Celso Vegro fala sobre entrega de café em NY
O colaborador do CaféPoint Celso Luis Vegro, Mestre em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade e Pesquisador do IEA, enviou um comentário ao seu artigo "Entrega de café em NY é a melhor notícia em tempos", esclarecendo questões levantadas pelo leitor Fernando Barros. Acesse e leia as cartas na íntegra.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Colocações de Fernando Barros:
"Prezado companheiro Celso ,não concordo com a ideia de colocar a cotação de nosso café Cereja Descascado na Bolsa de Nova York. Primeiro por falta de transparência, pois hoje ela cota o café colombiano (contrato C) em cima de cafés velhos que são renovados sem deságio e já devem estar totalmente discrepantes, ou seja um fantasma.
A prova disto é a Colombia estar vendendo seu café U$86-R$156,00 por saca acima da cotação. Eles estão no desespero para salvar esta distorção. Se quisermos transparência e não a OBSCURIDADE temos que cotar o nosso café aqui na BM&FBOVESPA (que é rígida na questão da qualidade). Os certificados tem deságio depois de um certo período, portanto quem comprar ou vender sabe o que está fazendo!! E por que não na CME (Chicago) que é sócia da BM&F.
Deixa NY ficar lá com os colombianos e nós ficaremos com a transparência total! Somos o maior produtor e queremos ser o melhor vendedor acabando com esta distorção. Abraço"
Esclarecimentos de Celso Vegro:
"Prezado Fernando Barros Jr.,
Formidável! Temos uma polêmica. Vamos aos pontos que necessitam de esclarecimentos:
1 - certificar café brasileiro em NY não significa esvaziamento das operações na BM&FBovespa, ainda que muitos corretores temam que esse fato se concretize. Considero que se trata de um falso dilema que devemos expurgar de nossos manuais;
2 - o contrato C em NY movimenta quase 10 vezes a safra mundial. O que para um cafeicultor pode parecer especulação desmensurada, mas para quem vive o mercado sabe que quanto mais movimento financeiro circula em torno de um produto, mais adequadamente suas cotações refletem seu "preço verdadeiro". Assim, comparando as 10 safras mundiais com as 2 a 2,5 safras brasileiras que movimenta a BM&FBovespa, concluímos que as cotações em NY estimam com mais acuidade o preço justo frente sua congênere paulistana;
3 - ao formar seus preços a partir de um mecanismo de transmissão, as cotações da BM&FBovespa são caudatárias das cotações nova-iorquinas, as quais são aquelas que de fato e em última instância determinam as transações;
4 - não podemos nos esquecer que muito cereja descascado é comercializado como natural por não encontrar mercados estruturados para receber esse produto. Com a possibilidade de entrega em NY, restringe-se o espaço para que o oportunismo comercial se imponha, favorecendo grandemente quem investiu em tecnologia.
Prezado Fernando, meu artigo terá desdobramentos onde irei abordar exclusivamente a parte operacional da proposta, por isso guardo outros argumentos para quando o divulgar. Todavia, você pode ter alguma razão na medida que se a forma de implantação da proposta pode nos fazer engolir gato por lebre.
Agradeço seu vivo interesse.
Aprofundemos esse debate.
Celso Vegro"
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SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 21/05/2010
Certamente esse imenso debate deve prosseguir e proseguirá! Novas percepções estão a se formar nas cabeças mais curiosas e ao seu devido tempo, estarão igualmente a contribuir para a proveitosa troca de ideias. O que desaponta é perceber os representantes da cafeicultura quase que ausentes de uma posicinamento mais ativo frente a imensa oportunidade que se descortina.
Assim é a realidade e nela é que devemos pautar nossos desideratos.
Abçs
Celso vegro
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 21/05/2010
Caros colegas,
Um tema tão importante deve ser analisado se avaliando os prós e os contras, tanto para um eventual contrato em Nova Iorque como em Chicago, como propõe alguns.
