Assim, restringe os negócios e aparece mais para a comercialização apenas quando as cotações saltam na Bolsa de Nova York, refletindo-se internamente nos preços dos grãos. Ainda assim, mesmo nesses momentos, muitos cafeicultores seguram o café esperando por novas altas.
A safra 2011 é menor dentro do ciclo bienal da cultura e já há preocupações com a produção de 2012 no Brasil. Chega agora o período das floradas, que vão vingar na safra do ano que vem, e o cafeicultor está apreensivo com a falta de umidade. É preciso chover para a floração e é necessário que as precipitações continuem para que essas floradas se sustentem. Em meio a essa "tensão", também se justifica a retração do produtor na venda do café.
A comercialização da safra de café do Brasil 2011/12 (julho/junho) fechou o mês de agosto em 42% do total. O dado faz parte de levantamento de SAFRAS & Mercado, com base em informações colhidas até 31 de agosto. Com isso, já foram comercializadas pelos produtores brasileiros 20,20 milhões de sacas de 60 quilos de café, tomando-se por base a projeção de SAFRAS & Mercado, de uma safra 2011/12 de café brasileira de 47,7 milhões de sacas. A comercialização está ligeiramente adiantada em relação a igual período do ano passado, quando 41% da então safra 2010/11 estava negociada. O mês de julho havia fechado com 35% da produção negociada.
O analista de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, destaca que a colheita da safra 2011/12 dá seus últimos passos, com 96% da produção já saindo dos pés até o último dia 31 de agosto. "O produtor mantém o compasso lento dos negócios, aproveitando os bons momentos para fechar posições, mas sem exageros ou afobação. É claro que quando o mercado avançou acima da linha de R$ 500 a saca para os cafés melhores, apareceram mais vendedores no mercado, mas não a ponto de interromper a firmeza, o que mostra maturidade na condução dos negócios", comenta Barabach. Ele lembra que aproveitar o preço alto faz parte da gestão de risco de preço e evitar a afobação vendedora é a estratégia para prolongar o bom momento.
Para Barabach, "o mercado segue com uma cara muito boa". E mesmo sujeito a correções técnicas na Bolsa de NY, ou a algum revés fundamental, como, por exemplo, boas notícias das floradas, a postura dos produtores não deve se alterar muito. "Nesse sentido, o produtor tende a manter a cadência tranquila das negociações e já começar a delinear, lentamente, alguma coisa com a safra 2012, seguindo a lógica de gerir risco de preço futuro", avalia.
Exportações - As exportações totais brasileiras de café (verde mais solúvel) em agosto atingiram 2.867.513 sacas de 60 quilos, elevação de 1,9% na comparação com as 2.813.475 sacas de igual mês do ano de 2010. A receita total com as exportações de café em agosto foi de US$ 777,529 milhões, crescendo 61,6% ante os US$ 481,104 milhões obtidos em agosto de 2010. As informações partem do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Os embarques de café verde (grão) em agosto foram de 2.594.391 sacas, queda de 0,4% ante as 2.604.380 sacas embarcadas em agosto de 2010. As exportações de arábica diminuíram 7,9% em agosto, para 2.276.246 sacas, na comparação com as 2.470.632 sacas do mesmo mês de 2010. Os embarques de robusta aumentaram 138%, passando de 133.848 sacas em agosto de 2010 para 318.245 sacas no mesmo mês do corrente ano. Já as exportações de café solúvel subiram 30,6%, totalizando 273.022 sacas.
O diretor geral do CeCafé, Guilherme Braga, destaca que "apesar de uma ligeira redução no volume de café verde exportado, os preços médios se mantêm crescentes e a receita acumulada no período de janeiro a agosto de 2011 é 71% mais elevada se comparada ao mesmo período de 2010. Considerando o período de janeiro a agosto de 2011, também é importante ressaltar a alta de 173% no volume exportado de conillon em relação aos mesmos oito meses de 2010".

As informações são da Agência Safras, adaptadas pela Equipe CaféPoint.