Jorge Queiroz, analista de mercado da Conab e autor do artigo "Custo de produção de café exige atenção redobrada" responde ao leitor Veber Lucas de Liveira, de Jacuí, MG, sobre consumo mundial, produção brasileira e perspectivas de preços. Seguem trechos da carta e resposta a seguir.
Carta de Veber Lucas de Liveira
Gostaria que comentasse sobre aumento de consumo mundial, baixa produção brasileira e redução dos estoques internacionais, para sabermos se há possibilidade de uma alta significativa em dólar de nosso produto.
Resposta de Jorge Queiroz
Sobre o seu questionamento a respeito do consumo mundial de café, tenho a comentar que a tendência é que realmente o mundo vai beber mais café nos próximos anos. A cada ano a China inclui no seu mercado de trabalho cerca de 35,0 milhões de pessoas. Isso equivale a população da argentina. No segundo trimestre deste ano - 2007 -, aquele país registrou um incremento do PIB da ordem de 11,9%. Já existem 400 lojas da Starbucks em território chinês. Até mesmo a Cooxupé, aqui do Brasil, já instalou - juntamente com dois outros sócios -, duas cafeterias na cidade de Xian.
O número de consumidores no mundo está crescendo rapidamente, principalmente nos países em desenvolvimento, exatamente porque as grandes empresas transnacionais, visando obter uma economia em escala, estão transferindo as suas bases de produção para esses países com o objetivo de se beneficiarem com a mão de obra barata e abundante.
Portanto China, Índia e outros países asiáticos, bem como alguns países do leste europeu deverão demandar um volume maior de commodities agrícolas nesses próximos anos, incluindo aí o nosso café. Alguns desses países já são conhecidos como tradicionais bebedores de chá. Entretanto, a população mais jovem acaba adotando, com maior facilidade, hábitos provenientes do ocidente.
Com relação ao seu questionamento sobre a produção brasileira, como todos nós já sabemos, neste ano de 2007, estamos atravessando um ano de bienualidade negativa (de baixa produção). A Conab, na sua segunda estimativa de safra - abril de 2007 -, estava projetando uma produção de 32,06 milhões de sacas.
Para a safra 2007/2008, em função dos produtores estarem com os seus preços de venda (nos dias de hoje) próximo do preço de custo (isto com relação ao café arábica que representa 75% da produção brasileira), imagino que seja limitada a capacidade dos cafeicultores de promoverem os tratos culturais de forma adequada. Esse talvez seja um fator limitante para que ocorra um incremento substantivo da produtividade (número produzido de sacas por hectare).
Acredito ainda que as perspectivas para o mercado de café, no médio prazo, sejam favoráveis. Afinal o consumo em expansão, a oferta limitada e os estoques reduzidos, são ingredientes que fazem supor que os preços do produto deverão se deslocar para um patamar um pouco mais acima.
Leia a carta de Veber Lucas de Liveira e a resposta de Jorge Queiroz, na íntegra.
Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint.
Consumo mundial, produção brasileira e preços
A tendência é que realmente o mundo vai beber mais café nos próximos anos. A cada ano a China inclui no seu mercado de trabalho cerca de 35,0 milhões de pessoas. Isso equivale a população da argentina. No Brasil, pode ser que a promoção de tratos culturais seja limitada em função dos produtores estarem com os seus preços de venda (nos dias de hoje) próximo do preço de custo (isto com relação ao café arábica que representa 75% da produção brasileira). Acredito ainda que as perspectivas para o mercado de café, no médio prazo, sejam favoráveis.
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