CNC critica sondagem de café divulgada pela Safras & Mercado
A empresa de consultoria Safras & Mercado divulgou sua primeira sondagem sobre a safra de café 2008/2009, na qual apontou a produção entre 47,6 milhões e 49,9 milhões de sacas de 60 kg. No entanto, essa sondagem está sujeita à grande margem de erro, uma vez que a florada abriu tardiamente e, no presente momento, observa-se uma grande desuniformidade no desenvolvimento dos grãos, não sendo possível avaliar o percentual de abortamento que poderá ocorrer.
A empresa de consultoria Safras & Mercado divulgou sua primeira sondagem sobre a safra de café 2008/2009, na qual apontou a produção entre 47,6 milhões e 49,9 milhões de sacas de 60 kg. Os números foram divulgados na tarde desta quarta-feira (05/12) e, conforme a empresa, foram obtidos através de levantamento junto a produtores, agrônomos, técnicos, cooperativas e secretarias de Agricultura, entre outros órgãos das regiões cafeeiras do país.
No entanto, essa sondagem está sujeita à grande margem de erro, uma vez que a florada abriu tardiamente e, no presente momento, observa-se uma grande desuniformidade no desenvolvimento dos grãos, não sendo possível avaliar o percentual de abortamento que poderá ocorrer.
O fenômeno é confirmado por Antônio Wander Garcia, engenheiro agrônomo da Fundação Mapa/Procafé, para quem a quebra na próxima safra, em relação à expectativa inicial, pode ser atribuída a dois fatores principais: a forte estiagem ocorrida nas principais áreas produtoras de café, entre maio e outubro, a qual elevou o déficit hídrico para níveis superiores a 300mm - o dobro do que o cafeeiro suporta sem registrar perdas -; e às altas temperaturas registradas durante o dia em pleno inverno, o que causou o aumento da amplitude térmica.
Antônio Wander criticou a falta de fundamentação científica nos números apresentados pela empresa de consultoria. Além disso, relatou que, recentemente, a Fundação Mapa/Procafé realizou uma medição na evolução da florada. Nesse levantamento, apontou-se que, em condições normais, 50% das flores se transformam em frutos até o final do ciclo de granação. Entretanto, nas áreas pesquisadas pelos agrônomos da Fundação - que correspondem a 70% das regiões Sul e Oeste de Minas Gerais -, apenas 30% das flores evoluíram para grãos, percentual este que poderá diminuir ainda mais até a etapa de maturação do fruto.
Devido a isso, o agrônomo expôs que os produtores vêm demonstrando grande decepção em relação à próxima safra, a qual, de acordo com ele, só terá uma avaliação mais segura a partir de fevereiro de 2008.
Gilson Ximenes Presidente do CNC
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PAULO HENRIQUE VALADÃO
PEDREGULHO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 02/01/2008
Boa tarde. Achei uma falta de responsabilidade da empresa pela divulgação desta matéria. Peça para vir fazer uma avaliação na região da alta mogiana. A maior perda de frutos está aqui na nossa região, muito afetada pela seca. Com esta avaliação somos cafeicultores afetados.
ISRAEL
ROMARIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 28/12/2007
Acho muito prematuro qualquer avaliação nesse momento, porque na região de Monte Carmelo e Romaria só as lavouras irrigadas que apresentam algum pegamento melhor, mas mesmo assim, está ocorrendo uma grande queda de chumbinhos. Enquanto que as lavouras de sequeiro só mostram alguns frutos nos ponteiros.
CARLOS EDUARDO DE ANDRADE
VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 11/12/2007
A CNC está coerente. Em relação a divulgação de safra feita pela empresa Safras & Mercado, escrevi o artigo "A falsa florada das lavouras de café", publicado neste site na seção espaço aberto.
CLEITON SARGAÇO
CAMPESTRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 10/12/2007
Acho muito fácil as pessoas que não vivem do café falarem em estimativas de safra numa hora dessas, quando as lavouras sofreram bastante com a falta de chuvas e altas temperaturas. Agora quem está sofrendo somos nós que vivemos do café e somos obrigados a escutar essas coisas. Papel aceita tudo, mas as lavouras não aceitam desaforo.
CARLOS ROBERTO PICCIN
PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 09/12/2007
Acho prematuro falarmos em números na atual situação. A previsão anunciada é mera especulação e sem fundamentos técnico-agronômicos, pois reafirmo que flor não significa fruto. Concordo com o Antônio Vander, que somente a partir de janeiro/08 poderemos sim realizar alguma estimativa mais concreta e realista para a safra 2008.
