Colômbia: quebra na colheita é maior que estimativa

Nos primeiros meses do ano foram produzidas na Colômbia cerca de 750 mil sacas a mais em relação ao mesmo período de 2007. Já a partir de maio, a colheita se reduziu a um nível de 850 mil sacas a menos que no último ano. Apesar das compensações financeiras que o país poderá obter, é certo que a colheita total será prejudicada.

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"Não estou somente preocupado, como também aterrorizado, pois a diminuição da colheita de fim de ano pode ser de até 30% ou 35% em relação ao último ano", disse o cafeicultor Gustavo Arbeláez. Além de ter que enfrentar problemas como o Mal Rosado (rubelose) em seus cafezais, agora também assume-se perdas causadas pela queda na produção.

"No último ano, colhi 500 sacas de café. Agora, se muito, terei 275 sacas. Assim, além da queda para este fim de ano, ainda teremos mais prejuízos com a perda de muito grãos, devido às poucas floradas.", disse o cafeicultor.

A preocupação de Gustavo é que, além da escassez, ele vendeu no mercado futuro suas 500 sacas de café. "Porém, agora não tenho condições de cumprir com a cota e o mesmo ocorre com vários produtores, por isso a Cooperativa dos Cafeicultores já planeja nos dar um prazo adicional até janeiro ou fevereiro para pagar as nossas dívidas", assegura.

Os cálculos

A preocupação também é compartilhada pelo presidente do Comitê Departamental de Cafeicultores de Caldas, Marcelo Salazar Velásquez, que assegura ser inegável que haverá uma escassez maior do que o previsto. Entretanto, ainda não se tem cifras do comportamento desse mês.

"Essa queda pode estar além das expectativas do Comitê Departamental dos Cafeicultores, em especial devido ao clima ruim. É um café já perdido, que não vai ser colhido em novembro ou dezembro e, por esse motivo, estamos muito preocupados", disse.

As estimativas de agosto indicavam que haveria cerca de 140 mil sacas de café a menos e que somadas à queda do primeiro semestre, de 10%, a perda total da colheita em 2008 seria de cerca de 195 mil sacas de café.

Um impacto maior

A esses problemas, soma-se a necessidade de focar o aumento dos fertilizantes, não somente para o café, mas em relação à agricultura do país. Ainda não é hora para maiores preocupações, porém, quando se confirmar o primeiro volume de perdas, a situação se tornará alarmante, segundo Mario Gómez Estrada, membro principal por Caldas para o Comitê Nacional de Cafeicultores.

Nos primeiros meses do ano foram produzidas na Colômbia cerca de 750 mil sacas a mais em relação ao mesmo período de 2007. Já a partir de maio, a colheita se reduziu a um nível de 850 mil sacas a menos que no último ano. Apesar das compensações financeiras que o país poderá obter, é certo que a colheita total será prejudicada.

"Por essa razão, se essas perdas se confirmarem com a produção de outubro, estaremos em uma situação de crise, como disse o presidente Uribe", ressaltou Gómez Estrada. A reportagem tem tradução do Centro de Inteligência do Café.
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