Colheita segue para reta final com quebra de produção

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na terceira estimativa da safra brasileira de café, anunciada em setembro, previu uma produção de 45,85 milhões da sacas para este ano, 27,11% maior em relação ao ano passado, em função do ciclo bienual do café. Destaca-se aqui a produção de arábica, que deve aumentar 40,53% neste ano, de 25,096 para 35,268 milhões de sacas.

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De acordo com informações de agrônomos de entidades representativas do setor produtivo, há a percepção de que ocorre uma queda no rendimento dos grãos do café na hora do beneficiamento, sendo necessários até 35% mais café em coco para se compor uma saca beneficiada em algumas regiões. De acordo com técnicos, a quebra no rendimento é atribuída principalmente à forte estiagem de quase dois meses ocorrida no ano passado, que atrasou o início da colheita em um mês ou mais neste ano.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em sua terceira estimativa da safra brasileira de café , anunciada em setembro, previu uma produção de 45,85 milhões de sacas para este ano, 27,11% maior em relação à safra 2007/08 em função do ciclo bienual do café. Destaca-se aqui a produção de arábica, que deve aumentar 40,53% neste ano, de 25,096 para 35,268 milhões de sacas.

Tabela 1. Estimativa da produção brasileira de café na safra 2008/09.

Figura 1

Fonte: convênio Mapa, Spae, Conab

Minas Gerais

Sul

Segundo Marcelo Vieira, engenheiro agrônomo da Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança (Capebe), no sul de Minas Gerais, as chuvas dos últimos dias reduziram o ritmo dos trabalhos, que deverão se estender até meados de outubro. De acordo com Vieira, a colheita na região de atuação da cooperativa está em torno de 70%, mas o rendimento da safra está muito aquém do esperado.

"Conforme consulta da Capebe entre os cooperados, há quebra de 30% na safra em relação ao que se estimava inicialmente. A seca do ano passado trouxe muitos prejuízos, resultando agora em grãos miúdos, murchos e chochos, com má formação", disse Marcelo. Normalmente, são necessários 450 litros de café em coco para se formar uma saca de café beneficiado no sul de minas, mas neste ano o volume subiu para 550, até 600 litros.

A safra que vem também está ameaçada, já que a safra de 2009 será naturalmente inferior, de produção "baixa" dentro do ciclo bienual do café, que alterna safras cheias com produções menores. A chuva de granizo que caiu na região certamente afetará a safra 2009 por favorecer a queda de botões florais.

De acordo com o gerente de desenvolvimento técnico da Cooxupé, Joaquim Goulart, a estimativa de colheita para as áreas de atuação da Cooperativa é de 86,79% para o sul de Minas, 85,25% para São Paulo e 93.42% para o Cerrado. Na média, foram colhidos 89,26% ou 8.317.824 do total de 9.713.118 de sacas estimadas.

Segundo Goulart, está havendo sérias complicações com as floradas que se encavalam com a colheita. Em função da estiagem do ano passado houve grande prejuízo para a colheita, com notável quebra de produção, de até 30% em algumas regiões. "Se houve todos esses problemas neste ano, em que a maioria das lavouras da região esperavam safra cheia, espera-se para o próximo ano uma situação bem pior, ou seja, de menor produção", afirmou.

Ainda de acordo com o gerente, a disponibilidade de mão de obra se normalizou, apesar de continuar cara, com trabalhadores pedindo diária de até R$ 40,00. A recente chuva de granizo que caiu sobre áreas próximas à represa de Furnas, como nos municípios de Campo do meio, Alfenas e Campos Gerais também trarão prejuízos para a próxima safra. "Mais de 2000 hectares de café foram atingidos apenas em Campos Gerais, 800 dos quais pertencentes ao nossos cooperados", afirmou.

Segundo Mário Panhota, gerente comercial da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), a comercialização não mudou quase nada nesta última semana, estando 45% da safra comprometida em CPRs. "As vendas continuam retraídas, e o volume de oferta está bastante reduzido. Só vende quem assumiu compromissos anteriores. Mesmo assim, se puder, o produtor prefere tomar dinheiro emprestado a juros baixos no Banco", disse.

"Apesar da subida do dólar, caíram os preços do café no mercado internacional, e por fim, o valor da saca no mercado físico, em Reais, não se alterou", completou Panhota, reforçando que o cafeicultor está segurando o produto diante da insegurança do mercado financeiro disparada pela crise de crédito americana.

Nordeste

De acordo com Marcos Antônio dos Reis Teixeira, gerente administrativo da Cooperativa dos pecuaristas, agricultores e cafeicultores de Minas Gerais (Copacafé), na filial de Capelinha, região da Chapada, a colheita de café atingiu 75% nesta semana. Os trabalhos estão ainda mais atrasados do que no sul de Minas, por causa da estiagem do ano passado, que somente trouxe as primeiras chuvas para a região no mês de novembro.