Sob o meu ponto de vista, Chicago é inviável. Vou tentar demonstrar isso com três hipóteses e os argumentos a favor delas (alguns já foram citados pelo PH).
1 - Mais uma bolsa com cotações de café não é interessante
As referências mundiais na formação do preço do café são Nova Iorque (arábica) e Londres (robusta). Tem sido assim por longos anos. Criar uma terceira bolsa para referenciar café não parece muito sensato e com certeza será mais difícil do que a aceitação do café brasileiro em Nova Iorque.
Penso que uma das vantagens de se cotar arábica na ICE (NY) e robusta na LIFE (bolsa de Londres) seja justamente a centralização das cotações de cada variedade de café. Criar mais uma fonte de preços só vai complicar a vida dos investidores, especuladores e hedgers.
Ainda que o café despolpado brasileiro seja cotado lá, que garantias há de que o diferencial será melhor do que na ICE? Os mesmos "players" que atuam em Nova Iorque vão atuar lá, se nosso café lhes interessar. É o mercado quem vai decidir o diferencial do preço do café brasileiro no longo prazo. Volto a esse tema mais adiante.
Outro ponto é que um eventual contrato de café em Chicago vai ser influenciado por Nova Iorque do mesmo jeito. A própria BM&F costuma seguir Nova Iorque. Quem acompanha o mercado sabe que é raro o dia em que uma alta (ou queda) significativa lá não seja refletida aqui. Penso que um contrato em Chicago refletiria o mesmo comportamento de Nova Iorque, mas com deságio.
2 - Um contrato exclusivo para café CD brasileiro em Chicago pode ter baixa liquidez
Tenho dúvidas se um contrato negociado em outra bolsa, que não as tradicionais para café, apresente boa liquidez. Em mercados de derivativos agropecuários, quanto maior a liquidez de um ativo, melhor. Significa que há facilidade de compra e venda. Para começar, os principais agentes desse mercado continuarão negociando em Nova Iorque, recorrendo a Chicago, talvez, apenas em casos de necessidade ou como garantia. Passada a atual crise de oferta de suaves colombianos e da América central, o contrato para café brasileiro em Chicago poderia ficar até "esquecido".
Outro problema que pode prejudicar a liquidez é quantidade de café CD produzida pelo Brasil. Estimativas otimistas falam em 4 milhões de sacas por ano. Não sei exatamente quantas são produzidas pelos demais países, mas deve ser algo em torno de 20 milhões, ou mais. Uma diferença considerável. Acho inviável que uma bolsa internacional crie um contrato para um determinado ativo, que não é tradicionalmente comercializado lá, para atender à um único fornecedor e cuja produção (4 milhões) é bem inferior à dos cafés negociados na ICE e na LIFE. As commodities comercializadas em bolsa costumam ser fornecidas por diversas origens.
Outro problema é a oferta do produto. Estamos falando de um contrato para um produto sujeito escassez de oferta devido ao clima, pragas, etc. Mas isso se aplica a todos os cafés do mundo. O problema, aqui, é que o ativo (café) seria fornecido por um único país! Sem fornecedores alternativos! Um problema climático aqui distorceria completamente o mercado, até mais do que o observado recentemente com a Colômbia.
Com tanta incerteza, acho que poucos vão querer negociar este contrato. E sem liquidez, o risco é o maior. Ninguém, nem mesmo o produtor, ganha com isso.
3 - Podemos trabalhar para melhorar o diferencial com o tempo
Uma das questões que mais tem desagradado ao setor é o diferencial proposto pela bolsa de Nova Iorque. O problema neste caso é que, embora o governo possa tentar negociar um valor melhor, no longo prazo é o mercado quem vai decidir quanto vale nosso café.
