Conilon foi tema de debate no 8º Agrocafé

"Perspectivas Futuras para o Conillon" foi o tema central do 3º Encontro Nacional do Café Conillon, realizado, ontem à tarde, dentro do 8º Agrocafé e coordenado por Frederico de Almeida Daher, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (CETCAF).

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"Perspectivas Futuras para o Conilon" foi o tema central do 3º Encontro Nacional do Café Conilon, realizado, ontem à tarde, dentro do 8º Agrocafé e coordenado por Frederico de Almeida Daher, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (CETCAF), contando com palestras de Dário Martinelli e Marcos Moulin Teixeira, ambos da CETCAF. Além desse tema, "Aspectos da Competitividade" foram abordado pelo consultor Renato Fernandes e Mauro Moutinho Malta, diretor da Associação Brasileira de Industria de Cafés Solúvel (Abics).

Para Martinelli, a evolução tecnológica da produção e do preparo do conilon no Brasil e a demanda por seus frutos para composição de blends pelo setor industrial têm despertado a atenção de produtores e aumentado a demanda de pesquisas. Ele é apresentado como alternativa econômica para os municípios com baixas altitudes e temperaturas mais elevadas, inaptos ao cultivo do arábica.

Para o engenheiro agrônomo da Incaper/Cetcaf, Marcos Moulin Teixeira, a oferta de conilon de qualidade merece ser ampliada no mercado. "O conilon apresentou uma grande diferença de qualidade, na colheita e pós-colheita, portanto há um espaço muito significativo para a melhoria da qualidade", defendeu.

Já o consultor Renato Fernandes abriu a discussão sobre os aspectos da competitividade do conilon brasileiro. Para ele, estes aspectos se dividem em quatro fatores: aplicação, qualidade, disponibilidade e preço.

A palestra de Fernandes gerou polêmica, quando foi apresentado um novo preço de equilíbrio. Segundo ele, com a importação de café via drawback, o preço equilibrado será outro e assim pode se chegar ao fortalecimento da indústria de café solúvel brasileira.

Por outro lado, o consultou indicou que ações de toda a cadeia do café buscando eliminar entraves, como a taxação de 9% imposta ao solúvel brasileiro pela União Européia e a cobrança de ICMS sobre café destinado à produção de solúvel para exportação, podem até eliminar a necessidade do drawback.

Mas o presidente Associação Cafeicultores do Paraná, Suplicy Hafers, discordou da posição e disse que essa medida vai prejudicar a produção no Brasil. "A produção tem toda razão em temer o drawback e a indústria de solúvel tem toda a razão em precisar do drawback. É esse o impasse a ser resolvido por uma negociação madura e inteligente que assegure a solução aos medos justificados dos cafeicultores e resolva a necessidade da indústria de solúvel", disse.

As informações são da assessoria de imprensa do 8º. Agrocafé.
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Roberto Ticoulat
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 07/03/2007

Prezados leitores,

Na maior parte do ano, o conilon brasileiro é competitivo, tanto é que somos exportadores desta matéria-prima para países produtores que a solubilizam e re-exportam em regime de <i>drawback</i>, como é o caso de nossas exportações para o México.

O que ocorre são períodos curtos de escassez, no período da entressafra, quando o produtor não se beneficia do preço do <i>squeeze</i> do mercado, pois já vendeu sua safra. Este ano, por exemplo, não ocorreu <i>squeeze</i> que justificasse a importação.

O fato de o Brasil importar café em regime de <i>drawback</i> somente irá ajudar a melhorar a renda do produtor brasileiro com o impacto que este tipo de noticia gera no mercado. É o famoso buy the rumors and sell the facts.

Temos de trazer a demanda para perto do produtor nacional e, desta forma, assegurar a colocação de nosso produto. Trazer as indústrias para o Brasil criará segurança na colocação da produção nacional.

De qualquer forma, para se importar conilon em regime de <i>drawback</i> o preço do mercado interno tem de estar US$ 10,00 acima do mercado mundial, devidos aos custos de logística para a importação do produto. Hora, se somos o maior produtor mundial de café, o segundo maior produtor de robusta do mundo porque temermos a competição?

O argumento de o preço de o produto importado ser muito inferior ao produto nacional não é verdadeiro, pois, assim fosse, o Brasil não exportaria mais de 1 milhão de sacas ano de conilon. Da mesma forma, alegar que o custo de produção no Vietnã é de R$ 90,00/saco também não pode ser justificado, pois senão a produção deste país estaria aumentando fortemente, devido aos preços vigentes no mercado mundial, o que também não é o caso nos anos recentes. Aliás, a produção brasileira é que cresce no mundo e o potencial de aumento de cultivo no Vietnã é limitado.

Dos 5 maiores produtores mundiais somente o Brasil coloca restrições impeditivas à importação. A Colômbia, Vietnã, Indonésia e México praticam o <i>drawback</i> com regularidade.

De mais a mais, cumpra-se a lei, pois está prevista na lei a faculdade do <i>drawback</i>. Temos de somente tomar precauções para justamente não prejudicar nosso principal parceiro que é o produtor nacional.

Atenciosamente,

Roberto Ticoulat