Chuvas atrapalham a colheita nas regiões produtoras

O excesso de umidade está afetando a qualidade do café no sul de Minas Gerais. Na Zona da Mata de Minas, apesar de pouco volumosa, a chuva atrapalha quem está secando o café. Cai o rendimento do grão no Cerrado. Em São Paulo, o café ainda na árvore apresenta sinais de fermentação por fungos. O preço da saca no Paraná está tão baixo que muitos produtores estão erradicando seus pés de café após a colheita e buscando alternativas de produção.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 6 minutos de leitura

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De acordo com os últimos números divulgados pela Conab, em maio deste ano, a estimativa oficial de produção de café para a safra 2009/10 é de 38,93 milhões de sacas, redução de 15% em relação à colheita passada, de 45,9 milhões de sacas, resultado da bienualidade negativa da cultura.

O café tipo arábica, 72,5% da produção total, está projetado em 28,3 milhões de sacas. Já o conilon ou robusta representa 27,5% da produção nacional, equivalendo a 10,6 milhões de sacas. A maior produção está em Minas Gerais, que detém 49,4% do total nacional, sendo 98,5% do tipo arábica. Em segundo lugar vem o Espírito Santo, com 25,8% da colheita do país, com destaque para a produção do conilon.

Produção de café estimada pela Conab para a safra brasileira de 2009/10

Figura 1

Acompanhe abaixo a porcentagem de café colhida em cada região brasileira produtora de café:

Minas Gerais

O excesso de umidade está afetando a qualidade do café no sul de Minas Gerais. Com isso, os produtores estão ganhando menos na hora da venda. Nuvens carregadas não são um bom sinal para os cafeicultores. "A gente vê que até agora os cafés estão atrasados. Algumas chuvas têm dificultado o processo de colheita. Tem causado problemas depreciativos nos grãos em termo de qualidade, o que é um grave problema", explicou André Garcia, agrônomo do Procafé.

A roçadeira passa em algumas ruas de café para cortar o mato, que cresceu mais nesta safra por causa da chuva. "A chuva contribuiu porque atrasou um pouco o preparo das lavouras para entrar com a colheita", disse o agricultor Kléber Pinto. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPA), tem chovido mais no sul de Minas neste inverno em relação ao ano passado.

Na fazenda do agricultor Luiz Gustavo Portugal metade da lavoura já foi colhida, mas o excesso de umidade comprometeu parte da produção. "Essa semana vendemos o café que deu baixa qualidade por R$ 204 a saca. Um café de média qualidade sai por cerca de R$ 215 a R$ 220 a saca", disse.

Apesar das chuvas, a colheita de café atingiu 70% na região de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Caratinga (Coopercafé), na Zona da Mata de Minas Gerais. "Apesar de pouco volumosa, a chuva atrapalha quem está secando o café", afirmou o gerente de comercialização da Cooperativa, Paulo Tavares. As reclamações dos produtores são generalizadas.

"A chuva afetou o rendimento do café, sem contar a qualidade. Ainda é cedo para afirmar, mas já trabalhamos com a possibilidade de quebra de 5% na safra", declarou o engenheiro agrônomo Sérgio Stevanato. Os trabalhos de colheita deverão ser concluídos até o fim do mês de agosto.

Os negócios na região continuam lentos. "Alguns vendem o necessário para fazer frente à colheita e outros vão fazendo retenção, mas a maioria dos produtores ainda está esperando a recuperação dos preços", disse Tavares. Do total colhido, cerca de 30% foram negociados.

Para o vice-presidente do Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Caccer), Jerry Magno Resende, a colheita no cerrado mineiro está em 60% do total. O clima melhorou bastante, com as chuvas tendo parado nos últimos 10 a 15 dias. Ele observou também que além do clima mais seco, a umidade relativa do ar diminuiu, o que está facilitando a secagem dos grãos no terreiro.

Entretanto, como houve chuvas em período de colheita e secagem, a qualidade do café foi prejudicada, diminuindo a porcentagem de cafés de tipos superiores. Segundo Jerry Resende, o rendimento no benefício do café tem variado, mas "não está bom". "O rendimento do café em coco para o beneficiado está em 46% a 48%, quando normalmente fica em 48% a 52%", afirmou.

Quanto aos leilões de opções de venda de café realizados nos dias 15 e 22 de julho, Resende disse que os cafeicultores do cerrado participaram bastante das operações. Os produtores estão agora segurando o café esperando que a cotação possa chegar ao patamar de R$ 300,00 a saca estipulado nas opções. "Pode chegar nestes níveis, vai depender do dólar e do clima", concluiu, referindo-se ao clima para as floradas.

São Paulo

De acordo com o diretor liquidante da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Garça (Garcafé), José Wilson Lopes, até esta semana foram colhidos aproximadamente 50% do total previsto para esta safra, 25 a 30% menor que a anterior, por conta da bienualidade. "Além de problemas com mão-de-obra escassa, estamos enfrentando várias frentes frias com chuvas de média intensidade, que já estão fazendo com que o café que se encontra na árvore apresente sinais de fermentação por fungos", relatou Lopes ao CaféPoint.

