CNC contesta previsão de safra do USDA

O CNC (Conselho Nacional do Café), entidade que representa os cafeicultores do Brasil, manifesta surpresa e insatisfação para com a estimativa da produção de café do Brasil divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), no dia 19 de novembro. A diferença apresentada pela projeção do USDA em relação à da CONAB, de 5,25 milhões de sacas, corresponde à colheita do quinto maior produtor de café do mundo.

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O CNC (Conselho Nacional do Café), entidade que representa os cafeicultores do Brasil, reconhecida pelo Governo e membro do CDPC (Conselho Deliberativo da Política do Café), cujo presidente é o Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, manifesta surpresa e insatisfação para com a estimativa da produção de café do Brasil divulgada pelo adido agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United States Dapartment of Agriculture - USDA), na quarta-feira, dia 19 de novembro de 2008.

Essa contestação se deve ao fato de que o café é uma cultura que emprega enorme contingente de mão-de-obra no país, disponibilizando 8,4 milhões de postos de trabalho, em aproximadamente 390 mil propriedades, distribuídos nos mais de 1.900 municípios cafeeiros do Brasil. É sabido por todos que o setor vem, ao longo dos últimos anos, passando por sucessivas crises em sua economia, motivadas por preços de comercialização abaixo dos custos de produção. Na formação dos preços do produto, enumeramos quatro fatores primordiais: a expectativa a respeito das safras futuras; a relação entre oferta e demanda; as previsões climáticas e seus possíveis impactos; e a posição dos fundos de investimento nas bolsas de mercadorias internacionais.

Nesse contexto, fica evidente a importância de estatísticas confiáveis e os impactos destes números no mercado. O setor de produção do Brasil amargou pesados prejuízos no passado recente devido a informações tendenciosas de diversos agentes que divulgaram números de produção de café futura sem o mínimo embasamento técnico-científico. Por esta razão, o Conselho Deliberativo da Política do Café decidiu apoiar e alocar recursos do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) para que a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) aprimorasse sua tecnologia e, consequentemente, ampliasse a credibilidade de suas previsões, reduzindo as especulações e os prejuízos aos produtores.

Com efeito, as projeções realizadas atualmente pela estatal são feitas com tecnologia de ponta, utilizando-se do processo de georeferenciamento, que apura a safra por meio de fotos dinâmicas feitas por satélites, e ainda com a utilização de um contingente de aproximadamente 250 técnicos, que visitam periodicamente inúmeras propriedades e as principais cooperativas de café em todos os Estados produtores do Brasil.

A estimativa divulgada pelo USDA nesta semana, de 51,1 milhões de sacas para produção de café em 2008, apresentou um aumento de 11,45% em relação ao último levantamento apurado pela Conab, divulgado em setembro de 2008, que previu a produção de café do Brasil para a safra atual em 45,850 milhões de sacas. A diferença apresentada pela projeção do USDA em relação à da CONAB, que é de 5,250 milhões de sacas, corresponde à colheita do quinto maior produtor de café do mundo.

Como a ação dos fundos de investimento nas bolsas internacionais - principalmente em Nova Iorque no que se refere ao café arábica - tem peso significante e decisivo no desempenho dos contratos futuros, a previsão do USDA certamente interferirá de modo negativo, uma vez que sugere um excedente de café no balanço entre oferta e demanda mundiais, prejudicando, uma vez mais, as cotações a serem pagas aos cafeicultores, já que a bolsa nova-iorquina serve como referencial aos preços praticados no mercado interno.

Isto posto, vimos a público solicitar que o órgão governamental norte-americano apresente a metodologia da sua apuração de safra, pois não é provável, muito menos possível, que os números expostos pela Conab estejam defasados de tal forma como sugerem os dados mostrados pelo USDA. Isso se faz necessário para que sejam evitados novos prejuízos especulativos ao setor produtivo da cafeicultura brasileira, o qual vivencia sucessivas crises em sua economia.

Gilson Ximenes
Presidente
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Luiz Augusto Pollo
LUIZ AUGUSTO POLLO

ALPINÓPOLIS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 03/12/2008

Parabéns, Sr. Gilson Ximenes, pela sua interpelação sobre os dados divulgados pela USDA, e mais, se não o fizerem, interpele-os de forma oficial. Este pessoal tem que, de uma forma ou outra, ter respeito por nossas Instituições.

Isaac Silva Figueira
ISAAC SILVA FIGUEIRA

VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 29/11/2008

Nós temos de ser realistas, peço ao CaféPoint que divulgue as ultimas previsões ANUAIS de safras feita pela USDA E A CONAB, confrontando com a produção real para podermos comparar quem está com a metodologia mais correta.

ESSA INFORMAÇÃO É MUITO IMPORTANTE E NÃO PODEMOS MANIPULAR.
ANTONIO AUGUSTO REIS
ANTONIO AUGUSTO REIS

VARGINHA - MINAS GERAIS

EM 28/11/2008

Como estamos na fase final de colheita/entrega dos produtos (poucos são os produtores que deixam cafés armazenados nas propriedades por medo de roubo), o número da produção brasileira certamente estará disponível em breve e com uma boa confiabilidade.

Hoje, já temos até município decretando estado de emergência, como é o caso de Três Pontas-Sul de Minas, onde atuam duas grandes cooperatativas de café arábica do país (COCATREL e UNICOP) com um giro anual de quase 2 milhões de sacas (mais de 4% da produção brasileira), em decorrência de quebra de safra provocada pela seca do ano passado - em torno de 35% além do estimado.

