No decorrer de janeiro, apesar da tendência de produtores em se manter retraídos aguardando novos aumentos de preços, os patamares atingidos voltaram a estimular as negociações. Para os próximos meses, o principal fundamento altista é a menor produção de arábica na safra 2009/10, por conta da bienualidade negativa da cultura. A expectativa de que esse fator eleve a cotação do café no mercado internacional tem reforçado a retração vendedora. Além disso, durante o mês de janeiro, o setor seguiu no aguardo de novas informações a respeito dos mecanismos que o governo deverá utilizar para garantir a remuneração de cafeicultores.
Entre os programas divulgados no dia 29 de janeiro pelo ministério da Agricultura, foi confirmada a realização de leilões de opções de venda. Através dessa operação, produtores poderão vender o café ao governo sob preço e data especificados antecipadamente - o valor e quantidade de sacas ainda deverão ser definidos. As opções de venda poderão proteger cafeicultores participantes contra quedas dos preços internos; por outro lado, a retração vendedora poderá ser maior caso a cotação do café no físico não ultrapasse o preço estipulado pelo governo.
No que diz respeito ao arábica tipo 7 bebida rio, a maior demanda por parte de torrefadores e a oferta limitada elevaram as cotações deste grão no físico. Em janeiro, os grãos de melhor aspecto foram negociados entre R$ 210,00/sc e R$ 225,00/sc de 60 kg, dependendo da origem - em dezembro, este produto era negociado abaixo de R$ 200,00/sc.
Em janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor teve média de R$ 268,41/sc de 60 kg, avanço de 2,73% sobre a do mês anterior. A alta esteve atrelada a ganhos no mercado futuro e à valorização do dólar frente ao Real. Na bolsa de Nova York (ICE Futures), o contrato de arábica com vencimento em março/09 avançou significativos 10,4% de 05 a 30 de janeiro, cotado a 118,90 centavos de dólar por libra-peso no último dia 30. A moeda norteamericana reagiu 2,66% no mesmo período, cotada a R$ 2,315/US$ no dia 30 de janeiro. Neste cenário, o físico brasileiro esteve mais movimentado no decorrer do mês.

