Cecafé: café de alta qualidade chega a 1/3 das vendas do Brasil
As exportações de cafés de qualidade diferenciada do Brasil atingiram neste ano quase um terço do total de arábicas embarcados pelo país, avaliou o Cecafé. O volume representa um crescimento significativo em relação a anos anteriores, na esteira dos melhores preços pagos aos produtores deste tipo de café, o que permitiu que mais gente investisse em processos de produção que resultam em bebidas melhores.
Publicado por: CaféPoint
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O volume representa um crescimento significativo em relação a anos anteriores, na esteira dos melhores preços pagos aos produtores deste tipo de café, o que permitiu que mais gente investisse em processos de produção que resultam em bebidas melhores, segundo o diretor-geral do Cecafé, Guilherme Braga.
"O momento é bom, a gente faz um acompanhamento... e é mais ou menos 7 milhões de sacas... Quase um terço das exportações de arábica já é de café top, cafés finíssimos...", disse Braga, durante entrevista à Reuters nesta sexta-feira.
Em 2005, o volume de cafés finos exportados pelo Brasil era de somente 1 milhão de sacas, acrescentou ele, lembrando do volume do ano em que o Brasil tentou conseguir viabilizar entregas da commodity contra o contrato "C" de Nova York, algo que só foi autorizado em 2010, para começar a valer em 2013.
O volume de café de qualidade exportado foi obtido pelo Cecafé com base nos melhores preços pagos por uma parte do total embarcado.
Braga disse não ser possível, no entanto, classificar estes cafés diferenciados, com exceção dos despolpados, que representam um volume de 750 mil sacas, ou pouco mais de 10 por cento do volume de exportação de maior qualidade.
Nos últimos 12 meses até outubro, as exportações de arábica do Brasil (o maior produtor e exportador global), que incluem produtos não tão bons, somaram 28 milhões de sacas, segundo dados do Cecafé.
Braga observou que, num mercado global com oferta escassa e com o pagamento de atípicos prêmios pelo café brasileiro em relação aos preços futuros de Nova York, o produtor tem respondido e investido nas melhores práticas e processos de produção.
"O mercado é bom para isso, o brasileiro está entrando no mercado de cafés diferenciados... entra o cereja descascado, o despolpado e o natural 'chuchu beleza', que dá um 'cafezasso'. Em função dessa realidade, o mercado paga prêmios, e a cafeicultura sente isso."
"A gente tem tido participações expressivas no segmento de cafés mais diferenciados... Acho que o Brasil está tendo um bom desempenho nessa área, e como ela exige qualidade diferenciada e tem pago prêmios, isso está levando o produtor a ter uma postura mais positiva em relação ao preparo."
No total das 7 milhões de sacas/ano, Braga colocou os melhores cafés produzidos no Brasil pelos diversos processos.
Assim, o volume do grão diferenciado exportado pelo Brasil fica bem próximo de toda a safra da Colômbia, tida como o maior produtor de café arábica de alta qualidade, mas que deve fechar 2011 produzindo cerca de 8 milhões de sacas, abaixo do previsto, por conta de problemas climáticos, entre outros.
"O Brasil já é comparável à Colômbia, o que acontece é que como a produção brasileira é um volume muito grande... a qualidade do café brasileiro está na razão direta do modo de preparo, o grão, a variedade genética é igual à da Colômbia, não tem grandes diferenças."
E com uma melhor remuneração o Brasil tem mudado suas práticas de preparo.
"O Brasil tradicionalmente usava em quase 100 por cento o sistema de derriça (na colheita)... mas quando o produtor vê prêmios ele começa a preparar a safra melhor...", disse Braga, observando que o percentual da área que terá uma colheita e preparo de melhor nível vai depender do prêmio pago.
A melhora na qualidade de café do Brasil se dá após a autorização, concedida no ano passado, para entrega do produto brasileiro contra o contrato "C" em Nova York, a partir de março de 2013.
As informações são da Agência Reuters, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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