CNC emite balanço de 2007 e perspectivas a 2008

Apesar da apreensão que vive o produtor de café no Brasil, devido ao fato do governo não ter divulgado a solução definitiva para resolver o elevado grau de endividamento do setor e ao menor recebimento, em real, pelo produto, o ano de 2007 teve pontos positivos para nossa cafeicultura. Isso porque tivemos um orçamento maior do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) para as linhas de financiamento e, pela primeira vez, a realização de leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) para a cultura, entre outros fatores.

Publicado por: CaféPoint

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O ano passado teve pontos positivos para a cafeicultura, merecendo destaque o significativo orçamento do Funcafé e a realização dos leilões de Pepro.

Apesar da apreensão que vive o produtor de café no Brasil, devido ao fato do governo não ter divulgado a solução definitiva para resolver o elevado grau de endividamento do setor e ao menor recebimento, em real, pelo produto, o ano de 2007 teve pontos positivos para nossa cafeicultura. Isso porque tivemos um orçamento maior do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) para as linhas de financiamento e, pela primeira vez, a realização de leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) para a cultura, entre outros fatores.

Esperava-se o anúncio da solução definitiva do endividamento da cafeicultura no dia 28 de dezembro, mas em função da votação relativa ao futuro da CPMF, a pauta ficou travada no Congresso Nacional e a divulgação do pacote, que deveria ser apresentado pelos ministros Reinhold Stephanes (da Agricultura), Guido Mantega (da Fazenda) e Guilherme Cassel (do Desenvolvimento Agrário) - conforme Aviso nº 498/GM-MAPA, através do qual se comprometeram a encontrar uma solução realista para o endividamento agrícola -, foi adiada.

Já os preços internacionais do produto brasileiro subiram substancialmente no ano passado. De acordo com dados da OIC (Organização Internacional do Café), a cotação média dos cafés Brasileiros Naturais, na praça de Nova Iorque, foi de US$ 1,1072 por libra peso em 2007, implicando em uma alta de 7,61% frente ao US$ 1,0289 por libra peso registrado no ano anterior.

Entretanto, quando esses valores são convertidos para reais, notamos que os produtores brasileiros de café não se beneficiaram do avanço. Pelo contrário, receberam menos do que em 2006, uma vez que, naquele ano, o dólar comercial teve média de *R$ 2,176, enquanto, em 2007, a moeda norte-americana teve cotação média de *R$ 1,948 (*Cotações do Banco Central do Brasil).

Ainda no ano passado, tivemos um expressivo orçamento de R$ 2,026 bilhões do Funcafé para as quatro linhas de financiamento: estocagem (R$ 850 milhões), colheita (R$ 450 milhões), custeio (R$ 426 milhões) e FAC - Financiamento para Aquisição de Café (R$ 300 milhões). Porém, devido ao elevado grau de comprometimento de suas garantias, infelizmente apenas 60% dos recursos foram efetivamente alocados para os produtores.

Por outro lado, o destaque positivo de 2007 ocorreu no dia 31 de maio, quando o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Silas Brasileiro, anunciou o lançamento do Pepro para 5 milhões de sacas de café. Foram destinados R$ 200 milhões das 2OC (Operações Oficiais de Crédito) para o programa, que visa cobrir, ao menos, os custos de produção e, também, incentivar os cafeicultores a escoar seu produto em patamares economicamente sustentáveis.

Como os custos de produção se encontram em níveis bastante elevados para a cafeicultura, o Pepro foi realizado em momento extremamente oportuno, uma vez que gerou aumento de renda de até R$ 40,00 por saca para os produtores que participaram dos leilões.

Segundo dados da "Avaliação das condições de rentabilidade, do perfil do endividamento e da capacidade de pagamento da cafeicultura em Minas Gerais" - trabalho realizado pela empresa de consultoria Agroconsult, a qual foi contratada por convênio firmado entre CNC e Ministério da Agricultura -, os custos variáveis da produção cafeeira oscilam, dependendo do sistema de produção e da forma do trabalho realizado, sendo ele manual ou mecânico, conforme detalhamento do quadro abaixo:

Figura 1

A iniciativa do CNC ao contratar esse trabalho junto à Agroconsult foi de grande valia ao setor, pois os resultados apresentados demonstraram ao governo a real situação da cafeicultura brasileira, que vem comercializando suas safras por valores abaixo dos custos de produção; e, nesse sentido, suas conclusões proporcionaram amparo técnico para pleitear mecanismos que permitam o equacionamento do passivo dos produtores.

Perspectivas para 2008 - Neste ano, os preços do café tendem a permanecer firmes no mercado internacional, uma vez que oferta e demanda estão bastante ajustadas. No entanto, precisamos da utilização de ferramentas que gerem renda à produção, uma vez que a atual política cambial retira os ganhos dos cafeicultores. E, sem rentabilidade, torna-se impossível para o produtor brasileiro atender às demandas interna e externa.

No último dia 8, Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e órgãos conveniados anunciaram o primeiro levantamento oficial para a safra 2008 de café do Brasil. Segundo os dados apresentados, o país produzirá entre 41,288 milhões e 44,174 milhões de sacas de 60 kg, volume que implica em uma alta de 22,37% a 30,92% na comparação com as 33,740 milhões de sacas colhidas no ciclo 2007/2008.

Com esses números, o Brasil ainda conseguirá manter, em 2008, seus níveis de exportação, também atendendo ao consumo interno. No entanto, caso não haja uma política de geração de renda para os produtores, a tendência é que os níveis dos embarques sejam reduzidos gradativamente a partir de 2009.

Em 2007, o Brasil remeteu 28 milhões de sacas ao exterior e, para este ano, a previsão é que sejam embarcadas 27 milhões de sacas, conforme números do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Já o consumo foi projetado pela Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) em 17,1 milhões de sacas no ano passado. Para 2008, a entidade prevê que sejam consumidas pouco mais de 18 milhões de sacas, com o país mantendo um percentual de crescimento superior ao mundial.

Tendo em vista esses dados e a virtual redução das exportações, o Brasil precisará de uma política de escoamento mais ordenado nas safras subseqüentes. Para isso, o governo deve utilizar instrumentos de política agrícola que se focam no equilíbrio da oferta brasileira e na rentabilidade dos produtores para os próximos anos, a qual permita a recuperação futura da produtividade do parque cafeeiro e dos níveis de produção necessários para manter o market share atual. Os cafeicultores precisam ter renda para conseguir produzir o demandado pelos mercados interno e externo e, também, para que não se torne impossível a permanência na atividade.

Um bom sinal de que 2008 poderá ser positivo à cafeicultura brasileira foi a aprovação da proposta orçamentária de R$ 2,561 bilhões do Funcafé para este ano. Desse total, R$ 2,442 bilhões são destinados aos financiamentos para custeio, colheita, estocagem e pré-comercialização, o que possibilitará uma distribuição mais ordenada da próxima safra.

Por fim, para assegurar as sustentações econômica e social da atividade, é preciso se focar em dois pontos fundamentais: o equacionamento do passivo do setor e a utilização de instrumentos de política agrícola que permitam a geração de renda, vista como essencial para o cumprimento do serviço da dívida, e, ao mesmo tempo, para o desenvolvimento da cafeicultura com investimentos que assegurem o aumento produtivo necessário para atender à crescente demanda dos mercados.

Gilson Ximenes
Presidente
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