Cepea: retenção da safra derrubando os preços

Agentes de mercado teriam afirmado que não há fundamentos de queda no mercado, uma vez que, a oferta é bastante limitada no Brasil para atender os mercados interno e externo. Mas outros apontariam o fato de boa parte do café da safra 2006/07 ainda estar nas mãos dos produtores como explicação para o recuo dos preços.

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Em alerta divulgado, ontem, 21/3, o Cepea/Esalq trouxe uma informação que vai de encontro à postura de parte dos produtores de café. Por um lado, agentes de mercado teriam afirmado que não há fundamentos de queda no mercado, uma vez que, a oferta é bastante limitada no Brasil para atender os mercados interno e externo. Mas outros apontariam o fato de boa parte do café da safra 2006/07 - cerca de 40% de um total de 42,5 milhões de sacas - ainda estar nas mãos dos produtores como explicação para o recuo dos preços.
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Cláudio José da  Fonseca Borges
CLÁUDIO JOSÉ DA FONSECA BORGES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 23/03/2007

Visão de um produtor de café.

Os preços recuaram e se estabilizaram em baixa em função da boa oferta do produto assegurada pelos estoques mundiais (que, na minha opinião, são mais do que suficientes para passar esse momento de baixa produção no Brasil) e pelo aperto financeiro dos produtores.

Na minha região, Sudoeste de Minas , o custo de se produzir uma saca de bebida Dura para Melhor (Arábica) está em torno de R$ 220,00. O preço de mercado hoje dessa mesma saca (de 60 kg) é de R$ 245,00. Vendendo nesse preço e se não houver mais custos extras, o produtor apura um lucro líquido de 11,36%.

Essa remuneração você consegue aplicando em fundo de renda fixa.

Acontece que os produtores estão descapitalizados e não conseguem segurar seu produto, forçando, dessa forma, um aumento de oferta, com consequente redução dos preços.

Já tem gente prevendo geadas para junho / julho ...

Isso para mim não é previsão de tempo e sim um indicativo que para melhorar os preços, não basta essa safra de 2007 ser pequena, é preciso que a safra de 2008 (que tende a ser recorde de produção) também seja reduzida .

Tudo leva a crer que os preços apresentem uma reação, imediatamente antes da colheita (que se inicia em Maio em algumas regiões de Minas).

Porque?

Porque, até lá, os financiamentos da safra passada já terão sido liquidados com a venda do café (se não o produtor não consegue crédito para custeio - colheita etc ), e as despesas diretas terão consumido o restante do lucro. O Produtor já começa a ver que, com 11 % de rentabilidade na operação, não dá para fazer a colheita sem se endividar.

No momento, tem muito produtor vendendo e as exportações bateram recordes, recentemente. Tem muito café no mercado.

Essa super oferta tem prazo para acabar.

Os estoques nas mãos dos produtores deverão se reduzir rapidamente e poderão vir a influenciar os preços no período um pouco antes da colheita e perdurar até os novos cafés começarem a entrar no mercado, em meados de Junho.

Se não subir aí, só mesmo uma geada....

Ainda tenho café estocado, aguardando a confirmação das minhas análises para eu vender.

Ou seja, eu acredito que a redução de oferta nas vésperas da colheita pode fazer com que o café tenha uma valorização entre 15 a 20% , que dará um retorno em torno de 25%, retorno esse que passa a justificar a minha continuidade na atividade.
Milton Melo Silveira
MILTON MELO SILVEIRA

CÁSSIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 22/03/2007

De fato, nós produtores não temos informações confiáveis para podermos tomar decisões gerenciais e planejar com qualidade.

Sabendo-se que os estoques de passagem de café na última safra foram os menores dos últimos dez anos ou mais, que o Brasil exportou 26 milhões de sacas e consumiu 16,5 milhões no ano civil 2006, sendo a maior parte no 2º semestre quando se inicia o inverno no hemisfério norte, como pode, com uma produção de 42,5 milhões de sacas, ainda haver 17 milhões nas mãos dos produtores?

Ou se produziu muito mais que o estimado na safra passada?