Colômbia: "Exportamos café com as mesmas condições há 25 anos"

O presidente da Associação de Exportadores de Café da Colômbia (Asoexport), Carlos Ignacio Rojas, falou da necessidade de repensar o negócio cafeeiro, desde a qualidade requerida pelo mercado mundial até o cultivo de café robusta. "O mercado mudou, devemos mudar".

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O presidente da Associação de Exportadores de Café da Colômbia (Asoexport), Carlos Ignacio Rojas, falou da necessidade de repensar o negócio cafeeiro, desde a qualidade requerida pelo mercado mundial até o cultivo de café robusta. “O mercado mudou, devemos mudar”.

Em entrevista ao Portafolio.co, ele disse que há poucos dias tomou um desses cafés que faz lembrar que na Colômbia se produz o melhor café suave arábica lavado do mundo, mas com uma particularidade: não era lavado. “Um café como poucos quanto à qualidade e aroma, mas que deve ser classificado no grupo de ‘naturais’, e, portanto, não pode ser exportado; tão simples. A razão? Somente podemos exportar um só tipo de café: arábica lavado”.

O café ‘natural’ é o tipo que é secado – ao sol – com sua cereja inteira. Quando se termina esse processo, o grão de café sem torrar chama café verde.

E por que era ‘natural’ e não lavado?
Simples. O produtor não tem água na fazenda; por isso, não lava; o seca e comercializa assim. Excelente, mas não pode ser exportado.

Há razões particulares?
A Colômbia teve uma estratégia posicionando o café suave arábica lavado como o melhor café suave do mundo. Isso foi feito tomando medidas de controle de qualidade e cumprindo estritamente as cotas de exportação, quando houve.

Quer dizer que há “várias” qualidades?
Sim. Hoje não há somente uma qualidade, há múltiplas, à medida que cada pessoa tem um gosto diferente. Isso mudou o mercado mundial, quando os consumidores querem ter experiências únicas de qualidade e à medida que tenha quem forneça, pois pagam o que se pede.

Um exemplo local?
Nariãno é o melhor. Há muitos anos, descobriu-se que essa região era de uma qualidade particular e os compradores internacionais começaram a demandar esse produto. Além disso, fez-se um esforço para posicioná-lo como tal. Huila é outro exemplo.

Deveria, então, segmentar-se o mercado?
O que todos os exportadores fazem é buscar quem paga mais pelo café exportado. Muitos desses clientes exigem qualidades, processos produtivos, certificações ou certo tipo de valor agregado, pelo que estão dispostos a pagar mais.

E aceitam, por exemplo, qualidades inferiores?
Grãos pequenos, quebrados, com alguns níveis superiores (ao aceito) de broca, muito do que hoje é rechaçado. Há compradores que não se importam com as características físicas anotadas e aceitam; claro, castigando o preço, mas compram.

Existe mercado?
Para as qualidades “menos boas”, creio que sim, há mercado; essa é uma tarefa pendente que os empresários exportadores de café devem fazer.

Onde poderiam obter essas outras qualidades?
Por exemplo, em uns 200.000 hectares que têm potencial nas zonas marginais cafeeiras onde deixou-se de cultivar o grão por culpa da ferrugem e da broca.

Poderíamos produzir os cafés ‘naturais’?
Há zonas com escassez de água, como o departamento de Santander, onde lavar o café aumenta substancialmente os custos de produção. Em outros casos, por exemplo, as águas utilizadas para esses processos têm altos níveis de contaminação.

Haveria necessidade de mudar o modelo de negócio?
Sim. Quando o país produzia café sob o pacto mundial de cotas, as condições eram totalmente diferentes das de hoje. Seguimos com a mesma forma de trabalho, como se tivesse pacto. O mercado mundial mudou totalmente e não podemos seguir presos, usando as mesmas ferramentas de produção e comercialização que estiveram vigentes com o pacto que, a propósito, rompeu-se em 1989.

A reportagem é do http://www.portafolio.co, adaptada pelo CafePoint
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