Cecafé: financiamento para exportação não está normal

O diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Guilherme Braga, informa que continua "complicada" a questão de crédito para financiar a exportação, por meio de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC). Segundo ele, o fluxo de financiamento "ainda não está normal".

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O diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Guilherme Braga, informa que continua "complicada" a questão de crédito para financiar a exportação, por meio de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC). Segundo ele, o fluxo de financiamento "ainda não está normal".

Braga diz que o problema não é só a falta de recursos. "O custo está elevado, o que torna inviável a contratação do financiamento", acrescenta. O diretor pondera, no entanto, que é boa a medida anunciada pelo Banco Central que oferece aos bancos, por meio de leilão, empréstimo em moeda estrangeira para financiar a exportação. As instituições que vencerem o leilão terão direito aos dólares somente após a entrega de ACC ou de Adiantamentos sobre Cambiais Entregues (ACE).

No primeiro leilão realizado ontem foram ofertados US$ 2 bilhões, dos quais foram negociados US$ 1,453 bilhão. Conforme Braga, é preciso aguardar os próximos leilões para saber se a operação vai funcionar. Ele considera, ainda, que o pior da crise financeira já passou, no que diz respeito aos efeitos sobre o mercado de café, entre outros produtos.

Segundo Braga, se houver recessão, pode não ser tão grave. No caso particular do café, o nível do consumo não deve apresentar forte oscilação. "O consumidor substitui o produto mais caro pelo convencional, mas não deixa de tomar café. O que deve ocorrer é uma reorganização do orçamento familiar", prevê. Nesse sentido, o diretor geral do Cecafé estima que os preços do grão podem voltar ao nível de 1,30 cents a 1,40 cents, valores observados antes da crise. Com a taxa de câmbio a R$ 2,00 a R$ 2,10, é possível projetar o valor da saca de 60 kg de café a R$ 300,00, avalia.

Quanto ao bom resultado da exportação em outubro, Braga informa que o embarque de cerca de 3 milhões de sacas no mês passado não chega a surpreender. Isso porque no mesmo mês do ano passado, o embarque foi de cerca de 2,8 milhões de sacas, "apesar de safra ter sido pequena", ressalta. Segundo ele, nos primeiros meses da atual safra, entre junho e agosto, os embarques foram fracos, por causa do atraso na colheita. Agora, os embarques estão retomando ritmo normal. A reportagem é de Tomas Okuda, da Agência Estado.
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