"Estamos com tempo chuvoso e a previsão é que esta situação se estenda pela semana, repetindo o que vem ocorrendo desde maio, fazendo com que se tenham cafés bastante secos e verdes nas árvores. Acresça-se a isto os preços praticados em nossa região para cafés de primeira linha, na base de R$ 220 a R$ 223/sc, o que leva os produtores a se desinteressarem pela qualidade do café produzido", declarou.

Segundo o diretor presidente da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca), Maurício Miarelli, a colheita de café na região de atuação da cooperativa está em torno de 50% do total. A comercialização segue lenta, com apenas 20% da safra nova comprometida até o momento

Paraná

Atrasada, a colheita de café no Paraná ainda não chegou na metade. Conforme avaliação de corretores locais, o índice de café colhido é de 40% da produção, bastante abaixo dos 70% do ano passado. "Tem chovido muito nas regiões produtoras, em períodos prolongados", comenta Carlos Amaral Monteiro, da corretora Arural, de Londrina.

Além de uma safra menor em termos de volume, cafeicultores paranaenses enfrentam problemas com o rendimento do grão. "Há grãos muito miúdos, então estão sendo necessários mais grãos para encher uma saca de café", revela Monteiro. A razão? Faltou chuva na época da granação, o que pode afetar também a qualidade da bebida. Devido aos preços baixos pagos pela saca, muitos produtores estão erradicando seus pés de café após a colheita e buscando alternativas de produção, especialmente a soja.

Bahia

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes de Araújo, os trabalhos de colheita, que estavam atrasados devido à grande quantidade de café verde, começam a tomar maior corpo. "Agora o café amadureceu de vez e devemos adiantar bastante os trabalhos até o final de agosto", disse, Estima-se que, até o momento, 55% do café esteja colhido.

Ainda de acordo com o presidente da Assocafé, apesar do grande atraso na florada, e falta de chuvas, os grãos colhidos até agora apresentam boa granação e rendimento. Lopes lembra também que "este ano é de safra baixa e muitos produtores fizeram adubação insuficiente."

A comercialização de café na região está travada, "com preços decepcionantes". Segundo Lopes, alguns produtores só estão vendendo seu produto porque precisam custear a colheita. O café de para consumo interno está sendo negociado a R$ 210,00, enquanto o café lavado é vendido a R$ 250,00. Estima-se que 30% da safra nova tenha sido negociada através de CPR's e negócios futuros.

Espírito Santo

Segundo Marcus Magalhães, da Maros Corretora, o clima está sendo favorável à evolução da colheita de café arábica no Espírito Santo, que já chega a 50% a 60% do total. Quanto à comercialização, o mercado segue praticamente parado. Para Magalhães, entre arábica e conilon da safra nova, já foram comercializados 30% do que foi colhido. A colheita de conilon já está encerrada.

Total colhido da safra 2009/10 chega a 67%

De acordo com o levantamento semanal de Safras & Mercado, a colheita de café da safra brasileira 2009/10 está em 67% do total a ser produzido, conforme dados colhidos até 22 de julho. Os trabalhos de colheita estão adiantados quando comparados com mesma época do ano passado, quando apenas 60% da safra 2008/09 estava colhida.

Tomando por base a estimativa total de produção da Safras, foram colhidas 28,26 milhões de sacas, de um total de 42,45 milhões.

Figura 2

Elaboração: Blog do Café

Com informações da Agência Safras e Globo Rural.
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PAULO ROBERTO TOLDO
PAULO ROBERTO TOLDO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 28/07/2009

Realmente está difícil se manter na atividade, hoje a cada safra colhida aumentamos nossas dívidas, pois como produtores que somos nos doi ver uma cultura tão bonita e que deu tantas glórias no passado chegar ao ponto que chegamos.

Após esta safra, devemos ARRANCAR 25% de nossa lavoura que foi toda plantada após a geada de 2000 (plantamos 520.000 pés), porém com os custos como estão e os preços de comercialzação nestes níveis ou arranca ou quebra de vez.

Infezmente é isso, é arrancar ou arrancar, não temos saída. São empregos que serão eliminados, mas tudo bem, com o "Bolsa Família" aí fica tudo bem.

João Carlos Remedio
JOÃO CARLOS REMEDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 28/07/2009

Realmente, produzir café é ter um grande telhado de vidro. Não bastassem as adversidades econômicas, as climáticas também não têm sido nada generosas para com a cafeicultura.

O preço de uma saca de café de boa qualidade já não cobre os custos de produção, se essa qualidade foi prejudicada, aí ficamos mais refém do mercado; vão nos pagar um preço ainda mais aviltante pelo nosso produto. Especular em bolsa oferece um risco bem menor. A que ponto chegamos!