Segundo Teixeira, os pequenos produtores já terminaram a colheita, ainda que em algumas propriedades houvesse grãos um pouco verdes. Os grandes produtores, entretanto, ainda estão colhendo sua safra, com o auxílio de máquinas colhedoras. Há fiscalização das leis de trabalho pelo ministério público e reclamação geral de que falta mão de obra na região.

"O mercado interno encontra-se bastante travado, e os exportadores seguem aguardando crédito. Os produtores, por sua vez, esperam para negociar o café nos meses de dezembro e janeiro, na espectativa de preços melhores. Só vende quem assumiu compromissos e precisa de dinheiro", disse Marcos.

Conforme consenso de reunião realizada no mês de agosto, Copacafé, engenheiros agrônomos locais e agentes da Conab, Emater e IBGE divulgaram que a produtividade média na região encontra-se em torno de 18,64 sc/ha e a produção esperada de café é de 304.140 sacas beneficiadas. O levantamento considerou os 7 principais municípios cafeeiros da região, incluindo Capelinha, Turmalina e Água Boa, nos quais foram avaliados 14.270 hectares de lavouras de café em produção.

Zona da Mata

Segundo Paulo Tavares, gerente de comercialização da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Caratinga (Coopercafé), na Zona da Mata de Minas Gerais, a colheita de café na região está praticamente encerrada, com mais de 95% da área colhida. Sobre o rendimento das lavouras, Tavares afirma que em algumas poucas propriedades acima de 900 metros de altitude, o rendimento está um pouco maior, enquanto que outras propriedades apresentam uma pequena quebra, mas na média, o rendimento está dentro do normal.

"Os produtores vendem um pouco para honrar os compromissos, mesmo insatisfeitos com os preços. O dólar subiu muito, mas essa alta não foi repassada para o mercado físico, então os preços do café também não mudaram", disse Tavares a respeito da comercialização do produto na região. Segundo ele, 67% já foram comercializados ou comprometidos por meio de CPRs e negócios futuros.

Cerrado

De acordo com o engenheiro agrônomo Acácio José Dianin, consultor da AgroCafé, faltam colher aproximadamente 5% da safra de café na região do Cerrado, sendo que dos 95% colhidos, 80% já se encontram beneficiados. Os trabalhos praticamente se limitam à colheita de varreção, que deve terminar até o dia 15 de outubro. Segundo Dianin, a informação que se tem na região é de que há quebra de até 10% na produção.

"Neste ano houve muita reclamação com mão de obra, que esteve cara e escassa. Tivemos também alta demanda por máquinas agrícolas, tanto colhedeiras como recolhedoras", afimou. Segundo o presidente do Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Caccer), Francisco Sérgio de Assis, aproximadamente 50% da safra está comprometida com troca por insumos, negócios futuros e CPR, com muito pouco negócio no mercado físico.

São Paulo

Alta Mogiana

Segundo Anselmo Magno de Paula, gerente de comercialização da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca (Cocapec), mais de 95% já foram colhidos até o momento. Entretanto, a peneira está um pouco baixa quando comparada a outros anos. Segundo Anselmo, a quebra no rendimento é de 15% na região de atuação da cooperativa. "A Cocapec esperava receber um pouco mais de 1,5 milhão de sacas de café nesta safra, mas pelos nossos cálculos, as entregas na cooperativa não devem passar de 1,3 milhão", afirmou.

De acordo com o gerente, houve evolução da comercialização, que esteve parada por um bom tempo, e atualmente estima-se que 30% da safra nova já tenha sido entregue com o vencimento de contratos futuros e CPRs (Cédula de Produto Rural), principalmente nos meses de agosto e setembro.

Centro Oeste

Segundo Aurélio Giroto, engenheiro agrônomo da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília (Coopermar), restam menos de 5% dos cafezais para serem colhidos. "A colheita de fato está quase finalizada, mas tem muito café no chão que ainda está sendo recolhido", disse. E, enquanto a granação do café que chega à cooperativa é boa, "o café está vindo muito seco da lavoura, com menos de 10% de umidade, podendo afetar um pouco no rendimento", afirmou.

Já a comercialização do produto na região durante esta semana esteve praticamente parada, com as turbulências do mercado externo e também enquanto o produtor aguarda o Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor). Até o momento, estima-se que 15% da produção tenha sido negociada por meio de CPRs e negócios futuros. Da safra passada (2007/08), estima-se que ainda restam 5% a serem comercializados.

Segundo fontes que pediram para não serem identificadas, já não é mais a hora de o governo fazer leilões de Pepro. "Os leilões deveriam sair no início do ano. O dinheiro agora deveria vir para o produtor planejar a comercialização", disse. "Nem sei se isso é uma boa idéia. Acredito que em pleno século XXI há várias maneiras de planejamento, de garantir preços bons, como opções de hedge ou mercado futuro. O Pepro virou um lobby de 3 ou 4 cooperativas", criticou outro.

