Começa a colheita do café: custo de produção está alto
Os produtores de café já deram a largada para a colheita da safra 2009/10. Apesar de os tratos culturais realizados nas lavouras terem ficado abaixo do ideal, as chuvas abundantes compensaram em parte a falta de adubo. "Está tudo normal", é o que adianta o analista de café, Jorge Queiroz, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estatal responsável pela pesquisa oficial sobre os números da safra.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
No primeiro levantamento, anunciado em janeiro, a safra brasileira de café em 2009 foi estimada entre 36,9 milhões e 38,8 milhões de sacas de 60 kg. Os números representam uma redução de 20% a 16% em relação à colheita de 2008, de 46 milhões de sacas, ou seja, uma diminuição média de 8,2 milhões de sacas. Como ocorre todos os anos, os números oficiais são objeto de controvérsias. No mercado circulam estimativas privadas com projeções diferentes. A Exportadora Comexim, por exemplo, prevê a safra em 40,6 milhões de sacas.
As primeiras lavouras a serem colhidas estão no Espírito Santo e Rondônia, onde se cultiva a variedade robusta (conilon), que corresponde a cerca de 25% da produção nacional. "Vamos ter uma boa safra de robusta porque as lavouras se apresentam em ótimo estado", diz o superintendente Frederico Daher, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf), em Vitória (ES).
Segundo ele, o robusta é colhido mais cedo, mas os trabalhos começam efetivamente em maio. "Os produtores de robusta estão tranquilos porque os preços são favoráveis e a produtividade tem sido satisfatória", diz Daher. Para o pesquisador do Procafé, José Braz Matiello, entretanto, o rendimento do conilon no ano passado caiu 1 milhão de sacas, pois faltou chuva no final do ciclo. "Este ano esta situação pode se repetir", afirmou.
Para o arábica a história é outra: "Este deve ser mais um ano perdido em termos de rentabilidade", afirma o pesquisador Celso Vegro, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Vegro coloca que os produtores de arábica das montanhas do Espírito Santo, do Sul de Minas e também do cerrado "devem estar apreensivos" por causa da baixa rentabilidade.
De acordo com Celso Vegro, houve elevação do custo de produção sem um proporcional aumento dos preços do café. "Mas não é só a questão dos adubos, pois a mão de obra, que tem elevada participação nos custos, tem sido reajustada todos os anos acima da inflação", comenta.
Levantamento da Conab mostra que no sul de Minas, principal região produtora de café do País, o custo de produção alcança R$ 293,41 a saca, para uma produtividade média de 30 sacas por hectare. Nesta quarta-feira (29), a saca foi cotada na região a R$ 263,00 segundo a Cooxupé.
Na zona da mata mineira, onde a colheita começou tímida e o porcentual colhido ainda é considerado pequeno, os trabalhos devem deslanchar nas próximas semanas. Nas demais regiões do Estado, principalmente no sul e no cerrado mineiro, as perspectivas são de que o processo seja iniciado a partir da primeira semana de maio e se intensifique em junho.
Em São Sebastião do Paraíso, conforme o gerente do departamento técnico da cooperativa local (Cooparaíso), Marcelo Moura Almeida, a colheita está um pouco atrasada, já que em boa parte das lavouras apenas a metade dos frutos atingiu o grau de maturação adequado. "Acredito que a partir do dia 10 de maio, 80% dos produtores já devem ter iniciado a colheita". A cooperativa espera receber um volume de 800 mil sacas na safra deste ano, 50% menor do que o total recebido no ano passado.
Segundo o coordenador de Desenvolvimento Técnico da Cooperativa de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), Mário Ferraz, também no sul de Minas, as condições climáticas estão favoráveis às lavouras, apesar do início de outono mais chuvoso.
A falta de adubação aliada às temperaturas acima da média histórica e maior incidência de chuvas provocou o aumento da ocorrência de doenças, principalmente ferrugem e cercóspora. No entanto, a avaliação dos técnicos é de que os eventuais danos às plantas só devem ser observados na próxima safra, que será maior, por causa da bienualidade da cultura.
Na região do cerrado mineiro, a avaliação do técnico da Associação dos Cafeicultores da Região de Patrocínio (Acarpa), José Francisco, é de que por enquanto o rendimento das lavouras é considerado normal. "Os produtores andam desanimados por causa dos preços", diz ele. A colheita na região deverá começar a ganhar ritmo apenas em junho.
O segundo levantamento da Conab para o café será apresentado no dia 7 de maio, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A reportagem é de Raquel Massote e Tomas Okuda, da Agência Estado, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 04/05/2009
Realmente nosso governo não é sério, esse preço mínimo divulgado só pode ser uma piada de muito mal gosto, e uma irresponsabilidade tremenda. Gostaria de ver os nossos ministros das áreas econômicas produzindo café só por um ano, pra eles sentirem na carne o que nós sentimos, só que minha proposta é nós ficarmos no lugar deles e fixarmos a política cafeeira para eles.
Quero ver pagar R$ 350,00 p produzir e vender a R$ 220,00, quanto tempo eles vão resistir.
Que tal se os produtores de café criassem uma "ONG-baderneira" como o MST nós não seríamos mais valorizados e ouvidos?