Chuvas comprometem produção dos cafezais de MG

O excesso de chuvas deve comprometer ainda mais a produção de café no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. A expectativa era que a colheita chegasse a 2,7 milhões de sacas, ou seja, 36% menor que a anterior.

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O excesso de chuvas deve comprometer ainda mais a produção de café no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. A expectativa era que a colheita chegasse a 2,7 milhões de sacas, ou seja, 36% menor que a anterior. Mas com a chuvarada, que aumenta a incidência de pragas, a redução desse montante será ainda maior: 10% menor que o previsto inicialmente.

Segundo reportagem de Alex Capella, do jornal Hoje em Dia/MG, essa quebra em relação à colheita projetada deve fazer com que os produtores do café do Cerrado encerrem o ciclo com prejuízos. "A produção no Brasil vai ser menor e isso poderia elevar os preços do café no mercado internacional. Diante disso, muitos produtores do Cerrado apostaram na alta dos preços para investir na produção. Porém, nesse período de baixa, quando os custos estão apertados, uma queda de 10% inevitavelmente trará perdas", avaliou o presidente do Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado (Caccer), Francisco Sérgio de Assis.

Na safra 2007/2008, o Sul de Minas deve ser responsável por 44% da produção, seguida por Jequitinhonha e Zona da Mata com 35%, e Triângulo e Alto Paranaíba (Cerrado) com 21%. De acordo com o presidente da Caccer, além das pragas, o excesso de chuvas faz com que os grãos floresçam mais rápido, resultando na queda da qualidade. "Esse excesso de água compromete a aplicação de defensivos. Além disso, a cultura não fica uniformizada, pois as plantas se desenvolvem fora do tempo previsto", disse Assis.

Segundo o presidente da Cooperativa dos Cafeicultores de Araguari (ACA), Ramon Olini Rocha, na região a queda pode ficar acima dos 10%, chegando até a 20%. A safra 2007/2008 estimada em Araguari é de 350 mil sacas. No período passado foi de 700 mil sacas, ou seja, 50% maior. "A safra da região já seria a metade na comparação com a anterior. Porém, em algumas propriedades, onde o produtor não teve como fazer o combate ideal, essa queda pode ser maior, comprometendo o investimento", revelou o produtor.
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CLAUDINEY  SOUZA  BORGES
CLAUDINEY SOUZA BORGES

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 27/02/2007

Na minha opinião, a perda maior será em relação à safra de 2008. Obviamente, vamos ter perdas em 2007, mas, muito mais em função da falta e/ou atraso no controle fitossanitário de importantes doenças no período da floração (phoma, ascochyta, antracnose).

Em nossa região as chuvas iniciaram no final de setembro e foram abundantes até o presente momento, tivemos além do excesso de precipitações a falta de luminosidade, fatores que, sem dúvida, contribuíram para o acometimento das diversas doenças citadas acima. Não foi raro a constatação de produtores com 30- 40% de prejuízos causados pela mumificação de frutos, até dezembro. O manejo adotado por nós da consultoria é a adoção de 03 aplicações em intervalos de 20 dias no período de outubro/novembro ( 60 dias ) com produtos específicos para controle destas enfermidades. Temos tido bastantes sucesso através deste e outros manejos de pré e pós floradas.

Agora, estamos assistindo os cafeeiros tendo consecutivas floradas, inclusive vamos tê-las, mesmo em menor proporção, em março. Este assunto foi reportado agora na edição da Coffea (Mapaa/Procafé), de Varginha, sob o título "O cafezal endoidou". Vimos que este assunto também foi muito bem esclarecido pelo Alemar Rena neste site.

Portanto, são fatores climáticos que estão envolvendo as plantas, desde o início de 2006, e, somente agora, estão sendo visíveis aos nossos olhos. Em nossa região, tenho feito algumas previsões sobre estas floradas fora de época, e não é difícil encontrar lavouras com floradas de até 15 sacas/ha, ou seja, comprometendo a safra de 2008 em 30% (produção de 50 sacas/ ha). A partir deste momento, acredito que prejuízos para a safra de 2007 só teremos com fortes infestações com cercóspora e broca, no mais os prejuízos maiores serão observados somente na safra de 2008.

Com a falta de luminosidade as plantas fizeram menos fotossíntese e conseqüentemente tiveram seu crescimento praticamente paralisado, então, na minha opinião, temos até o final de maio/início de junho para lançarmos mão de algumas estratégias que possam ainda compensar este crescimento de ramos plagiotrópicos que nos possibilite ainda fartas colheitas em 2008.

Um forte abraço para todos.

Claudiney Souza Borges - consultor técnico - Minas/Goiás.