Consumidor pode estranhar mais robusta no blend
A indústria de café deve enfrentar resistência de grande parte dos consumidores se quiser utilizar mais café robusta em suas misturas. Com os preços altos do café arábica, usar mais robusta pode ser uma opção economicamente viável, mas as características sensoriais desse café são diferentes. Segundo observadores do mercado, há alguns anos os consumidores da bebida passaram a conhecer melhor os diferentes tipos de café e, portanto, não aceitarão grandes mudanças. As torrefadoras raramente comentam sobre alterações nas misturas ou estratégias de compra.
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"Economicamente, faz sentido mudar para o robusta, já que a diferença de preço é tão elevada", afirma a analista do Macquarie, Kona Haque. "Onde é possível, suspeito que muitas torrefadoras estão tentando fazer isso." No entanto, as tendências do mercado podem dificultar essa migração para o robusta.
O robusta é mais usado em cafés instantâneos ou solúveis, quando costuma ser misturado a outras variedades. Traders dizem que a indústria poderá aumentar a utilização de robusta, mas dentro de certos limites, pois o gosto desse café é diferente do arábica. Consumidores com paladar mais refinado são capazes de percebê-lo.
"Durante os últimos dez anos, as torrefadoras conseguiram aumentar a quantidade de robusta nas misturas, disfarçando um pouco o gosto amargo", diz um corretor. "Mas agora é mais difícil, pois muitas já estão no seu limite de robusta e não podem colocar mais", explica.
Em mercados mais desenvolvidos como Estados Unidos e Europa, os consumidores da bebida buscam cada vez mais as marcas premium, de café arábica puro. Uma pesquisa da consultoria Allegra Strategies mostrou que a indústria de café no Reino Unido cresceu 12,9% em 2010, com forte desempenho de operadores de café de marca.
"Os consumidores estão muito mais educados do que eram", comenta Anya Gascoine Marco, diretora de alimentos e bebidas da Allegra Strategies. "Há mais marcas de melhor qualidade nos supermercados agora. Uma companhia como a Starbucks não vai mudar para o robusta", avalia.
Aumento de preços são repassados ao consumidor
O resultado disso é que, diante dos preços elevados da commodity, empresas como Starbucks e J.M. Smucker estão repassando o aumento dos gastos para o consumidor. A J.M. Smucker informou que aumentará em 10% os preços dos cafés Folgers e Dunkin Donut, vendido para lojas do varejo. Comerciantes disseram que o aumento de preço é preocupante, pois pode conter a demanda.
Marco afirma que "vai ser uma pressão sobre os produtores para manter os preços baixos, mesmo com custos elevados do café bruto, pois os varejistas não querem repassar o aumento para o consumidor".
A reportagem é de Filipe Domingues, para Agência Estado, com informações são da Dow Jones, adaptada pela Equipe CaféPoint.
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Será que é coincidencia ou gosto não se discute.
Sdçs
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