Consumidor pode estranhar mais robusta no blend

A indústria de café deve enfrentar resistência de grande parte dos consumidores se quiser utilizar mais café robusta em suas misturas. Com os preços altos do café arábica, usar mais robusta pode ser uma opção economicamente viável, mas as características sensoriais desse café são diferentes. Segundo observadores do mercado, há alguns anos os consumidores da bebida passaram a conhecer melhor os diferentes tipos de café e, portanto, não aceitarão grandes mudanças. As torrefadoras raramente comentam sobre alterações nas misturas ou estratégias de compra.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 3
Ícone para curtir artigo 0

A indústria de café deve enfrentar resistência de grande parte dos consumidores se quiser utilizar mais café robusta em suas misturas. Com os preços altos do café arábica, usar mais robusta pode ser uma opção economicamente viável, mas as características sensoriais desse café são diferentes. Segundo observadores do mercado, há alguns anos os consumidores da bebida passaram a conhecer melhor os diferentes tipos de café e, portanto, não aceitarão grandes mudanças. As torrefadoras raramente comentam sobre alterações nas misturas ou estratégias de compra.

"Economicamente, faz sentido mudar para o robusta, já que a diferença de preço é tão elevada", afirma a analista do Macquarie, Kona Haque. "Onde é possível, suspeito que muitas torrefadoras estão tentando fazer isso." No entanto, as tendências do mercado podem dificultar essa migração para o robusta.

O robusta é mais usado em cafés instantâneos ou solúveis, quando costuma ser misturado a outras variedades. Traders dizem que a indústria poderá aumentar a utilização de robusta, mas dentro de certos limites, pois o gosto desse café é diferente do arábica. Consumidores com paladar mais refinado são capazes de percebê-lo.

"Durante os últimos dez anos, as torrefadoras conseguiram aumentar a quantidade de robusta nas misturas, disfarçando um pouco o gosto amargo", diz um corretor. "Mas agora é mais difícil, pois muitas já estão no seu limite de robusta e não podem colocar mais", explica.

Em mercados mais desenvolvidos como Estados Unidos e Europa, os consumidores da bebida buscam cada vez mais as marcas premium, de café arábica puro. Uma pesquisa da consultoria Allegra Strategies mostrou que a indústria de café no Reino Unido cresceu 12,9% em 2010, com forte desempenho de operadores de café de marca.

"Os consumidores estão muito mais educados do que eram", comenta Anya Gascoine Marco, diretora de alimentos e bebidas da Allegra Strategies. "Há mais marcas de melhor qualidade nos supermercados agora. Uma companhia como a Starbucks não vai mudar para o robusta", avalia.

Aumento de preços são repassados ao consumidor

O resultado disso é que, diante dos preços elevados da commodity, empresas como Starbucks e J.M. Smucker estão repassando o aumento dos gastos para o consumidor. A J.M. Smucker informou que aumentará em 10% os preços dos cafés Folgers e Dunkin Donut, vendido para lojas do varejo. Comerciantes disseram que o aumento de preço é preocupante, pois pode conter a demanda.

Marco afirma que "vai ser uma pressão sobre os produtores para manter os preços baixos, mesmo com custos elevados do café bruto, pois os varejistas não querem repassar o aumento para o consumidor".

A reportagem é de Filipe Domingues, para Agência Estado, com informações são da Dow Jones, adaptada pela Equipe CaféPoint.
Ícone para ver comentários 3
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Amúlio Lêntulus Pinto Loureiro
AMÚLIO LÊNTULUS PINTO LOUREIRO

CANAVIEIRAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/02/2011

Amigos, contra fatos não há argumentos, se observarmos que o crescente aumento de café tanto no mundo quanto no Brasil, ocorre justamente á medida em que o robusta teve um aumento na participação dos blend´s.
Será que é coincidencia ou gosto não se discute.

Sdçs

Amúlio Loureiro
Leônidas Leoni Belan
LEÔNIDAS LEONI BELAN

SÃO FRANCISCO DO GLÓRIA - MINAS GERAIS

EM 15/02/2011

Concordo plenamente com o amigo Robson. Sou de família produtora de Café Arábica em Minas Gerais e pessoalmente tenho preferência por beber cafés arábica superiores, no entanto, ja tive oprtunidade de saborear um café com 100% de grãos Conilon de excelente qualidade. Por isso, acredito que a elevação da % de conilon nos blends é viável, desde que seja feita uma conscientização dos produtores em produzir um conilon de qualidade, me refiro a qualidade no processo pós-coheita, e das torrefadoras em valorizar esses cafés, contribuindo assim para elevação do patamar dos cafés conilon sustentáveis.
Robson França Rodrigues
ROBSON FRANÇA RODRIGUES

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 13/02/2011

Não vejo muito problema em adicionar mais quantidade de robusta para baratear os custo de produção, deste de que este café apresentem qualidade desejada.Aqui na minha região os produtores com orientação dos tecnicos do incaper juntos com os tecnicos da cooperativa existente têm feito um trabalho para consientizar os produtores para produzir um café de qualidade com investimentos em renovações da lavouras e em equipamentos para faze-lo um café de qualidade,segundos os tecnicos envolvidos têns se obtidos cafés robusta com qualidade desejada.