As greves do setor cafeeiro e de caminhoneiros, que já duram 9 e 4 dias respectivamente, nas ruas da Colômbia, tem provocado desabastecimento nas cidades do sul e sudoeste do país, onde os preços do que restam de alimentos, combustíveis e medicamentos aumentaram.
Ambos os setores recorreram à greve para reclamar subvenções do Governo, com quem nem os produtores de café, nem os do setor de transporte, chegaram a um acordo. Como consequência desse caos, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, criou uma comissão de crise com quatro de seus ministros para que esses viajassem a partir da terça-feira para as regiões mais afetadas pelos protestos e para conhecer, assim, em primeira mão, a situação, que o ministro do Interior, Fernando Carrillo, classificou como “emergência humanitária”.
Santos enviou membros de seu gabinete a Cauca, Caquetá, Huila, Antioquia e Nariño. Até ministros que não têm muito a ver com o assunto tiveram que deixar suas agendas para se dirigir às regiões em “missão humanitária” para falar com autoridades locais e líderes de associações.
Da região de Popayán, centenas de pessoas e chefes de associações marcharam na segunda-feira para pedir ao presidente Santos medidas para desbloquear a via Panamericana. De acordo com fontes oficiais, uma das dificuldades para falar com os setores que mantiveram a greve apesar dos acordos que foram feitos com outros produtores no final de semana tem sido a falta de um porta-voz único.
Uma das grandes preocupações do Executivo é que os cafeicultores que seguem em greve estejam sendo “manipulados” por políticos, grandes produtores e, inclusive, por setores ilegais.
No início, falou-se em membros políticos com ideologias extremas, mas fontes do Governo disseram que um novo ingrediente estaria por trás dos bloqueios: grandes produtores de café com imensos inventários que estariam aproveitando as circunstâncias para melhorar seus grandes lucros.
“Não queremos como Governo que terminemos sendo cúmplices dos especuladores do grão de café que encontraram aqui uma oportunidade para tirar vantagem da situação”, disse o ministro do Interior. De acordo com o jornal El Tiempo, os promotores regionais da greve pertencem ou pertenceram a diferentes partidos políticos e alguns dizem que não têm filiação política. Em todo caso, todos afirmam fazer parte do Movimento Nacional pela Dignidade Cafeeira.
No entanto, não há um critério único sobre o preço que pedem pela carga de café, com alguns pedindo um preço de 670.000 pesos (US$ 370) por carga de 125 quilos, outros querendo um preço de sustentação de 700.000 pesos (US$ 385) e outros, ainda, querendo um preço de 750.000 pesos (US$ 413). Entretanto, a maioria dos dirigentes concorda nas críticas à Federação Nacional de Cafeicultores, dizendo que essa não os representa.
Desabastecimento
Os protestos se localizam em regiões do leste, nordeste, centro, sul e sudoeste da Colômbia, mas são as duas últimas regiões as mais afetadas pelo desabastecimento e encarecimento dos produtos. Por exemplo, em Cali, capital do departamento de Valle del Cauca, no sudoeste do país, a central de abastecimento somente recebeu 1.600 das 2.500 toneladas de alimentos que costuma receber, disse o diretor da central, Oliver Medina. Além disso, produtos como batata e ervilha sofreram altas de até 300%, enquanto o preço da amora e do abacaxi duplicou.
A Força Aérea levou às cidades de Florencia (Caquetá), no sul, e Cali, Popayán (Cauca) e Pasto (Nariño), no sudoeste, “medicamentos, oxigênio para hospitais, alimentos e combustíveis”, disse o comandante do Comando Aéreo de Transporte Militar, o general, José Francisco Forero.
A Força Aérea Colombiana (FAC) participou da evacuação de cerca de 190 pessoas, entre colombianos e estrangeiros, que estavam presas no departamento de Nariño, cuja capital é Pasto e faz fronteira com o Equador. Com isso, as autoridades peruanas e equatorianas puderam recolher em Cali os cidadãos de seus países com aviões próprios.
Em Pasto, foram suspensas as aulas por causa da falta de gasolina e das dificuldades dos pais para levar as crianças nas escolas. O desabastecimento de combustível nessa região tem levado o Governo colombiano a buscar um acordo para comprar gasolina do Equador, segundo confirmou a chanceler, María Ángela Holguín.
Os produtores de café exigem uma resposta do Governo diante da crise do setor, afetado pela valorização do peso colombiano frente ao dólar, por causa das pragas dos cultivos e do empobrecimento dos produtores.
Diálogo
O Governo e os líderes do setor cafeeiro voltarão a dialogar em busca de terminar com os bloqueios e, dessa vez, contarão com a mediação do vice-presidente, Angelino Garzón. Os diálogos serão retomados na quarta-feira em Pereira, segundo anunciou Santos, que disse que apesar de os diálogos até agora não terem sido “positivos”, está “convencido de que isso pode ser alcançado, porque conheço o humor dos cafeicultores”.
“Estou consciente da grave situação humanitária nas regiões do país por causa dos absurdos bloqueios”, disse Santos, que reiterou que respeita o protesto, mas deixando claro que é seu dever e obrigação constitucional garantir os direitos da população.
As informações são de Elmostrador.cl e de Eltiempo.com, traduzidas e adaptadas pelo CaféPoint.
Colômbia: desabastecimento se estende devido às greves do setor cafeeiro e de caminhoneiros
As greves do setor cafeeiro e de caminhoneiros, que já duram 9 e 4 dias respectivamente, nas ruas da Colômbia, têm provocado desabastecimento nas cidades do sul e sudoeste do país, onde os preços do que restam de alimentos, combustíveis e medicamentos aumentaram. Mas situação deve se equilibrar em breve devido ao término da greve dos caminhoneiros no final da tarde desta terça-feira.
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