Paraná

Conforme o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), a colheita da safra 2008 de café no estado atingiu 92% e a comercialização está em torno de 40%. Segundo a última estimativa de produção do Deral, o Paraná deverá produzir 2,5 milhões de sacas de café.

Bahia

Segundo o presidente de honra da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes de Araújo, o índice de colheita é de 80%, para uma produção estimada em 2,4 milhões de sacas. A Conab estima que a produção de café na Bahia será em torno de 2,12 milhões, mas segundo Lopes, a Companhia não considerou o crescimento da área plantada de conilon no sul do estado, que devido aos bons índices de precipitação teve produção recorde de até 190 sacas/ha neste ano.

O presidente da Assocafé destaca também que nas últimas semanas a colheita esteve atrasada tanto nas áreas de sequeiro como nas irrigadas. "A colheita normalmente termina em julho, mas o atraso das floradas no ano passado estenderam os trabalhos neste ano", disse. Segundo Lopes, o rendimento na hora do beneficiamento está normal e não há quebra de produção, devido principalmente ao excesso de chuvas registradas no início do ano, que garantiram a floração.

De acordo com Araújo, a comercialização avançou um pouco, apesar dos preços continuarem desfavoráveis. Segundo ele, 50% da safra já foi entregue para a indústria ou em cumprimento de contratos vencidos, e outros 25% já estão comprometidos em CPR e contratos de exportação, com entrega prevista para os meses de outubro e novembro. Ainda restam 50 mil sacas da safra passada para serem vendidas.

Espírito Santo

A quebra na safra de café conilon do Espírito Santo pode efetivamente chegar aos 40% em relação à expectativa de safra deste ano. A avaliação parte do presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), Antônio Joaquim de Souza Neto. Segundo estimativa da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), o estado deveria colher 7,85 milhões de sacas em 2008, mas de acordo com Joaquim, não passará de 5 milhões.

"Se esperava bem mais da safra, as lavouras estavam bonitas, os produtores trataram-nas melhor no último ano, com trato cultural diferenciado e mais adubo aos cafezais, mas a seca do ano passado prejudicou bastante a safra deste ano", declarou o presidente. À medida que evoluíram colheita e beneficiamento, os grãos apresentaram-se mais miúdos, com perda visível do rendimento.

Em São Gabriel, em consulta a dezenas de produtores, verificou-se uma quebra média de 37%; em Nova Venécia, a perda indicada foi de 38%; em Vila Valério, 32%; e em Águia Branca, 42%, entre outros resultados insatisfatórios. Marcus Magalhães, da Maros Corretora, entretanto, acredita numa quebra de safra menor: "no geral, entre conilon e arábica, penso que a quebra do rendimento pode ficar em uns 15% na média", afirmou o corretor.

Segundo Marcus, 95% da safra de arábica do estado já foi colhida. Quanto à comercialização, o mercado segue muito calmo, com sensação de que o momento é de entressafra. Ele indica que de 55 a 60% da safra nova de conilon e cerca de 30% do arábica já foram comercializados de forma física ou para entrega futura.

Na avaliação de Magalhães, um dos principais problemas desta safra foi a dificuldade de encontrar mão de obra, que também estava cara. Segundo ele, o produtor capixaba está à espera de um milagre de preços, mas não há perspectivas de melhoras, enquanto em Minas, há muita expectativa em torno do Pepro.

Marcus também citou os impactos da crise americana para o setor, alertando para o aumento da dificuldade de crédito por parte dos bancos. "Há exportadores querendo realizar operações de exportação, como a ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio), mas os bancos estão sem linhas de crédito pra tal", disse. "Com isso, a maioria dos produtores está fora do mercado", completa.

Os exportadores brasileiros de commodities agrícolas estão vendo os juros das operações de crédito atreladas ao fechamento de câmbio darem um salto desde que a crise financeira global se acentuou, o que tem atrapalhado os negócios e diminuído o apetite exportador. No ano passado, os juros da ACC eram de 4,5%, mas alguns bancos atualmente estão pedindo até 14,5% ao ano. O prazo de pagamento que era de seis meses, agora também aumentou para um ano.

Segundo o governo, estão sendo tomadas medidas preventivas para o setor de agronegócios, diante da preocupação com o risco de a escassez de crédito internacional comprometer a safra agrícola de 2009. Com informações de Laura Ruschel e Lessandro Carvalho, da Agência Safras.
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Marco Antônio da Costa
MARCO ANTÔNIO DA COSTA

PARAGUAÇU - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 21/10/2008

Ótimo, continuem colocando dados estatísticos.