Colheita: quem não tem maquinário próprio pode alugar

O aluguel de máquinas, sobretudo de colhedoras, tem se mostrado uma opção interessante para quem não tem maquinário próprio. Além disso, produtores que possuem colhedora obtêm renda extra alugando-a. O produtor Antônio José de Oliveira Costa, de Dois Córregos (SP), diz que decidiu investir em colhedora própria depois de "experimentar" a mecanização com equipamentos alugados.

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O aluguel de máquinas, sobretudo de colhedoras, tem se mostrado uma opção interessante para quem não tem maquinário próprio. Além disso, produtores que possuem colhedora obtêm renda extra alugando-a. O produtor Antônio José de Oliveira Costa, de Dois Córregos (SP), diz que decidiu investir em colhedora própria depois de "experimentar" a mecanização com equipamentos alugados.

"Vi que valia a pena. Pesquisei o modelo mais adequado para o plantio adensado e escolhi um modelo compacto, ideal para a minha área." Segundo Costa, a possibilidade do aluguel ajudou na decisão pela mecanização da lavoura. "O aluguel custou, no último ano, R$ 180 a hora, já com o operador."

Em Franca (SP), embora a colheita comece só em junho, as reservas para o aluguel de máquinas começam a ser feitas este mês. "A procura começa em fevereiro, pois a colheita dura só três meses", diz o cafeicultor Geraldo Nascimento Júnior, de Itirapuã (SP). Dono de uma colhedora automotriz desde 2002, ele passou de locatário a locador. "Logo que comprei a máquina já houve demanda para alugá-la."

Serviço completo

Nascimento Jr. possui 120 hectares de café (a lavoura é quase 100% mecanizada), e aluga a colhedora, a cada safra, para dez cafeicultores. Fornece também transporte, operador, combustível e manutenção do equipamento. "Com o aluguel, a colhedora também não fica ociosa", diz o produtor, que, no ano passado, cobrou R$ 200/hora o aluguel. A colhedora, que vale entre R$ 400 mil e R$ 450 mil, conforme o proprietário, colhe 4.200 litros de café cereja/hora ou 8 a 9 sacas de café beneficiado/hora. "Em uma hora ela faz o serviço de um dia."

Para que o aluguel seja compensador, o primeiro critério a ser considerado é a distância entre as fazendas, diz o produtor José Balsanufo de Paula, de Jeriquara (SP), que colhe com maquinário alugado de um produtor vizinho há sete anos. Com área de 70 hectares, ele paga entre R$ 170 e R$ 200/hora de aluguel. "Se a lavoura for propícia para ser mecanizada, com espaçamento e declividade adequados, o custo cai pela metade e o investimento compensa."

Outra dica é, ao contratar o serviço de aluguel, elaborar um contrato, com a definição de preço, data de início e prazo de execução do trabalho. "Lembrando que os prestadores, em geral, trabalham no mínimo 15 horas/dia, o que corresponde a um volume médio diário de café colhido de 54 mil litros, a serem recebidos nos terreiros e secadores. É preciso se programar", diz o professor Fábio Moreira da Silva, da Universidade Federal de Lavras (Ufla-MG).

O pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-Apta), Cláudio Alves Moreira, diz que a alternativa é interessante, mas alerta para o fato de o serviço remunerar o dono da máquina por horas trabalhadas ou volume colhido, "já que a máquina não pode operar em alta velocidade ou com excessiva energia de vibração das hastes derriçadoras. Isso prejudica o cafeeiro para a próxima safra", diz.
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