Conforme informações da Agência Estado, as chuvas fora do momento ideal no segundo semestre de 2007 levaram ao atraso na florada dos cafezais. A conseqüência foi que a colheita da variedade arábica, que representa 75% da produção nacional, deveria começar em maio, mas acabou retardando para junho, explica Queiroz.
O analista informa que o mercado físico está paralisado por causa dos baixos preços do café, além da pouca oferta de produto novo. Segundo ele, os produtores de arábica estão em situação difícil porque a rentabilidade deixa a desejar. O custo médio total de produção está estimado em R$ 230 por saca de 60 quilos. O preço de venda, no entanto, está em cerca de R$ 250 a saca. "Nessas condições, o produtor aguarda elevação das cotações para vender seu produto".
Em melhor situação estão os produtores da variedade conillon, que representa 25% da produção nacional. De acordo Queiroz, o custo médio total de produção do conillon está em R$ 135 a saca. No mercado, o produto é negociado a R$ 215 a saca. A rentabilidade é favorecida pelo aumento da demanda no mundo. "O conillon, é a base para produção de café solúvel, que tem boa aceitação nos países emergentes, no Leste Europeu, entre outros", diz.
Tabela 1. Comparativos das principais Bolsas de café

Queiroz afirma que a oferta nos bancos de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), estimados em cerca de R$ 1 bilhão, tem permitido que o cafeicultor ganhe fôlego, de modo a "não se desfazer precipitadamente do seu café, como antigamente".
Por causa do cenário de preocupação mundial com a inflação, possibilidade de diminuição de consumo de produtos e acesso de novos consumidores ao mercado, principalmente em países emergentes, levou o analista da Conab a revisar as contas sobre a exportação brasileira de café este ano.
Ante uma projeção inicial de 30 milhões a 31 milhões de sacas embarcadas em 2008, Queiroz prevê agora exportação entre 28,5 milhões e 29 milhões de sacas. No ano passado, de uma safra de 36,07 milhões de sacas, o Brasil exportou 27,8 milhões de sacas, ou 77% do total.
Ele acrescenta ainda que o fortalecimento do real em relação ao dólar contribui para a perda de competitividade do café no exterior. A maciça entrada de dólares no País, em particular depois de ter alcançado o grau de investimento pelas agências internacionais de risco, impede a desvalorização do real frente à moeda norte-americana e esse quadro não deve mudar em curto prazo.
Gráfico 1. Cotação do dólar (R$)

De acordo com a equipe InfoMoney, a moeda norte americana voltou a fechar no menor patamar desde 1999, época em que o câmbio havia voltado a ser flutuante. Durante boa parte da segunda-feira, resultados corporativos melhores que o esperado nos Estados Unidos e fôlego renovado no plano interno apoiaram a queda da moeda norte-americana.
Além disso, o câmbio também refletiu a perspectiva de entrada de recursos no País, reforçada tanto pela oferta de ações da Vale ocorrida nesta semana quanto pela elevação da recomendação do mercado brasileiro feita pelo Morgan Stanley.
Segundo o site, o dólar comercial fechou cotado a R$ 1,5870, com baixa de 0,63% em relação ao fechamento anterior. Com esta queda, o dólar acumula desvalorização de 0,50% em julho, frente à alta de 0,21% registrada no mês passado. No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 10,53%.
De acordo com o Escritório Carvalhaes, não aconteceu nada no mercado de café que justifique a forte baixa do dia 17 de julho, quinta-feira passada, nas bolsas de futuro. Os fundamentos continuam os mesmos, mas a bolsa de Nova Iorque (ICE Futures) caiu 330 pontos nos contratos para entrega em setembro próximo, com queda de 3,35% num único dia, contagiando as Bolsas de Londres e São Paulo.
Tabela 2. Principais Indicadores, Bolsas e cotação do Dólar

Conforme divulgou o escritório, a recessão e a alta da inflação nos EUA e em diversas economias do primeiro mundo estão levando muitos operadores a acreditarem em uma diminuição da demanda por commodities. O mercado físico brasileiro apresentou-se calmo e com pequeno volume de negócios realizados. Os preços oferecidos pelos compradores não animam os cafeicultores, que voltam suas atenções para os trabalhos de colheita e benefício da nova safra.
Segundo o Escritório, a colheita de conillon está praticamente encerrada e a de arábica agora entrou em ritmo normal e avança com boa velocidade em todas as regiões produtoras. Os primeiros lotes que estão ficando prontos estão sendo utilizados, em sua grande maioria, para cumprir compromissos com CPRs e vendas antecipadas.
"As ofertas para os poucos lotes de café arábica que chegam ao mercado estão abaixo do custo de produção e trazem desânimo aos cafeicultores. A forte demanda do consumo interno brasileiro impede uma pressão ainda maior sobre os preços dos cafés de melhor qualidade", publicou Carvalhaes.
A "Green Coffee Association" divulgou que os estoques americanos de café verde totalizaram 5.681.808 sacas em 30 de junho de 2008, baixa de 2% ou 120.725 sacas em relação às 5.802.533 sacas existentes em 31 de maio de 2008. Até o dia 17, os embarques de julho estavam em 851.167 sacas de café arábica e 135.257 sacas de café conillon, somando 986.424 sacas de café verde, contra 768.331 sacas no mesmo dia de junho, o que representa um aumento de 28,4%.
Julio Frare, Equipe CaféPoint