Colômbia reduz previsão de produção de café

Os preços do café registraram uma tendência negativa após os produtores da Colômbia reduzirem sua estimativa de produção pela terceira vez em quatro meses, em meio aos medos da retomada do padrão climático La Niña.

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Os preços do café registraram uma tendência negativa após os produtores da Colômbia reduzirem sua estimativa de produção pela terceira vez em quatro meses, em meio aos medos da retomada do padrão climático La Niña.

O chefe da Federação de Produtores de Café da Colômbia, Genaro Munoz, disse que a colheita de café no segundo maior produtor de arábica do mundo será de 8 milhões de sacas nesse ano, ficando a 200.000 sacas de alcançar o nível mais baixo dos últimos 35 anos.

O valor revisado ficou abaixo dos 8,5 milhões de sacas que a Federação tinha previsto no mês passado e as esperanças iniciais de 9,5 milhões de sacas, uma estimativa que foi cortada para 9 milhões de sacas em agosto.

A redução foi relacionada às fortes chuvas incomuns, que os meteorologistas previram que durarão até o próximo ano, por causa do padrão climático La Niña, que causa problemas, particularmente no hemisfério sul.

De fato, as Nações Unidas na quinta-feira disse que o La Niña deverá "persistir até o final desse ano e começo de 2012, possivelmente fortalecendo para uma intensidade moderada".

Munoz disse que "sem dúvida, a estação chuvosa afeta bastante o setor", interrompendo a floração dos cafezais, além de aumentar a disseminação da ferrugem do café, que reduz os rendimentos prejudicando a fotossíntese.

A produção de café da Colômbia caiu em outubro pelo sétimo mês consecutivo, para 592.000 sacas, levando a produção total para os primeiros 10 meses de 2011 para 6,23 milhões de sacas, 8% a menos que no ano anterior.

A reportagem é do Agrimoney, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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Paulo Henrique Leme
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/11/2011

Caros amigos do Cafépoint,

Esta talvez seja uma das notícias mais importantes deste ano cafeeiro. Parece incrível que um país que produz menos de 20% da produção brasileira possa ter um impacto tão grande nos preços globais, mas a Colômbia continua a ser um país fundamental para os blends dos cafés gourmet. Para completar este cenário preocupante, a situação atual da produção colombiana representa bem o contexto dos países da América Central também.

E esta talvez seja uma chance de ouro para revirar um pouco da lógica de mercado onde os compradores e especuladores "estimam" nossa produção, sempre com tendência altista, é claro. É muito importante juntarmos forças para reforçar ao mercado uma imagem real do que acontece na cafeicultura brasileira, seja boa ou ruim, mas seja a realidade.

Todos no mundo estão como nunca olhando para as lavouras brasileiras e especialmente as sul mineiras.

De qualquer forma, a escassez de café é preocupante, pois o mercado consumidor mundial continua crescendo a um ritmo persistente de 2,5% ao ano... Não podemos perder este momento e permitir que bebidas concorrentes como energéticos e chá ocupem o lugar do café nas máquinas, copos e xícaras dos consumidores. Precisamos de um preço remunerador aos cafeicultores, que não estimule a entrada de aventureiros na atividade e que, ao mesmo tempo, forneça uma xícara a um preço razoável aos consumidores. Equação complicada.

Vamos ficar atentos! A situação é de atenção!

Saudações,

Paulo Henrique Leme