CBP&D discute exportação de café com valor agregado
O café é uma das commodities que mais oscila nas bolsas de mercado futuro. Segundo os pesquisadores, uma forma de garantir preço em toda a cadeia produtiva é estimular a exportação do produto com valor agregado. Este e outros assuntos foram discutidos nesta quarta, dia 19, em Londrina/PR durante a 10 ª Reunião Ordinária do Conselho Diretor do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café - CBP&D/Café.
Publicado por: CaféPoint
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O Brasil produz, em média, 38 milhões de sacas de café por safra, o que coloca o país como o maior produtor de café do mundo. Entretanto, falta valorização e apoio do governo federal para acelerar as exportações do produto com valor agregado, e não apenas do café beneficiado. Para produtores e especialistas, este é o melhor caminho para se aumentar a renda da cafeicultura e garantir o mercado internacional.
De acordo com especialistas, o que não falta no café brasileiro é qualidade. No entanto, o Brasil ainda tem poucas lavouras de cultivo orgânico, cada vez mais procurado no mercado internacional. O alto custo e a insegurança do mercado estão entre os motivos que dificultam a esta mudança na produção de café. O cafeicultor nacional está procurando primeiro saber o custo da mudança.
O Consórcio Brasileiro de Café, que reúne 40 instituições e 12 Estados produtores, tenta transformar esta postura através do programa integrado de produção. O projeto quer aproximar o cafeicultor das certificadoras, por exemplo, para ajustar o produto ao mercado.
Para o presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Baldonedo Arthur Napoleão, o cafeicultor vive hoje o dilema de ter que inovar no mercado, mas ao mesmo tempo, calcular os efeitos da crise internacional. Segundo ele, o preço do café pode melhorar em 2009.
Ações no Norte Pioneiro
Para os cafeicultores do Norte Pioneiro do Paraná, a saída para suportar a volatilidade do mercado de commodities agrícolas pode estar em apenas uma palavra: qualidade. O mercado tem mostrado que valoriza produtos diferenciados e há indicações de que nem mesmo a crise financeira pode interferir, a longo prazo, no preço dos cafés especiais.
Na semana passada, por exemplo, três lotes do grão cultivado no Norte Pioneiro foram comercializados por R$ 840/sc, preço mais de três vezes maior do que a média paranaense, que está na casa dos R$ 250. Um café de qualidade requer microclima específico, com temperaturas mais amenas (com média anual de 19ºC a 22ºC), solo, boa altitude e latitude.
A região pode exportar parte de sua produção para a Europa a partir do próximo ano - um representante da Starbucks está organizando uma missão espanhola que visitará a região em 2009. ''Percebemos que tudo o que produzirmos tem mercado. Só depende de volume e marketing para divulgação da qualidade'', afirma Odemir Capello, gestor do Sebrae do projeto de cafeicultura para o Norte Pioneiro.
O trabalho para resgatar e divulgar a qualidade do café produzido no Norte Pioneiro começou há um ano e meio em parceria com diversas entidades. Em março deste ano, foi fundada a Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro (Acenpp), que conta com cem associados. A intenção é aproveitar o potencial da região para a produção cafeeira como altitude variável de 600 a 900 metros, temperaturas médias entre 19ºC e 22ºC, latitude, solos férteis. ''Estes fatores dão mais corpo à bebida'', comenta Luiz Fernando de Andrade Leite, presidente da Acenpp.
A entidade desenvolve vários projetos, sendo o primeiro deles com indicação de procedência que, inclusive, lançou uma marca própria. Outra proposta é a certificação, que vai instituir normas e condutas de qualidade para comercialização. Para isso, todos os associados da entidade se comprometeram a destinar 2% da área de suas propriedades para a produção de café especial.
Nos próximos cinco anos, a meta é aumentar a área plantada para 10% das propriedades. ''Nosso objetivo é igualar a qualidade do café paranaense com a do café mineiro'', observa Leite. Com informações de Fernanda Mazzini, da Folha de Londrina e de Kátia Baggio, do Canal Rural.
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