Os tratos culturais, principalmente a nutrição via solo e foliares, estão atrasadas, o que pode ter efeitos ainda negativos na produção
JOÃO CARLOS REMEDIO
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 08/12/2007
Gostaria de saber quantos cafeicultores conseguirão sobreviver na atividade o ano que vem? Não bastassem as adversidades climáticas, tratos culturais precários, endividamentos, dólar na lata do lixo, somadas a previsões de safras pouco confiáveis, dificilmente o cafeicultor resistirá. A cafeicultura brasileira está à "espera de um milagre".
HENRIQUE DE SOUZA DIAS
SERRA DO SALITRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 08/12/2007
Essas previsões de safra de café, em minha opinião são feitas sem informações confiáveis, principalmente pela baixa capilaridade dos informantes e, como agora, têm um "timing" inadequado. Não é hora de se fazer previsões, é muito cedo e está sendo uma safra muito difícil de analisar, pelo clima "maluco". É certo que caíram muitos chumbinhos, mas a área de café do Brasil é enorme. Acho impossível e muito arriscado falar qualquer número agora.
S&M faz um esforço muito importante pela agropecuária nacional, mas esses ajustes são indispensáveis. Esta previsão causou baixas momentâneas na NYBOT e poderá ainda prejudicar no futuro.
MANOEL RABELO PIEDADE
TRÊS PONTAS - MINAS GERAIS - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA
EM 07/12/2007
Fomos surpreendidos por esta previsão da Safras & Mercados estimando a safra 2008/09 em torno de 47,6 a 49,9 milhões de sacas. A nosso ver esses números não correspondem à realidade, uma vez que flor não significa fruto. Está muito cedo para fazer uma análise real e qualquer avaliação que for feita deve ser com metodologia adequada, e não por ouvir dizer. Gostaria de solicitar a Safras & Mercado que esclarecesse qual foi o método adotado, se foram a campo fazer a verificação "in loco", de quantos técnicos dispõe em seu quadro de colaboradores, quem foi consultado, quantas cooperativas e associações foram ouvidas. Por fim, é de conhecimento de todos que já dispomos de órgãos oficiais encarregados de efetuar as previsões de safra. Esta notícia fora de hora só serviu para tumultuar o mercado.
SERGIO MORAES GONÇALVES
CARATINGA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 07/12/2007
Trabalho na região leste de Minas Gerais e o que observamos nos últimos quatro meses foi uma grande desfolha devido à falta de chuvas e duas floradas muito boas. O mesmo observei na região de Capelinha, onde a seca foi mais intensa e as melhores lavouras são as irrigadas, porém, a florada foi retardada. Não podemos esquecer que as plantas precisam de folhas para manter os frutos. Creio que, na atual situação, qualquer previsão acima de 40 milhões provém de verdadeiros "chutes" de quem não está observando "in loco" a real situação das lavouras. As chuvas estão muito atrasadas em diversas regiões e não podemos esquecer que muitos produtores estão na segunda safra baixa consecutiva, o que acarretou em diminuição dos tratos, acentuando ainda mais a crítica situação de desfolha.
Saudações.
GILBERTO GUARIDO
CAMPO MOURÃO - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 06/12/2007
Gostaria muito de saber da Safras & Mercados de quanto seria a estimativa de safra se as condições climáticas tivessem sido normais neste ano. É provável que o número seria um recorde de produção.
Considerando as lavouras que conheço no Paraná, não é só o clima que explica a redução de produtividade, mas principalmente o baixo investimento em função dos preços recebidos nos últimos anos. É possível obter recorde de produção com estas condições, ou em Minas Gerais é diferente?
MILTON MELO SILVEIRA
CÁSSIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 06/12/2007
Também nos municípios de Cássia, Ibiraci e Capetinga há uma grande frustração por parte dos cafeicultores com relação ao pegamento das floradas. Nas lavouras, mesmo aquelas que se apresentavam bem enfolhadas na época da floração, em especial nas localizadas abaixo dos 900 metros de altitude o pegamento se limitou aos ponteiros dos pés de café. Nas regiões altas, acima de 900 m, em solos de boa fertilidade e bem manejados, em especial nas lavouras mais novas, houve até o momento um pegamento mais satisfatório. Ainda é cedo para quantificar a próxima safra, mas com certeza a impressão de safra alta quando da abertura da florada já foi desfeita.
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