Cecafé: evento discute produção de café no mundo

"É preciso que os países produtores ganhem um valor justo pelo que produzem", afirmou o gerente geral da Embrapa Café, Aymbiré Francisco Almeida da Fonseca. Segundo ele, há 10 anos, os países produtores ficavam com 30% do total de US$ 30 bilhões gerado pelo agronegócio café, mas no ano passado esse percentual caiu para menos de 8%, sendo que o total de renda produzida pelo setor saltou para US$ 90 bilhões.

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Café arábica

Brasil - O gerente geral da Embrapa Café, Aymbiré Francisco Almeida da Fonseca, participou no dia 25 de maio, em São Paulo, do 3º Fórum e Coffee Dinner, evento promovido pelo Conselho Nacional dos Exportadores de Café (Cecafé). Durante apresentação que abriu o encontro, o gerente da Embrapa Café enumerou os desafios tecnológicos da cafeicultura brasileira, que passam pela sustentabilidade, redução de custos e aumento da eficiência da produção e geração de renda.

"É preciso que os países produtores ganhem um valor justo pelo que produzem", afirmou. Segundo ele, em 1994, os países produtores ficavam com 30% do total de US$ 30 bilhões gerado pelo agronegócio café, mas no ano passado esse percentual caiu para menos de 8%, sendo que o total de renda produzida pelo setor saltou para US$ 90 bilhões.

Aymbiré também falou sobre a importância de o Brasil renovar seus cafezais, ressaltando que a renovação deve ser feita pela escolha da variedade ideal, levando em consideração o sistema produtivo adotado em cada região, e, principalmente, dados sobre precipitação, altitude, temperatura, etc. "Hoje é possível encontrar variedades adaptadas às mais diversas regiões cafeeiras do país. A Embrapa acaba de lançar um livro que auxilia na escolha adequada da variedade", destacou. Trata-se do "Cultivares de café - origem, características e recomendações", escrito por 28 pesquisadores do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café).

Aymbiré também destacou a importância da irrigação para aumentar a produtividade das lavouras. Hoje no Brasil, 10% da área total plantada com café são irrigados, o que trouxe um incremento médio de 13 para 33 sacas de café por hectare, "um grande salto". O pesquisador também citou estudos de transgenia que estão sendo realizados com plantas resistentes ao glifosato, e elogiou os programas de certificação de café, que trazem sustentabilidade à produção.

Aquecimento Global - a respeito de recentes estudos que preveem sérias complicações à atividade cafeeira por efeito do aquecimento global, o gerente geral da Embrapa Café destacou que o país está preparado para enfrentar um eventual aumento de temperatura nas lavouras. "Existem diversos estudos do CBP&D/Café sobre o tema. Por exemplo, com o plantio de 60 a 80 árvores por hectare em meio aos cafezais, é possível reduzir a temperatura em 2º C, exatamente o número de incremento da temperatura previsto por pesquisadores do IAC", disse. Nesta situação, o sombreamento anularia os efeitos do aumento da temperatura próximos a áreas de plantio.

Colômbia - Gabriel Silva Luján, gerente geral da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia (Federacafé), destacou os diferentes aspectos de produção de seu país em relação aos do Brasil. "Lá, as propriedades são consideradas realmente pequenas, pois as fincas consideradas grandes têm no máximo 20 ha, enquanto as médias são de 10 ha, e as pequenas - a maioria - possuem até 3 hectares", disse. Segundo Luján, toda a cafeicultura colombiana é considerada de pequenos agricultores, sendo mais de 80% das propriedades localizadas nas montanhas, sem chance alguma de mecanização.

Na Colômbia, a cafeicultura envolve 560 mil famílias, o que lhe proporciona uma enorme importância social, pois não há chance de substituí-la por outra cultura. "Ou se planta café, ou não se planta mais nada naquela região", ponderou. Todos os cafeicultores são membros da Federacafé, entidade privada responsável pelo financiamento, suporte técnico e tecnológico dos produtores, que conta com o apoio do governo.

Na visão do gerente da Federacafé, a crise não deve romper o crescimento de consumo de café no longo prazo, e ainda, segundo Gabriel, nos próximos 10 anos, um bilhão de novos consumidores deverão fazer parte das estatísticas mundiais de consumidores da bebida. O dirigente vê com bons olhos a disseminação de lojas como McDonald's, Dunkin'Donuts e Starbucks, que ajudam a propagar o conceito de qualidade do café, consagrando novos consumidores. "Isso traz a segurança de que teremos crescimento do consumo mundial de cafés de qualidade", afirmou.

Mercado - de acordo com Gabriel, os preços do café devem se sustentar no médio prazo, pois os estoques são os mais baixos da história e há aperto da oferta e demanda. "Em 2008, a safra colombiana foi de 11,5 milhões de sacas. Para 2009, a previsão é de 11 milhões (com expectativa de renda de US$ 2,2 bilhões). Outros países produtores de arábica lavado, além da Colômbia, também estão com produção baixa, principalmente por conta do clima adverso e da redução do uso de fertilizantes", declarou.

