Colômbia: jovens cafeicultores tornam-se empresários
A Federação de Cafeicultores da Colômbia pôs em marcha no município de Salgar um novo programa que permitirá conseguir uma mudança de gerações na cafeicultura, melhorar e modernizar a produção e abrir as portas a um novo modelo de redistribuição de terras no país. O primeiro projeto produtivo instalado envolveu um grupo de 44 jovens cafeicultores que se associaram para fazer uma empresa rural. "Trata-se do mais revolucionário programa que já foi adotado no país para buscar que agricultores de baixos recursos e sem terra se convertam em sócios de empresas de café rentáveis e inovadoras", disse o gerente geral da Federação, Gabriel Silva.
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O primeiro projeto produtivo instalado envolveu um grupo de 44 jovens cafeicultores que se associaram para fazer uma empresa rural.
"Trata-se do mais revolucionário programa que já foi adotado no país para buscar que agricultores de baixos recursos e sem terra se convertam em sócios de empresas de café rentáveis e inovadoras", disse o gerente geral da Federação, Gabriel Silva.
Ele disse que este programa, chamado Modelos Inovadores-Jovens Agricultores, busca, em primeira instância, experimentar modelos que dêem oportunidades às novas gerações de cafeicultores colombianos, como recomendaram os estudos para a modernização e a sobrevivência da indústria. A idade média dos produtores de café colombianos está hoje em 53 anos e a meta é baixá-la para 40 nos próximos anos.
Porém, não se busca somente contar com cafeicultores jovens, mas sim, acelerar a transferência de tecnologia, promover mudanças nos sistemas de produção e incentivar o trabalho rural em equipe. O programa busca frear o êxodo de agricultores jovens para as cidades, com uma inovadora oferta que os converte em cafeicultores proprietários de terra, com seguro social, apoio institucional permanente e com perspectivas de se capitalizar ao futuro com aumentos na produtividade, melhor qualidade do café e redução de custos.
O esquema é relativamente simples. A equipe que lidera o projeto busca uma boa fazenda de café que esteja à venda, a avalia, a negocia ao melhor preço possível, consegue os recursos no sistema financeiro, a compra e, depois, a entrega a grupos de jovens cafeicultores para que trabalhem na fazenda e a paguem por cotas em um prazo máximo de doze anos.
A primeira fazenda, El Silencio, tem 243 hectares, foi comprada com um crédito obtido com o Grupo Bolívar (Bancafé) e nos doze anos de prazo de crédito se completarão 220 hectares plantados com café e o restante serão para outros produtos agropecuários e para as casas dos jovens.
O programa montou uma empresa incubadora com o fim de prestar o apoio empresarial e financeiro ao processo. Trata-se da Acceso Café Ltda., companhia criada pela Federação e outras entidades para que promova as iniciativas empresariais, avalie as fazendas, consiga os recursos para comprá-las e administre o sistema de garantias, que é o que dará confiança ao setor financeiro.
Por outro lado, os jovens selecionados em cada convocatória regional terão que criar uma Unidade Cafeeira Empresarial (UCAE) e decidir o tipo de sociedade que farão, além de discutir e aprovar um regulamento de trabalho, com suas obrigações e direitos, para que o projeto se desenvolva sem problemas.
Silva explicou que para evitar as dificuldades que possam apresentar, o programa de produção, custos e rendimentos será administrado pela incubadora Acceso Café, que garantirá aos jovens um salário mínimo mensal com os pagamentos legais e garantias e os aportes de seguro social (saúde, pensões e riscos profissionais).
Para dar garantia aos jovens cafeicultores, a Federação começou a criar Unidades Especiais de Acompanhamento (UEA), através dos Comitês de Departamentos de Cafeicultores, que serão formadas por agrônomos, técnicos agropecuários, administradores de empresas, economistas e até sociólogos, para que se resolvam qualquer problema.
Para pôr em marcha este programa, a Federação negociou um crédito de US$ 6 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O programa espera chegar a mais de 1000 jovens e suas famílias até 2010. No entanto, se houver a aceitação que se espera e a aprovação no sistema financeiro, o número de jovens poderia ser muito superior.
Para atingir esta meta, além dos US$ 6 milhões do BID, nos próximos três anos o programa deverá conseguir com o sistema financeiro e o mercado de capitais o equivalente a US$ 20 milhões para a compra de fazendas e capital de trabalho.
Só podem se inscrever no programa cafeicultores que tenham entre 18 e 35 anos, que sejam da região da fazenda que se pensa adjudicar, que tenham estado durante os últimos três anos na atividade cafeeira e que possam demonstrar que não têm terra.
"Se este revolucionário programa conseguir o apoio do setor financeiro e do mercado de capitais, em poucos anos poderá se converter em um modelo para ser repetido em todo o setor agropecuário da América Latina", disse Silva.
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Em outras localidades, a cafeicultura é vista pelos jovens como uma maneira de melhorarem de vida. De qualquer forma, precisamos dar mais atenção aos futuros cafeicultores, trazê-los para os nossos fóruns de discussão, chamando a participar das nossas atividades no campo, ouvindo seus anseios e expectativas, e, mais importante, mostrar a eles que é possível fazer da cafeicultura uma profissão digna e lucrativa.