Cenicafé realiza pesquisas sobre contaminação de água na Colômbia

Produtores colombianos dispõem cada vez mais de opções para manejar e reduzir águas residuais do café.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

As inovações e os desenvolvimentos do Centro Nacional de Pesquisas de Café (Cenicafé) para administrar e reduzir a contaminação de água usada no benefício do café seguem dando resposta às necessidades dos cafeicultores colombianos, que cada vez contam com mais opções a esse respeito.

Foto: Divulgação


Com a aplicação de tecnologias de baixo custo ajustadas a estas necessidades dos produtores, a água pode ser derramada diretamente no chão, com carga contaminante mínima. Deste modo, o impacto ambiental da atividade cafeeira é reduzido e pode ficar em conformidade com os regulamentos em vigor para estes processos.

Isso foi anunciado pelo gerente técnico da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia (FNC), Hernando Duque, que disse: "Hoje contamos com a Cenicafé com informações para simplificar significativamente as descargas, para que eles não caiam em fontes de água. O que estamos buscando é que, no final do processo de beneficiamento e da gestão do despejo, a água usada tenha muito pouco efeito poluente. Desta forma, continuamos protegendo as fontes de água e o cafeicultor pode cumprir com os regulamentos legais”.

Foto: Divulgação

Os resultados da pesquisa do Cenicafé foram apresentados no Segundo Encontro de Coordenadores de Extensão FNC realizado na sede do Cenicafé, em Chinchiná, Caldas. Este tipo de reunião visa unificar critérios que permitem entregar uma mensagem homogênea e tecnicamente forte para os cafeicultores do país, ajustadas à estratégia geral da Federação.

Atualmente, o Cenicafé recomenda os tratamentos biológicos, como Sistemas Modulares de Tratamento Anaeróbio (SMTA), para lidar com a contaminação gerada pelas águas residuais do beneficiamento do café, comumente chamada de "água mel".

Estes tratamentos são mais econômicos e eficientes no tratamento de contaminação, ou seja, com custos mais racionais por arroba (aproximadamente 15 kg) de café pergaminho seco (cps) beneficiado. Assim, se reduz até 90% da contaminação causada pelas águas residuais de lavagem e permitem também cumprir com as normas ambientais vigentes na Colômbia (Resolução 631 de 2015, do Ministério do Meio-Ambiente).

"Em conformidade com o eixo ambiental levantado pela Federação para alcançar uma produção sustentável de café, o Cenicafé pesquisou por muitos anos a questão do descarte de água. Da área da pós-colheita, têm-se buscado alternativas de baixo custo e de fácil manuseio para os agricultores aplicarem em sua fazenda; estas incluem o tratamento de água com filtros verdes com diferentes reatores”, explicou Duque.

Foto: Divulgação


Outras alternativas para o manuseamento de águas residuais resultantes do processamento de café são a reutilização desta água nos poços, evitando descargas em fontes hídricas. Há também os tratamentos químicos, que o Cenicafé estuda como alternativas para atender às necessidades dos médios e grandes cafeicultores.

Uma das primeiras realizações do Cenicafé no uso da água para o beneficiamento foi reduzir a quantidade utilizada para a fase de polpação.

Tradicionalmente, no processo convencional, um cafeicultor pode consumir até 40 litros de água por quilograma de cps. Hoje, graças aos resultados de pesquisas do Cenicafé, os produtores têm à sua disposição o Benefício Ecológico, que inclui tecnologias como o Tanque Tina, onde o uso do líquido é reduzido para menos de 5 litros por quilograma de cps e permite reduzir o volume de água a ser tratada. No caso do Becolsub e do EcoMill, utiliza-se menos de 1 litro de água por quilo de cps.

Os atuais desenvolvimentos do Cenicafé têm seu foco no tratamento alternativo de águas residuais provenientes de café. No Encontro de Coordenadores, foi apresentada uma ferramenta que resume os diferentes sistemas de tratamento de água para que os extensionistas compartilhem essas informações com os cafeicultores e esses o adotem facilmente, já que está projetado de acordo com o tamanho da área de produção de cada fazenda.

Nesse sentido, para os produtores com fazendas de 2 a 5 hectares, recomenda-se o uso do Tanque Tina, que utiliza menos de 5 litros de água por quilo cps produzido. Dentro das alternativas de descontaminação da água está o manejo com cal e o tratamento com produtos químicos.

A tecnologia Becolsub de beneficiamento é recomendada para produtores de 10 hectares e consome 1 litro de água por quilograma de cps. A contaminação da água se reduz com a secagem de lixiviados, cal, tratamento químico e de irrigação por gotejamento.

Quanto aos grandes produtores, aqueles com mais de 20 hectares de café, são aconselhados a usar EcoMill, na qual o consumo de água é de apenas 0,5 litros por kg de café pergaminho seco. O descarte da água será controlado com o uso de biodigestores, secagem de lixiviados, entre outros.

As informações são da FNC / Tradução Juliana Santin 
Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.