Segundo Gabriel, os cafeicultores colombianos reduziram em 30% as aplicações de fertilizante no ano passado, em função do aumento do custo dos mesmos. De qualquer forma, a produção da Colômbia está dentro da média dos últimos anos, destoante apenas dos altos índices de 2007. "O que aconteceu foi que a porcentagem de exportação de café com valor agregado ganhou espaço, tendo saltado de 10% do total em 2000 para quase 30% em 2008, levando a uma escassez relativa de café verde", explicou. Essa diminuição relativa fez com que o lavado colombiano alcançasse valores recordes de diferencial no mercado internacional. Para Gabriel, entretanto, esta situação é prejudicial no longo prazo, pois o café colombiano pode ser substituído por outro e perder participação no mercado caso a situação de alta persista por muito tempo.

Sobre o plano de renovação das lavouras da Colômbia, o dirigente afirmou que 120 mil ha estão sendo revitalizados por ano, mas que essa política de aumentar a produção segue o aumento do consumo, sendo uma estratégia "defensiva" para garantir o market share do café colombiano, e não "expansiva", na busca de aumentar sua participação. Segundo seus cálculos, ainda faltam renovar aproximadamente 30% das lavouras do país, que se encontram envelhecidas. "Nosso objetivo é chegar em 2014 com 95% das lavouras com 5 anos ou menos", adiantou.

Gabriel ressaltou também que o crescimento da cafeicultura está se concentrando no sul do país, região onde são amenizados os efeitos da estacionalidade de produção, ou seja, há menos variação de produção entre um mês e outro (na Colômbia, a colheita do café é realizada durante todo o ano por meio da chamada "colheita seletiva").

Café Robusta

De acordo com Hidde Eikelboom, da trading Nedcoffee, nos próximos anos deve aumentar o consumo mundial de café robusta, utilizado na composição de blends de cafés tradicionais e também na elaboração de cafés instantâneos e em saches.

Segundo ele, o consumo de café nos países produtores está aumentando. "Em 10 anos, o potencial de aumento de produção dos países produtores é de 32%. Na Índia, Indonésia e Brasil, a produção deve saltar 25%, dos atuais 3, 6 e 12 milhões de sacas produzidos anualmente por estes países, respectivamente. O Vietnã pode crescer 17%, a partir das atuais 20 milhões de sacas e a Colômbia - por que não? - deve começar a plantar robusta", afirmou. De acordo com Hidde, a indústria colombiana enfrenta alto custo de produção de solúvel em casa, porque tem que importar o robusta de outros países. "Por que ela não produziria seu próprio café robusta?", indagou.

Para Hidde, o incremento de produção no Vietnã seria favorecido pelas novas plantações que estão sendo feitas e pela disponibilidade de novas áreas para plantio. "Além disso, os agricultores são bem financiados pelo governo, sendo possível aumentar a utilização de adubo - e a produtividade. A demanda local por robusta também está crescendo, devido ao aumento do consumo doméstico", afirmou.

Na Indonésia, o especialista vê grande possibilidade de melhorar o rendimento das lavouras, que ainda está baixo. "Também será possível aumentar o plantio, uma vez que ainda existem áreas disponíveis. Por sua vez, o governo da Indonésia, que hoje apóia pouco os cafeicultores, poderia melhorar este relacionamento, o que favoreceria a produção no futuro", disse.

Segundo Hidde, a Índia, que hoje produz mais arábica que robusta, principalmente nos estados do sul, deveria investir na produção de robusta por exigir menos mão-de-obra e menos água, fatores de produção limitantes no mundo todo, e que sofrem pressão diante de exigências por sustentabilidade. O país teria interesse de aumentar a produção de robusta porque a demanda local também está crescendo.

Na Uganda, existem fatores positivos que favorecem o aumento da produção, com destaque para o programa de revigoramento lançado em 2006, que é um sucesso, além de o país apresentar custos de produção competitivos. A Costa do Marfim pode triplicar a produção (que atualmente é baixa), pois apesar de ser um país extremamente pobre e carente de educação, há sinais de que as guerras civis podem estar se estabilizando - e ainda há muito o que melhorar em infra-estrutura.
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Eliane de Andrade C. Nogueira
ELIANE DE ANDRADE C. NOGUEIRA

SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 07/06/2009

Para que a cafeicultura continue a gerar essa imensidão de empregos, nós precisamos urgentemente de uma política de preços, com um preço mínimo justo, e não esse preço ridículo que o governo lançou; um seguro para que em uma eventual interpérie tenhamos pelo menos segurado o ivestimento que fizemos, pois somos uma empresa que não temos telhados.

Nós não somos obrigados a trabalhar de graça para que outros países tenham lucro às nossas custas. Perguntem às pessoas do próprio governo, que desenvolveram estes preços e os secretários responsaveis pela cafeicultura se eles trabalhariam sem receber. Por que que nós temos que trabalhar com prejuizo?

Atenção, pela primeira vez os cafeicultores estão se unindo e vamos mobilizar todos os meios de comunicação idôneos para repassar a verdadeira face do agronegócio, pois só se é passado o lado poético do campo. Eu quero continuar e ter lucro na minha atividade, mas precisam-se de pessoas mais dedicadas e focadas nos nossos problemas.