Após levantado o percentual da quebra, e por consequência o nº da safra brasileira, ficando comprovado ser este nº bem abaixo, inclusive do nº da própria CONAB (45 milhões), das previsões da safra recentemente apresentado por ambas entidades, acho que aí sim caberia ao governo brasileiro e não ao CNC, promover uma interpelação junto ao USDA (51 milhões).
João Carlos Remedio
JOÃO CARLOS REMEDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 23/11/2008

É criminosa esta previsão feita pelo USDA em relação a produção de café safra 2008. Acredito que a própria previsão da CONAB já deveria ser corrigida para baixo. A maioria dos produtores tiveram redução em suas colheitas. Poucas propriedades colheram 100% sua produção, pois, com os preços praticados, o café estava saindo mais que comprado.

Se temos palpites de fora em nossas previsões é porque as daqui são pouco confiáveis. Para sermos respeitados na cafeicultura como em qualquer outra atividade, temos que conquistar respeito. E será que temos feito tudo certo para merecê-lo?

A cafeicultura está devastada, jogada na lata de lixo. O produtor está empobrecido, desacreditado em seu governo, em seus representantes. A cafeicultura já vinha em crise a tempos, muito mais agravada agora. E o quê nosso governo tem feito para nos ajudar? Apenas rolando dívidas, como se um dia não tivéssemos que pagá-las.

Não é isso que qualquer produtor quer. O que queremos é que nosso produto tenha um preço que nos dê condições para continuarmos na atividade. As promessas para a cafeicultura parecem ser de "mentirinha". Pepro, retenção de 6 milhões de sacas, entre outras, só nos faz perder mais credibilidade perante o mundo.

A cafeicultura é uma atividade séria que está perto de um colapso. Precisamos de um governo forte, confiável e que esteja realmente afim de nos ajudar, pois, ajudando a cafeicultura estará também ajudando o país. Um desempregado na indústria automobilística, na cafeicultura ou em qualquer outra atividade , será um desempregado. Não têm desempregado mais importante que outro, ou tem?

Às vezes, não somos respeitados porque não exigimos respeito. Então senhores, a CAFEICULTURA exige!
Alemar Braga Rena
ALEMAR BRAGA RENA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 22/11/2008

Caríssimos,

E ainda há pessoas que não gostam da minha acidez. Mas este é um caso típico dos "abutres de plantão". Estou errado? Entretanto, não adianta que fiquemos com notinhas de repúdio internas. Aqueles que possuem o poder e a glória no âmbito estadual e federal e, que supostamente representam os cafeicultores, deveriam tomar medidas mais enérgicas na imprensa internacinal. O que os impede, dinheiro, competência? Mas isso é o que não falta neste país! Pode ser que não estejam no lugar certo.
Willem Guilherme de Araújo
WILLEM GUILHERME DE ARAÚJO

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 22/11/2008

Mas uma vez verificamos a falta de uma política séria de marketing e comercialização do café brasileiro que se sujeita a comentários como este da USDA que claramente interessa aos importadores daquele país.

Todos os anos vemos o efeito nefasto destas declarações que nunca condizem com a realidade e mesmo assim não são questionadas de forma contudente e final, para evitar que o cafeicultor sofra com a queda do valor do produto em virtude da especulação do mercado.
Sergio soares da silva
SERGIO SOARES DA SILVA

SANTA TEREZA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 21/11/2008

Graças a DEUS alguém teve uma voz para defender o pordutor, pois esses Órgãos só fazem isto: plantam noticias para colherem os lucros e quem paga o pato, como sempre, é o produtor de café.

Não é so o USDA que anda falhando nas pesquisas. Acho que a própria CONAB também errou, pois a produção de 2008 vai estar bem abaixo do que foi mostrado, já que o café não está rendendo como deveria.
Albino João Rocchetti
ALBINO JOÃO ROCCHETTI

FRANCA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 21/11/2008

A cafeicultura, e seu produto, o café, realmente despertam grande interesse, em função de seu consumo globalizado. Assim as notícias correm o mundo inteiro.

A nossa metodologia de previsão de safra melhorou muito, e hoje é feita com muito critério, como afirma o Sr. Gilson Ximenes. Portanto, está na hora de DAR UM BASTA nessas interferências da USDA.

Temos mesmo que contestar, verificar a metodologia por eles empregada e "botar a boca no mundo", para demonstrar a nossa insatisfação frente a esta interferência nas nossas estatísticas, sempre com interesses de abaixar os preços do noso produto.

Parabéns ao Sr. Gilson Ximenes pela sua atitude! Não aceitemos estas estatísticas tendenciosas!
josé roberto da rocha bergamo
JOSÉ ROBERTO DA ROCHA BERGAMO

LONDRINA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 21/11/2008

É, infelizmente falta seriedade, e na realidade, cabe a nós, reles mortais, diante deste gigante que são os Estados Unidos, falar a verdade para que todos possam ouvir que eles só entendem de café na xícara, e malemá. Se vissem a situação da produção esperada e a consolidada...

É muito fácil falar do vizinho. Eles tem é que cuidarem de suas marcas de automóveis que estão sendo engolidas pelos japoneses e diminuírem o excesso de gás carbônico emitido por lá e olhar com mais seriedade os nossos orgãos gestores que divulgam as nossas realidades agrícolas.
RENATO REZENDE PAIVA
RENATO REZENDE PAIVA

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 21/11/2008

Boa tarde,

Com relação a estimativa de safra USDA distante da CONAB e a boa colocação do CNC, através do presidente SR. GILSON XIMENES, resta-nos acrescentar que houve, ainda, uma quebra de safra (conhecida por todo o setor) que chegou a percentuais elevados (30%) em algumas regiões - o que nos leva a crer que teremos um fechamento da safra 2008 com números não superiores a 41 milhões de sacas.