da Etiópia. "Não é uma coisa que se faça como empresa", defendeu o vice-presidente sênior de café e compras globais da Starbucks, Dub Hay.

Enquanto o caso não é solucionado, os cafeicultores etíopes se sentem traídos. "Se alguém deve ter a marca, somos nós", disse o presidente da Cooperativa dos Produtores de Fero, que tem mais de 3 mil membros, Tilahun Garsamo.

Os críticos dizem que a empresa se recusa a ajudar os esforços da Etiópia para registrar suas marcas porque isso poderia abrir a porta para outros países fazerem o mesmo, adicionando uma camada de custo que pode aumentar os preços que a Starbucks paga.

A Starbucks americana compra praticamente todo o seu café de fora dos Estados Unidos, principalmente de países da América Latina e 2% da Etiópia. E argumenta que a Etiópia devia tentar ganhar "certificações geográficas" - um método legal diferente que outras regiões produtoras de café usaram para usufruir da reputação de seus nomes.

As informações são do O Estado de S.Paulo.
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