Se trabalharmos no sentido de promover a qualidade do nosso produto, a demanda vai aumentar e aí os preços aumentam também. Com inteligência é possível utilizar o contrato para CD brasileiro em Nova Iorque como propaganda. Ano que vem a feira da SCAA vai ser patrocinada pelo Brasil, imaginem que oportunidade! O contrato brasileiro de café na ICE poderia ser utilizado como tema de estande, palestra ou até filme institucional. Com marketing é possível fazer muita coisa!
Para finalizar, vou usar uma citação do escritor Bernard Shaw (utilizada por John Naisbitt em "O Líder do Futuro")
"O homem sensato adapta-se ás condições que o rodeiam; o homem que não é sensato faz com que as condições que o rodeiam se adaptem a ele. Qualquer progresso, portanto, depende do homem que não é sensato".
Vamos ser insensatos nesse caso, entrar na ICE e trabalhar duro para melhorar a questão do diferencial com o tempo. Por mais que não seja o ideal, não tem como impor o prêmio que será pago ao nosso café. O mercado tem que decidir, e podemos trabalhar no sentido de mudar a sua percepção. O que não podemos é perder essa, como disse o Celso Vegro, oportunidade de diamante!
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 21/05/2010
Prezada Eliane,
Não sou um especialista em bolsas, mas tenho uma opinião sobre o assunto, e como você bem disse, precisamos discutir.
Acho que não faz muito sentido irmos para Chicago com nosso CD, pois as chances de ficarmos isolados do mundo do café são altas. Se olharmos apenas o presente, excassez de despolpados centro-americanos e da Colômbia, me parece óbvio que os traders internacionais iriam atrás de nosso CD, não importa onde ele esteja, em NY, Chicago, Brasil, etc...
Porém, uma hora ou outra nossos concorrentes voltarão à sua produção normal. Por uma questão de necessidade de mercado, pois o consumidor continua a demandar origens diferentes. Desse modo, o fluxo de compras voltaria para NY, e nosso café ficaria isolado em Chicago.
Quanto aos diferencias de NY, isso não é problema, pois mais cedo ou mais tarde eles vão refletir as demandas do mercado. Por exemplo, se entramos 5 abaixo ou sei lá o quê, e este preço não refletir corretamente o valor do CD no mercado brasileiro, pouquíssimas pessoas irão entregar em NY. Como consequência, os diferenciais terão que ser revistos.
Portanto, por mais que sejamos os maiores produtores, exportadores, etc, etc..., existe um mercado mundial que não pode ser negado, e seu coração ainda é a bolsa de NY.
Concluindo, acho que o importante é o Brasil entrar na bolsa de NY com nosso excelente CD, os diferencias serão consequência do mercado.
No mais, gostaria de ouvir a opinião de outros colegas, pois isto que disse são apenas alguns pensamento que tive sobre o assunto, nada conclusivo...
Um grande abraço,
Paulo Henrique Leme
P&A Marketing Internacional
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 20/05/2010
Agradeço as cartas recebidas. Fico satisfeito que minhas ideias foram, majoritariamente, bem recebidas. O assunto é complexo e merece mais contribuições de pessoal inclusive mais qualificadas do que eu.
Somente peço ao Humberto que não trate por doutor. O mundo já anda cheio de caciques. Prefiro manter-me como mero curumim.
Abçs
Celso Vegro

AIMORÉS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 19/05/2010
Foram negociados em 2009 na ICE/NYBOT com sede em Nova Iorque 4.235.349 contratos de 37.500 libras cada um que grosseiramente representam 283,5 sacas de café cada um. Temos um total negociado de 1.200.721.441,5 sacas de café de 60 kg.
Forma negociados em 2009 na BM&F com sede em São Paulo 596.463 contratos de 100 sacas cada um. Temos um total negociado de 59.646.300 sacas de café de 60 kg.
O Dr. Celso Vegro como sempre puxando a brasa para a nossa sardinha, aumentando o volume de café negociado em nossa bolsa.
Humberto Soares
estudante
ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 18/05/2010
SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 18/05/2010